Como Interpretar um Demonstrativo de Resultado?

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é composta pelas receitas e despesas, indicando dessa forma, o resultado econômico da empresa no trimestre. A sua função é prover informações sobre a performance da companhia e, particularmente, mostrar se a empresa apresentou lucro ou não. A fórmula é simples: receita – despesa = resultado (lucro/prejuízo). Porém, existem vários “tipos” de lucros. Esses valores são obtidos à medida que são subtraídas determinadas espécies de despesas. Trata-se então de uma síntese esquematizada das receitas e despesas da companhia naquele período. Assim, chega-se ao resultado obtido naquele exercício, isto é, lucro ou prejuízo, o qual é em seguida transferido para as contas do patrimônio.

É uma demonstração dos aumentos e das reduções causados no Patrimônio líquido pelas operações da empresa. Receitas significam entradas no ativo da empresa, na forma de bens ou direitos, que provocam um aumento da situação líquida. É o montante de dinheiro que entrou na empresa durante o período em questão. As receitas representam normalmente aumento do ativo, através de ingresso de novos elementos, como duplicatas a receber ou dinheiro proveniente das transações. Aumentado o Ativo, aumenta o Patrimônio Liquido.

Despesas são gastos da companhia para, direta ou indiretamente, gerar receitas no futuro. Representam redução do Patrimônio Líquido, através de um entre dois caminhos possíveis: redução do Ativo ou aumento do Passivo Exigível. Entretanto, elas sempre provocam reduções na situação líquida. A classificação das contas segue uma sequência lógica e se inicia com o faturamento da empresa ou Receita Operacional Bruta no período.

“Nossa meta é encontrar uma empresa fantástica a um preço razoável, não uma empresa medíocre por uma barganha”. 

Warren Buffett

• Receita Operacional Bruta: A receita seria o quanto a empresa conseguiu faturar no período de analise, importante salientar que uma empresa que tenha um alto faturamento não significa necessariamente um lucro alto. Para que a empresa seja lucrativa, a receita deve ser maior que os custos e a despesas. Ou seja, a receita sozinha não diz muito sobre a empresa. Da receita operacional bruta são deduzidos os impostos incidentes sobre as vendas, como IPI, ICMS e outros, e ainda eventuais devoluções de vendas e abatimentos concedidos posteriormente à entrega dos produtos, chegando-se então à Receita Operacional Líquida.
• Receita Operacional Líquida: Resultado da Receita Bruta subtraído as deduções (valor relativo aos tributos, deduções ou abatimentos). Da Receita Líquida são subtraídos o Custo dos Produtos Vendidos (CPV), chegando-se então o Lucro Bruto.
• Lucro Bruto: Resultado da Receita Operacional Líquida subtraído o CPV (custo dos produtos vendidos, incluindo-se os custos dos produtos, matérias-primas, depreciação dos bens da fábrica, mão-de-obra e gastos da fábrica e outros gastos de fabricação). Do Resultado Bruto são subtraídas as Despesas Operacionais, chegando-se então ao Lucro Operacional.
• Lucro Operacional: Resultado do Lucro Bruto subtraídas as Despesas Operacionais (gastos necessários à comercialização, vendas e administração, normalmente subdividida em comercial, administrativa e financeira). Altos custos operacionais fixos e endividamento alto podem produzir bastante volatilidade nos lucros, pois uma queda nas vendas ou um aumento no custo de capital irão afetar diretamente os lucros.
• Lucro Antes do Imposto de Renda (EBITDA): Ebitda é uma sigla em inglês que significa Earnings Before Interest, Tax, Depreciation and Amortization, ou seja, Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização. Advém da soma do Lucro Operacional com o Lucro não Operacional. O EBITDA serve como avaliação do desempenho da empresa levando em consideração somente os ganhos da sua atividade principal, medindo a produtividade e a eficiência do negócio. O mercado valoriza muito o crescimento do EBITDA, pois isso demonstra que a empresa vem se tornando mais eficiente e a sua produtividade vem aumentando. Além disso, O Ebitda é uma conta que mede a geração bruta de caixa da companhia. Esse indicador proporciona a oportunidade de comparar a rentabilidade da empresa com outros investimentos, antes dos impostos.
• Saldo não Operacional: Corresponde ao valor líquido – Receita menos custo – das operações incomuns, tais como as vendas de Bens Patrimoniais, máquinas, equipamentos, imóveis, ou outras transações (lucro não operacional).
• Resultado Líquido: resultado final da empresa: Lucro – se positivo; Prejuízo – se negativo.
• Lucro Líquido do Exercício: Refere-se ao Resultado Líquido apontado na Demonstração de Resultado do Exercício. Havendo lucro, esse será incorporado ao patrimônio líquido e, havendo prejuízo, esse será debitado do patrimônio líquido.
• Reservas do Lucro: Do Lucro Líquido do Exercício, a empresa deve efetuar reservas obrigatórias – Legal e Estatutária – e reservas optativas – Contingencial, Orçamentária e de Lucros a Realizar. Reserva Legal: 5% do Lucro Líquido até o limite de 20% do Capital Social serão aplicados como Reserva Legal.
• Dividendos: Parcela do Lucro Líquido que será distribuída aos acionistas, de acordo com a legislação e com o estatuto da empresa. Se os lucros caírem, os dividendos – uma das fontes da sua renda – podem ser afetados. Se a companhia está pagando quase todo o seu lucro na forma de dividendos, qualquer queda nos lucros pode ocasionar uma queda nos dividendos.

“A economia é uma virtude distributiva e consiste não em poupar mas em escolher”.

Edmund Burke

Conhecer e compreender os demonstrativos contábeis facilita muito a análise da situação de uma empresa. Qualquer informação isolada dificilmente trará observações relevantes. É necessário analisar o conjunto, ver como cada item interfere no desempenho da empresa. Além disso, uma análise temporal é indispensável, pois avaliar a evolução dos dados, com o passar do tempo, mostra a tendência da empresa. Finalmente, comparar as demonstrações de empresas do mesmo setor nos proporciona uma melhor compreensão das suas performances.

Neste ponto, o investidor deve indagar se a empresa é lucrativa e se está crescendo. Obviamente, a situação ideal é que em resultados trimestrais consecutivos a empresa consiga gerar lucro líquido e, principalmente, que esse venha crescendo ao longo do tempo. Além disso, espera-se que o patrimônio líquido, a receita operacional líquida, os dividendos pagos e o ativo total também venham crescendo, contanto que a margem líquida de lucro se mantenha e, principalmente, sem que o endividamento cresça numa proporção muito maior à do crescimento do patrimônio líquido.

“Nunca vemos nada além das nossas certezas”.

Capital e Valor

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