Teoria Dow – Sexto Princípio

6o O volume tem que confirmar a tendência.

O volume pode ser exibido como o número de negociações ocorridas por período do gráfico (volume por quantidade) ou a quantidade de dinheiro negociado (volume financeiro). De uma maneira geral, o volume é a pressão do mercado. Quanto maior o volume de um ativo, mais fácil será entrar e sair, pois volume é liquidez. O tipo escolhido para acompanhamento não tem grande importância, pois a única informação que o volume nos fornece de maneira absoluta é a indicação sobre a liquidez do ativo.

O mais relevante para sua análise é comparar o comportamento do volume de um ativo ao longo do tempo. Se compararmos o volume de hoje com o volume dos últimos 30 dias, é fácil perceber se o volume de hoje aumentou ou diminuiu em relação ao passado. Comparando isso ao spread e à movimentação dos preços saberemos se a pressão é compradora ou vendedora. Dow dava a esse aspecto uma importância secundária, mas o fato é que o volume aumenta na direção da tendência. Ele indica a qualidade do movimento dos preços, a sua força. Além de ter a função de confirmar os movimentos dos preços.

O volume é representado por um histograma (barras verticais no campo inferior dos gráficos), sendo normalmente utilizado somente em gráficos diários. É fundamental utilizar uma abordagem prática para analisar esse indicador. Dessa forma, é recomendável acompanhar o volume de um ativo utilizando uma linha de média móvel do volume em sua barra para facilitar a identificação de sua tendência e o acompanhamento da sua evolução.

É uma das mais complexas ferramentas da análise técnica, essencialmente porque em momentos diferentes uma variação semelhante de volume pode ter significados completamente diferentes. Para analisar o volume deve-se sempre relacionar sua variação com a variação dos preços, pois o volume se expande na direção da tendência e contrai nas correções desta.

“O melhor momento para se ganhar dinheiro é comprando quando houver sangue escorrendo pelas ruas”.

John D. Rockfeller

Numa tendência de alta o volume deve ser alto nos dias em que o preço do ativo sobe  e diminuir nas correções de meio de percurso, ou seja, nos dias em que o preço cai. Novas altas não confirmadas por alto volume indicam perda de força da tendência. A reversão de uma tendência de baixa para uma de alta costuma ser marcada por um grande volume. O aumento do volume juntamente com o aumento do preço é a confirmação desta reversão.

Isto é também é válido numa tendência de baixa, embora com menor influência. O volume é alto nos dias em que o preço cai e baixo nas correções de alta, nos dias em que o preço sobe. Se o volume aumentar nos dias em que o mercado sobe, temos um sinal de fraqueza na tendência de baixa e que uma possível reversão está próxima.

Num mercado em tendência de baixa, dia após dia os preços caem atingindo novos mínimos, os pequenos movimentos de alta (correção dos preços) atingem topos cada vez mais baixos. Após uma significativa queda, os preços atingem um ponto onde a massa entra em pânico e é induzida a vender suas posições pelo medo de futuras quedas, pelas notícias pessimistas e devido à pressão psicológica, por não poderem aguentar maiores perdas.

Ao venderem, possibilitam que os investidores institucionais acumulem ativos desvalorizados, sem que façam com que seus preços subam. O fundo da tendência de baixa é marcado pelo clímax de venda, um sinal de força na demanda, na pressão compradora. Muitas vezes é marcado por um dia em que o preço do ativo abre o dia com um gap de exaustão de baixa e os preços fecham próximos ao máximo do dia com alto volume, normalmente formando um candle de reversão altista.

No gráfico abaixo temos um exemplo de uma reversão da tendência de baixa marcada pelo clímax de venda, um dia marcado por alto volume e que formou um engolfo de alta (candle de reversão altista). Na semana seguinte a linha de resistência é rompida pela linha de preços e a reversão da tendência de baixa é confirmada.

Neste ponto o mercado indica aos investidores experientes, cujo capital não está preso em operações perdedoras, uma excelente oportunidade de compra e de encerrar vendas a descoberto. Agindo de forma oposta à massa, que ficou com o capital preso a preços mais altos ou está intimidada a comprar em função de notícias pessimistas e de um cenário econômico desfavorável. Esta acabará perdendo grande parte do movimento de alta do mercado.

“Se não é vantajoso, nunca envie suas tropas; se não lhe rende ganhos, nunca utilize seus homens; se não é uma situação perigosa, nunca lute uma batalha precipitada”.

Sun Tzu

Após terem acumulado uma quantidade considerável de ativos a preços atrativos, os investidores institucionais mudam sua estratégia, colocam enormes ordens de compra em pontos de suporte, impedindo que os preços caiam abaixo destes. Da mesma forma, começam a impulsionar os preços para cima, comprando mais do que vendem, induzindo a valorização dos seus ativos. Não há mais realização de lucros por parte deles, e como não há oferta a preços baixos, o mercado tende a subir. Neste momento o mercado já reverteu e está em tendência de alta.

Com o mercado numa tendência de alta definida os preços sobem dia após dia, atingindo novos máximos cada vez mais altos, os pequenos movimentos de baixa (correção dos preços), vão formando fundos mais altos em relação aos anteriores. Após uma significativa alta, a massa é atraída para o mercado, apostando em preços mais altos, induzidas por boas notícias, por um cenário econômico favorável e pelos bons resultados das empresas. No entanto, sua entrada no mercado, apesar de impulsionar os preços ainda mais para cima, é atrasada.

Os investidores institucionais tomam vantagem dos preços altos para realizarem seu lucro, invertendo sua estratégia. Começam a vender muito mais do que compram, iniciando uma fase de distribuição. O mercado tende a cair porque não há uma maior demanda a preços mais altos. O topo da tendência de alta é marcado pelo clímax de compra, um forte sinal de força na oferta. É comum que seja indicado por um dia em que o preço do ativo abre o dia com um gap de exaustão de alta e os preços caem, fechando próximos ao mínimo do dia. O gap é fechado e é formando um candle de reversão baixista. Isto é um forte sinal de reversão da tendência de alta.

Neste ponto o mercado indica aos investidores experientes uma excelente oportunidade de venderem suas posições compradas e de abrirem posições vendidas no mercado. Agindo de forma oposta à massa, que ficou com o capital preso em ativos que foram comprados a preços altos e está confiante em manter suas posições perdedoras, induzida pelo histórico de alta dos preços e pelas boas notícias. Nas semanas seguintes a pressão vendedora aumenta, o mercado entra numa tendência de baixa e o ciclo se repete.

No gráfico abaixo temos um exemplo de uma reversão da tendência de alta marcada pelo clímax de compra, um dia marcado por alto volume e que formou um enforcado (candle de reversão baixista). Na semana seguinte a linha de suporte é rompida pela linha dos preços e a reversão da tendência de alta é confirmada.

Grande volume de negócios num determinado nível de suporte ou de resistência é um bom indicador de sua relevância, pois indica que neste nível há aumento no interesse pelo ativo.

“Compre quando os canhões começarem a disparar e venda quando as trombetas soarem a vitória”.

Rothschild