Teoria Dow – Segundo Princípio

2o O mercado se move em tendências.

O conceito de tendência é o princípio básico da análise técnica. Num contexto de longo prazo, as variações das cotações não são aleatórias, evoluem segundo tendências. As ferramentas de análise visam determinar qual a direção dos preços de um ativo ou do mercado em geral. Todo o propósito da análise técnica está em identificar o surgimento e as mudanças das tendências, mesmo havendo períodos em que os preços podem não estar seguindo uma tendência aparente.

Segundo Dow, os preços de um ativo estarão sempre seguindo uma das três tendências básicas, de alta, de baixa e lateral. Uma tendência de alta é uma sucessão de topos e fundos de preços cada vez mais altos, enquanto que uma tendência de baixa é uma sucessão de topos e fundos de preços cada vez mais baixos. Uma tendência lateral é um período de estagnação dos preços (pouca variação), normalmente indicando uma fase de acumulação ou de distribuição, em que os preços oscilam dentro de uma congestão.

Com relação à duração da tendência, existem também três tipos: a de longo prazo, a de médio prazo e a de curto prazo. De modo geral, no mercado futuro, devido à alavancagem e o prazo dos contratos, trabalha-se essencialmente com as duas últimas, sendo a de longo prazo muito útil para o mercado de ações.

A tendência de longo prazo (primária) tem duração superior a 1 ano, sendo sempre de alta ou de baixa. Possui três fases cíclicas:

• No mercado de alta: acumulação, alta propriamente dita e euforia.
• No mercado de baixa: distribuição, baixa propriamente dita e pânico.

1o Acumulação (mercado lateral): Após os preços dos ativos terem caído bastante, seguindo uma tendência de baixa definida, os investidores institucionais diante de um cenário ruim, mantêm os preços numa tendência lateral para comprarem ativos a preços baixos da massa que está desesperada em razão dos grandes prejuízos e das notícias pessimistas. Seu interesse é se posicionar no ativo de forma disfarçada, sem aumentar muito a demanda e disparar uma alta em seu preço.

No início da alta o mercado começa a ser impulsionado por investidores mais qualificados, que percebem logo que novos ventos estão soprando. Enquanto isso, as notícias apresentadas pela mídia refletem expectativas negativas para a massa, que acredita que o pior ainda está por vir.

2o Fase (alta): Representa correções sobre a primária e pode durar de 3 semanas a 3 meses. Essa segunda parte é uma aceleração mais acentuada do movimento de compra. A pressão compradora aumenta bastante. Neste momento o movimento de alta dos preços é visível, pois os grandes investidores (já posicionados) além de acumularem mais, querem que seus ativos se valorizem.

É o momento em que normalmente os investidores que acompanham bem o mercado entram, atentos à movimentação dos investidores institucionais que já é aparente no gráfico. A partir daí, surge o interesse de que seus ativos se valorizem de forma expressiva. Suas compras não são mais disfarçadas e os preços sobem bastante.

3o Euforia (alta): Representa flutuações na tendência secundária, normalmente associadas a novos fundamentos e acontecimentos. É a euforia de compra, caracterizada pela entrada do público em geral, quando os preços, que já estão caros, sobem mais ainda, impulsionados também pelas massas animadas pelas informações de melhores fundamentos econômicos e notícias otimistas dos jornais e da mídia em geral.

Os participantes do mercado, de maneira geral, estão cada vez mais seguros de seus lucros e os grandes investidores, mais bem preparados, começam a vender suas posições, em um momento em que ninguém quer vender, após terem entrado no mercado quando ninguém queria comprar. As massas estão em clima de euforia com o que veem diariamente nos noticiários e confiantes de que o mercado continuará a subir. É durante esta última fase que os investidores institucionais começam a vender. Encerra-se então o ciclo de alta do mercado e é aberto o caminho para a 1a fase do mercado de baixa: a distribuição (lateral).

“Não se iluda com altas manipuladas, quedas sem volume, altas sem fundamento etc. Alta é para comprar e baixa para vender, simples assim”.

1o Distribuição (mercado lateral): Após os preços terem subido bastante, seguindo uma tendência de alta definida, os investidores institucionais diante de um cenário de otimismo, mantêm os preços numa tendência lateral para venderem ativos aproveitando os preços altos. Nesta fase, as massas mal informadas, atraídas pelas notícias animadoras e pelo histórico de alta nos preços dos ativos, compram achando que o processo de alta, agora sem mais nenhum fundamento, irá continuar. O que possibilita aos grandes investidores vender seus ativos e tomar posições vendidas no mercado de forma disfarçada, a preços altos e com o mercado lateral, iniciando assim uma fase de distribuição.

2o Fase (baixa): É o momento em que os investidores que acompanham o mercado vendem suas posições devido às fortes baixas nas cotações dos ativos causadas pela movimentação dos investidores institucionais. É uma etapa marcada por um grande nervosismo, os investidores bem informados percebem seu equívoco e procuram se desfazer de suas posições. Neste período, o mercado define uma tendência de baixa e os preços caem bastante e rápido.

O movimento secundário é tido como um momento saudável, necessário para corrigir o excesso de confiança e de especulação dos investidores. Contudo, com o passar do tempo, os preços dos ativos não voltam a subir, pelo contrário, sua queda é acentuada e o mercado de baixa entra na sua última fase.

3o Pânico (baixa): É caracterizada pelo pânico das massas, as quais vendem suas posições por desespero e com grande prejuízo, diante de um cenário ruim e influenciadas pelas notícias pessimistas. Os preços dos ativos caem mais ainda, forçados pela movimentação dos investidores institucionais. É durante esta última fase que eles começam a comprar, em um momento em que ninguém quer comprar, após terem vendido quando ninguém queria vender.

Após um cenário de grande queda no mercado, diante de ativos desvalorizados, a pressão vendedora se dissipa. A oportunidade para uma nova fase de acumulação e, posteriormente, para uma nova tendência de alta, começa a surgir. É nesta terceira fase da tendência de baixa que os investidores institucionais iniciam a 1a fase da tendência primária de alta, a acumulação (lateral).

Resumindo, na tendência primária de alta temos 1o a acumulação, em 2o a alta propriamente dita e em 3o a euforia de compra. Em seguida inicia-se uma tendência primária de baixa, onde temos em 1o a distribuição, em 2o a baixa propriamente dita e em 3o o pânico de venda. A partir daí, os institucionais iniciam outra tendência primária de alta, fazendo uma nova fase de acumulação enquanto os preços estão baixos.

“Sempre opere no sentido da tendência, se você não sabe em que sentido o mercado está indo, é bem provável que vá para onde você não quer”.

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