O Gráfico

A análise do gráfico permite a interpretação do comportamento dos preços de um determinado ativo a partir de suas cotações passadas, no intuito de determinar sua tendência futura. Os movimentos de preço tendem a serem cíclicos, formando determinados padrões que indicam prováveis movimentos futuros.

Como regra, as pessoas tendem a atuar da mesma forma que já atuaram no passado, logo, os mercados são um reflexo de suas ações. O investidor procura detectar situações recorrentes com a finalidade de antecipar períodos de alta e de baixa no mercado. Para isso, registra em gráficos informações sobre as negociações de um determinado ativo, tais como as variações das cotações e os respectivos volumes financeiros, deduzindo desta história representada graficamente a provável tendência futura dos preços.

As variáveis mais comuns utilizadas na construção de um gráfico são o preço de abertura, o preço máximo, o preço mínimo, o preço de fechamento, o volume e o período apurado (tempo  em minutos, horas, dias, semanas, meses, etc). Com estas variáveis é possível criar qualquer tipo de gráfico técnico, com dezenas de relações, indicadores, padrões e tendências diferenciadas.

Gráficos podem ser construídos a partir de inúmeras variáveis e analisados através de uma enorme gama de ferramentas. Entretanto, quando se utiliza um grande número de indicadores e são geradas diferentes interpretações dos sinais do gráfico, a capacidade de análise e julgamento acaba sendo prejudicada em função de um excesso de informação. Um gráfico deve atingir dois objetivos básicos, representar o fenômeno em questão, ou seja, fornecer todos os dados importantes numa correta amplitude, e ao mesmo tempo ser o menos complexo possível, a fim de facilitar a leitura, o acompanhamento e a tomada de decisão do investidor.

“A chave para a fortuna no mercado é a simplicidade”.

Jesse Livermore

O gráfico de cotações é uma seqüência de pontos definidos num determinado período de tempo. Cada gráfico tem dois eixos. No eixo X vem a escala do tempo e no eixo Y vem o valor das cotações. O período do gráfico diz respeito ao tempo necessário para fechar uma barra, um ponto ou um candle. Pode ser mensal, semanal, diário e intraday (minutos ou horas) dependendo da estratégia do investidor.

• Intraday: Cada barra ou candle representa um período de negociação, podendo ser horas, minutos ou mesmo segundos.
• Diário: Cada barra ou candle representa um pregão (um dia inteiro de negociação).
• Semanal: Cada barra ou candle representa todos os pregões da semana.
• Mensal: Cada barra ou candle representa todos os pregões do mês.
• Anual: Cada barra ou candle representa todos os pregões do ano.

Numa base de tempo diária, cada dia de pregão é representado por um ponto, barra ou candle no gráfico. Enquanto que uma base de tempo semanal utiliza um ponto por cada 5 dias de pregão (de Segunda à Sexta). Numa base de tempo intraday de 15 minutos, cada barra representa os preços negociados nesse intervalo de tempo. Geralmente os investidores utilizam gráficos intraday para visualizar a variação das cotações ao longo do pregão (curtíssimo prazo) e  gráficos diários para analisar a evolução do preço no curto prazo. Se quiserem analisar as tendências de médio a longo prazo de um ativo, deverão utilizar gráficos semanais ou mensais.

A analise gráfica deve ser feita a partir de gráficos mensais e semanais, pois definem a tendência primária e de longo prazo do preço do ativo, o que possibilita uma  perspectiva mais abrangente do histórico do preço. É recomendável analisar uma base de preços de no mínimo 3 anos. Por fim, na maioria dos casos será o gráfico diário ou intraday que definirá o momento de entrar e sair do mercado. Quanto menor o período, maior a dificuldade para determinar a tendência geral do preço.

Um tempo mais longo nos tira o detalhe, mas nos dá uma noção maior da tendência como um todo. Pode-se dizer que olhar o gráfico num tempo mais longo significa estar vendo um resumo do mercado, em relação ao tempo mais curto. Entretanto, o mercado pode se mover em direções diferentes ao mesmo tempo. Pode estar numa tendência de alta num gráfico mensal e de baixa num gráfico diário e vice-versa. Quanto menor for essa base de tempo, mais perecível será a análise do gráfico.

Uma visão de mercado de curtíssimo prazo pode expor o investidor ao risco de que o movimento identificado seja apenas uma breve correção do preço, ao invés de uma reversão da tendência principal. Uma retomada da tendência principal de longo prazo o deixaria no prejuízo.

Portanto, é fundamental identificar a tendência principal do mercado e do ativo que planeje negociar. Mesmo diante de uma indicação de queda no gráfico mensal pode-se buscar oportunidades de curto prazo num gráfico semanal ou diário. Quando estiver em dúvida, utilize um gráfico com uma periodicidade maior, semanal por exemplo. O importante é identificar o panorama geral do mercado e operar de acordo.

Os preços nos gráficos podem assumir duas escalas distintas: a escala aritmética ou a escala semi-logarítmica. Uma escala aritmética desenha cada diferencial de preço com a mesma distância vertical. A escala semi-logarítimica plota uma diferença percentual entre os preços. Normalmente, em gráficos de curto prazo (até 3 meses) esta situação não apresenta diferenças relevantes. No entanto, ao considerarmos análises de médio e longo prazo, tal diferença já é bastante relevante e poderá inclusive gerar conclusões bem diferentes pelas linhas traçadas.

“Descubra à noite no noticiário o que o gráfico lhe mostrou durante o dia”.

Tipos de gráficos

Gráficos de linha – Representam a evolução dos preços de um ativo da forma mais simplificada. Uma única linha representa o preço de fechamento de um ativo num determinado período. Na escala horizontal está o período do gráfico e na vertical os valores. A grande vantagem destes gráficos é que a sua análise é bastante intuitiva, sendo muito mais fácil detectar as tendências e suas reversões.

Gráficos de barras – Um gráfico de barras é mais complexo, é o tipo mais popular de gráfico. Sua grande vantagem em relação ao gráfico de linha é oferecer mais informações, ainda que sua leitura seja mais trabalhosa. Mostra os 4 níveis de preços da sessão (período apurado), são utilizados o preço de abertura, o preço máximo, o preço mínimo e o preço de fechamento. O máximo e o mínimo da sessão definem os extremos da barra, o topo de cada barra representa o preço máximo atingido e o fundo da barra, o preço mínimo desse mesmo período. O tamanho da barra indica o spread do preço do ativo. Um pequeno traço à esquerda representa o preço de abertura, enquanto que um pequeno traço do lado direito representa o preço de fechamento. Cada barra corresponde a um período de tempo (5 minutos, 15 minutos, uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano, etc.).

Gráficos de CandleSticks – É o tipo mais recomendado de gráfico por ser o mais rico em informações. Criado no Japão para analisar a negociação de arroz no século 17, neste último século tem sido largamente utilizado em todo o mundo por se tratar de uma excelente ferramenta de leitura dos preços e da psicologia do mercado.

O gráfico de candles é composto por duas partes: corpo e sombras. O corpo é a parte entre a abertura e o fechamento (parte mais alargada da figura acima), caso o preço de fechamento do candle tenha sido superior ao preço de abertura, o corpo recebe a cor branca, é um candle de alta. Caso o preço de fechamento do candle tenha sido inferior ao preço de abertura, o corpo recebe a cor preta, é um candle de baixa. Assim como pode ser visto na figura, em um candle de alta o preço de abertura delimita a parte inferior do corpo do candle e o preço de fechamento a parte superior. Em um candle de baixa, o preço de fechamento delimita a parte inferior do candle e o preço de abertura a parte superior.

As sombras são linhas verticais que indicam o preço máximo e o mínimo. Vale ressaltar que um candle pode não ter sobra inferior ou superior, para isso basta que a abertura ou o fechamento seja no exato valor do mínimo ou do máximo. Quando um candle de alta não possui sombra isso quer dizer que o preço de abertura foi o preço mínimo e o preço de fechamento foi o preço máximo. O contrário é válido para um candle de baixa.

Existe uma classe de candles, contudo, que não possuem corpo são os chamados doji. Um doji é formado quando a abertura e fechamento coincidem, ou mesmo, quando formam um corpo muito pequeno.

“O uso de ferramentas de análise é o que diferencia um especulador de um jogador”.

Ao comparar o gráfico de candlestick com o de barras é possível perceber que o gráfico de candle por ser visualmente mais rico, possibilita maior facilidade para visualizar os dias de alta e de baixa, os preços de abertura, de fechamento, de máximo e de mínimo, mas acima de tudo, formam importantes figuras que podem indicar a reversão da tendência dos preços. Assim, os candlesticks podem ser utilizados para estimar o movimento futuro dos preços. Abaixo temos uma comparação entre o gráfico de candlestick e o de barra.

Barra de volume – Mostra o volume financeiro ou quantidade de títulos negociados em cada período do gráfico, normalmente mostrada como uma barra vertical no fundo do gráfico. A barra de volume deve ser usada preferencialmente em gráficos diários, nunca em gráficos semanais, mensais ou intraday.

Utilizando barras verticais de volume nem sempre ficarão claras as suas variações. Para uma melhor visualização do comportamento do volume costuma-se utilizar uma linha de média móvel do volume. Esse indicador produz uma linha ou curva que pode ser usada tanto para acompanhar a evolução do volume, como para compará-la às movimentações dos preços, no intuito de interpretar a força desses movimentos e identificar o início de uma reversão de tendência, principalmente a reversão de uma tendência de baixa para uma de alta.

“Meu sucesso financeiro forma um contraste absurdo com minha capacidade de prever os acontecimentos”

George Soros