Drawdown – A Medida do Prejuízo

Recuperar um capital perdido é muito mais difícil do que preservá-lo. Uma pessoa que possua um capital de R$ 100.000,00 e venha a perder 25% deste, ficará com R$ 75.000,00. Se no mês seguinte ganhar 25%, seu capital não voltará a ser R$ 100.000,00, mas R$ 93.750,00. E se ao invés de 25% perder 50%, precisará obter um ganho de 100% sobre o capital restante para voltar a possuir os mesmos R$ 100.000,00. Caso a perda seja de 90%, precisará obter um ganho de 900% apenas para voltar a ter o capital com que começou.

Isso é o drawdown de um investimento. É o percentual sobre o capital restante que é necessário ganhar para recuperar o total do capital investido. Recuperar-se de um drawdown pode ser extremamente difícil, pois é preciso ganhar um percentual maior do o que fora perdido para voltar o breakeven (zero a zero). Iniciantes tendem a achar que caso se perca 10% do capital investido, ao ganhar 10% sobre o que sobrou, voltarão a ter o que tinham antes, o que não é verdade, pois neste caso será preciso ganhar 11,11% para recuperar o total investido. Essa relação aumentará geometricamente na medida em que o prejuízo ficar maior. Isso demonstra o quanto o gerenciamento de capital e o controle do risco são importantes.

“Sorria… amanhã será pior.”

Muitos investidores não se dão conta do quanto é importante liquidar investimentos que deram prejuízos. Supondo que uma pessoa com um capital de R$ 100.000,00 para investir em renda variável estabeleça seu objetivo de rentabilidade entre 30% e 50% ao ano. Se acumular um prejuízo que chegue a 33% desse capital, mesmo que depois disso ainda consiga atingir uma rentabilidade anual de 50% e se recuperar de seu drawdown, terminando o ano com R$ 100.500,00, ainda assim ela terá perdido um ano de rentabilidade que lhe renderia algo entre 30 e 50 mil reais.

Investidores veteranos e gestores de fundos sabem o quanto é difícil  recuperar um drawdown. Conhecem bem e respeitam essa relação de risco x retorno. Têm sucesso no longo prazo porque controlam sua exposição através de um bom gerenciamento de risco e de uma boa alocação de seu capital. Durante toda a história houveram alguns grandes investidores que a partir de pequenas quantias fizeram grandes fortunas, George Soros, Warren Buffett, dentre outros. Mas foram esquecidos por ela uma grande quantidade de investidores que, por desrespeito ao risco, acabaram falidos.

Por isso, dedique tempo para estudar mecanismos de defesa para o caso de não acontecer o que você espera no mercado. Todos operam bem no lucro. Aprenda a operar bem no prejuízo e no longo prazo você será um vencedor.

“Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida”.

Platão

O gerenciamento de capital se refere ao uso apropriado do dinheiro. Consiste no paradigma entre investi-lo para a obtenção de um lucro máximo e protegê-lo contra os riscos para garantir uma longevidade máxima. No mercado volatilidade significa movimento, é a amplitude da variação dos preços de um ativo. Quanto mais volátil for o mercado, maior será o risco e, consequentemente, maior deverá ser a tolerância de perda do investidor, logo, maior será a distância que deverá ser posicionada a ordem stop.

O investidor gostaria de ter a sua ordem stop limitando o risco da operação próximo o bastante para que suas posições perdedoras tenham um prejuízo pequeno. Contudo uma ordem muito próxima pode resultar numa liquidação prematura em razão dos movimentos de curto prazo no mercado. A colocação de uma ordem stop a uma distância maior evitaria tal liquidação, mas em contrapartida, incorreria num prejuízo maior caso fosse acionada.

No mercado praticamente todo mundo pode ter lucro numa operação, entretanto, poucos conseguem acumular um bom patrimônio com o passar dos anos. O objetivo do gerenciamento de capital é acumular dinheiro reduzindo as perdas em operações que derem errado e maximizar os ganhos das operações que derem certo. Desta forma, uma maior disciplina pode ser alcançada se tivermos grandes lucros e pequenos prejuízos. E a única maneira de se proteger contra grandes prejuízos é realizando pequenos prejuízos, que são o custo para se manter o negócio, fazem parte do negócio.

“Sem o insucesso nada podemos aprender e, contudo, aprendemos a valorizar o êxito como o único padrão aceitável”.

Um investidor experiente aceita suas perdas como um empresário aceita os custos para realização do seu negócio. Aceitar um prejuízo é muito difícil para investidores iniciantes, e mesmo para muitos investidores veteranos, por serem arrogantes ou orgulhos. Uma perda nada mais é do que um erro cometido por você. O que é preciso fazer é refletir a respeito do que ainda pode ser feito para contorná-lo ou  para limitá-lo, bem como para evitar que se repita no futuro.

Quando o investidor se prende a uma operação perdedora ele não perde dinheiro apenas pela desvalorização do ativo, mas também pela perda da rentabilidade em outras oportunidades de investimento, em função do capital estar “preso”. E acima de tudo, perde-se uma das coisas mais valiosas do mundo, a qual o dinheiro não pode comprar, o tempo.

O relógio anda contra todos e não para. Os investidores de um modo geral dão atenção ao dinheiro sem consciência da importância do tempo. Produzir dinheiro requer, além de esforço, tempo. E da mesma maneira, operar no mercado também consome tempo, e aprender a operar no mercado consome mais tempo ainda. Se você realmente deseja investir, deverá dedicar parte de seu tempo para isso.

O mercado e os fundamentos devem ser constantemente estudados, métodos de análise devem ser avaliados com regularidade, estratégias devem ser planejadas e decisões devem ser tomadas. Isso tudo constitui um processo trabalhoso que consome tempo, raciocínio e dedicação.

Consolidar um bom patrimônio leva tempo e trabalho duro. Fazer dinheiro no mercado também requer tempo. Por isso, é importante proteger seu capital e consolidar seus lucros em patrimônio. Ao realizar seu lucro comprando imóveis, terrenos, ou mesmo, títulos públicos, você estará consolidando o seu patrimônio.

Talvez o maior erro de um investidor veterano seja reinvestir no mercado tudo que ganhou em todos seus anos de negociação, fazendo uma “bola de neve”, no intuito de alavancar a rentabilidade de suas operações. Caso uma de suas operações dê errado, basta que ele cometa o erro de não cortar suas perdas uma só vez, para que anos de rendimentos sejam devolvidos ao mercado, bem como os anos de estudo, trabalho e resultados que também serão perdidos.

“Os frutos do seu sucesso serão diretamente proporcionais à honestidade e à sinceridade do seu esforço em manter e acompanhar a sua performance no mercado, fazendo  suposições e tirando suas próprias conclusões”.

Jesse Livermore

É fundamental procurar sempre acompanhar sua performance no mercado, ou seja, a rentabilidade de seus investimentos. Marque o dia em que começou a investir no mercado e calcule se seu retorno está acima ou abaixo do seu objetivo de rentabilidade anual. Se estiver abaixo de 30% ao ano, é sinal de que você deve estudar mais e dedicar mais tempo buscando outras alternativas ou estratégias de renda variável. Se estiver acima, é sinal que você deve planejar o que fazer com seus lucros, definir em que irá imobilizá-los para protegê-los dos riscos ao quais estão expostos no mercado. Sempre saiba qual a sua posição exata e o quanto você está ganhando ou perdendo e, acima de tudo, o que isso representa para você.

Portanto, de tempos em tempos procure realizar seus lucros do mercado em investimentos mais convencionais e “sólidos”. Não interessa se estes oferecem uma rentabilidade menor do que suas operações no mercado. O que interessa é que seu dinheiro estará imobilizado longe do risco do mercado e de suas operações.

Em suma, a análise de mercado diz ao investidor para onde é mais provável que o mercado se mova. A estratégia operacional lhe diz o que fazer quando o mercado se mover. O timing lhe indica quando o fazer. E o gerenciamento de capital lhe diz o quanto investir, o quanto poderá tolerar de perda, caso a operação dê errado, e o quanto dos lucros deverá ser consolidado em patrimônio.

“A diferença entre o vencedor e o perdedor não está no quanto possuem, e sim na maneira como veem e utilizam os recursos e experiências que possuem”.

MercadoReal

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