A Importância da Liquidez em um Investimento

No momento de escolher um investimento, além da rentabilidade, a liquidez é um importante aspecto a se considerar. Liquidez é um conceito econômico que considera a facilidade com que um ativo pode ser convertido em dinheiro. O grau de agilidade de conversão de um investimento sem perda significativa de seu valor mede sua liquidez, logo, quanto mais rápida for essa conversão, mais líquido esse ativo será. De maneira contrária, um ativo com pouca liquidez é mais difícil de ser convertido em dinheiro, seja pela falta de compradores ou pelo tempo necessário para liquidar o investimento. Dessa forma, a liquidez pode ser entendida como uma medida do interesse que o mercado tem em negociar um determinado bem.

É fundamental para todo investidor gerenciar bem a maneira como distribui seu capital entre diversos investimentos, sempre reservando parte deste para investimentos cuja liquidez é imediata. Isso lhe permitirá no caso de uma emergência ou do surgimento de uma excelente oportunidade de investimento sacar esses recursos rapidamente para utilizá-los.

Abrir mão da liquidez pode significar não ter recursos disponíveis em conta para cobrir eventuais gastos emergenciais ou imediatos. A falta de capital disponível em conta pode obrigá-lo a ter que liquidar investimentos de longo prazo antecipadamente, muitas vezes em momentos inapropriados, com prejuízo ou a preços ruins. Esse tipo de desorganização financeira acaba com os resultados de qualquer investimento de longo prazo, bem como deprecia o patrimônio do investidor.

Em contrapartida, a parcela restante do capital pode ficar imobilizada em investimentos com menor liquidez. Esses serão os recursos que o investidor não precisará no curto prazo, pois de nada adianta buscar uma maior rentabilidade em aplicações de longo prazo se tiver que recorrer a empréstimos bancários para cobrir eventuais lacunas no seu orçamento. Da mesma forma, de nada adianta um investimento oferecer uma alta rentabilidade se no momento em que é preciso liquidá-lo o investidor seja obrigado a fazê-lo por um valor abaixo do preço de mercado, ou mesmo, não consiga liquidá-lo rapidamente.

“Da Cama, da Mesa e da Bolsa, a gente sempre deve sair achando que deveria ficar um pouco mais.”

Anônimo e quebrado

A liquidez é importante não apenas para investimentos de renda variável tais como ações e imóveis, mas principalmente para investimentos de renda fixa, plano de previdência privada e títulos públicos. Alguns desses investimentos têm data prefixada para resgate ou prazo de carência e, em razão disso, oferecem uma rentabilidade um pouco maior em relação aos que possuem liquidez diária. O investidor deve avaliar se essa diferença de rentabilidade compensa o risco associado à perda da liquidez diária.

Ficar com o dinheiro “preso” pode vir ser um incômodo para o investidor caso venha a precisar dele. O PGBL por exemplo, apesar de ser o melhor instrumento para restituição de IR, está entre os piores investimentos em termos de liquidez. No caso de um resgate antecipado o investidor tem que arcar com uma exorbitante alíquota de IR, o que muitas vezes faz com que o valor resgatado seja menor do que o que fora investido. A falta de liquidez é o alto preço que se paga por alguns benefícios oferecidos por esse produto, como os de natureza tributária.

Investimentos de renda fixa mais conservadores, tais como caderneta de poupança, CDI e CDB apresentam elevado grau de liquidez e baixo risco, conseqüentemente, apresentam também as menores rentabilidades do mercado. Existem algumas exceções tais como os CDI’s prefixados, em que a taxa de retorno está atreladas a prazos de carência e por isso oferecem retornos um pouco maiores. Mas caso seja feito um resgate antecipado uma parte da rentabilidade, senão toda, ficará prejudicada.

Outra estratégia oferecida por bancos e fundos é aumentar gradativamente o percentual do CDI pago à medida que o tempo de permanência no investimento aumenta. Em suma, quanto mais cedo for realizado o resgate, menor será a rentabilidade, pois uma maior rentabilidade geralmente está vinculada a uma menor liquidez.

No mercado de capitais liquidez é poder comprar ou vender um ativo rapidamente e por um preço próximo à média do preço praticado no mercado. Um ativo com liquidez possui uma diferença de preço muito pequena entre a melhor oferta de venda e a melhor oferta de compra, ou seja, possui um spread pequeno entre a ponta de compra e a de venda. De uma maneira geral, a maioria dos investidores prefere investir em ativos líquidos, uma vez que podem encerrar suas posições a qualquer momento do dia caso queiram, sem contar os demais aspectos, tais como credibilidade e expectativa de mercado.

“A maior ironia do mercado de capitais é a ênfase que é dada ao volume de negociação. Corretores ao utilizar termos como liquidez e giro financeiro, estão nos mostrando empresas cujas ações possuem elevada rotatividade. Mas os investidores precisam entender que aquilo que é bom para o “cassino” não é bom para o cliente. Uma Bolsa de Valores hiperativa é como um batedor de carteiras institucionalizado”.

Warren Buffett

As ações que compõem o Ibovespa têm muita liquidez, possibilitando que o investidor abra ou feche uma posição a qualquer momento durante o pregão a um preço próximo ao último negocio realizado. Possuem também um volume de negócios bem acima de 10 milhões de reais por dia.

A liquidez é então a garantia de que o investidor poderá entrar e sair do mercado quando quiser, sem que haja uma grande diferença de preço entre a melhor oferta de compra e a melhor oferta de venda (deságio). Entretanto, é um erro imaginar que as ações com maior liquidez sempre oferecerão os maiores ganhos. Ações de pequenas empresas (small caps) possuem menor liquidez e, normalmente, maior volatilidade, propiciando um potencial para maiores ganhos ou perdas.

O primeiro ponto que o investidor deve analisar antes de investir em um ativo é certificar-se de que este é negociado diariamente, qual é a quantidade de negócios realizados e quanto é o volume financeiro girado por dia. Dessa forma, saberá se a quantidade de ativos que deseja negociar poderá ser executada apenas com uma ordem ou se terá que dividir essa quantidade em várias ordens se quiser um preço próximo ao de mercado.

Ativos com pouca liquidez dão mais “trabalho” para serem negociados, seja em razão das ordens de compra e de venda terem que ser dividias em quantidades pequenas ou em função de um grande spread entre a ponta de compra e a de venda. Abaixo temos um exemplo do leilão de dois ativos, um com pouca liquidez e outro com muita. É possível perceber que o ativo de baixa liquidez possui um grande spread entre as pontas de compra e de venda e que a maioria das ordens são de pequenas quantidades.

Ativos com baixa liquidez estão mais propensos a manipulação por parte dos investidores institucionais, ou em alguns casos, mesmo por parte de alguns investidores mais apressados e gananciosos que buscam a maior volatilidade destes ativos, muitas vezes investindo em ações de empresas com problemas financeiros ou concordatárias, cujas ações geralmente custam poucos centavos.

Essas são chamadas de “micos” do mercado, em razão do seu valor ter sido tão depreciado que “virou pó de mico”. São investimentos de altíssimo risco e sem garantia alguma de retorno, pois a qualquer momento a negociação de seus ativos pode vir a ser proibida por algum motivo, na maioria das vezes porque a empresa pediu a concordata. Neste caso, ocorre o congelamento dos papéis e é “game over” para esses investidores “espertinhos”.

“Vamos agradecer aos idiotas. Não fosse por eles não faríamos tanto sucesso”.

Mark Twain

Em razão de seu baixo valor e da pouca liquidez, esses ativos tendem a ser muito voláteis porque são facilmente manipulados. Na maioria das vezes possuem um grande spread entre o melhor preço de compra e o  melhor preço de venda, o que dificulta entrar e sair desses ativos e muitas vezes inviabiliza a operação.

Além disso, é extremamente difícil fazer uma análise dos fundamentos dessas empresas, que normalmente possuem grande endividamento e pequeno patrimônio. Suas cotações podem subir ou cair 50% de uma hora para outra em razão de qualquer acontecimento novo, ou mesmo, por boatos ou por uma simples manipulação de preços, visto que não há necessidade de um grande capital para fazer isso.

Muitos investidores, cientes dos riscos, investem nos micos como se fosse um dinheiro de loteria, onde o que ocorrer será lucro, pois sabem que assim como o preço do ativo pode disparar, o mesmo pode virar pó de uma hora para outra. Outros oportunistas montam posições nestes ativos e, posteriormente, fazem posts em fóruns, redes sociais e chats, anunciando que a empresa está para ser comprada ou que é muito promissora, sendo assim um grande investimento. E assim que os desinformados começam a comprar o ativo e os preços disparam, eles entram na venda e o preço da ação despenca rapidamente. São golpistas que através de recomendações e influência geram demanda na massa desinformada para esses ativos de pouca liquidez.

Existe, contudo, um aspecto negativo à grande liquidez de mercado, ela pode induzir o investidor a realizar mais negociações do que deve, pois a qualquer momento ele pode entrar e sair de um determinado ativo. Um dos motivos porque investidores iniciantes perdem dinheiro ou não conseguem auferir ganhos significativos é a falta de visão de longo prazo. Buscam pequenos lucros em operações de curto prazo e acabam perdendo os grandes movimentos de preço de longo prazo.

Ao verem no home broker a cotação dos ativos piscando verde e vermelho, tomam decisões e fazem operações por emoção e impulso. O daytrade apesar de ser uma estratégia simples e, teoricamente, de menor risco, pois não se está posicionado no mercado o tempo todo, requer “estômago”, tempo e é muito difícil. Muitos investidores realizam daytrade, mas no longo prazo poucos têm sucesso e conseguem consolidar algum patrimônio.

“Se você precisa acompanhar o gráfico de preços a todo segundo, sua estratégia de investimento está errada”.

Warren Buffett