Aprender a Investir

Investir no mercado evoca a ganância por maiores ganhos e ao mesmo tempo o medo de perder o que se possui. São sentimentos que bloqueiam a percepção das oportunidades e  dos perigos, fazendo com que as pessoas tenham a tendência de reconhecer apenas o tipo de informação que confirme e reforce as suas opiniões sobre o mercado, muitas vezes negando informações que claramente poderiam indicar-lhes que a melhor oportunidade está exatamente na outra direção.

A maioria dos investidores possui um estilo de operar próprio. Tomam decisões embasadas por algum tipo específico de informação do mercado. Mas o que normalmente nós não percebemos, é que geralmente captamos do mercado as informações que têm a maior relevância para nós.

À medida que focamos cada vez mais a nossa atenção para um tipo determinado de informação, estamos sistematicamente excluindo outros tipos de informação que deixamos de lado. Focalizar nas informações que nos ajudam a tomar as melhores decisões é importante, mas geralmente quando as coisas não vão do jeito que gostaríamos, provavelmente existe alguma informação no mercado que mostre que estamos errados. Fugir desse tipo de informação pode ser um mecanismo inconsciente de proteção,  no intuito de evitar a dor e o fracasso.

Essa percepção distorcida acontece quando nossa maneira de raciocinar automaticamente distorce as informações do ambiente, moldando e excluindo seletivamente certas informações para compensar os conflitos entre aquilo que nos esperamos e aquilo que o ambiente nos está oferecendo.

Isso implica que de toda a informação disponível no mercado só seremos capazes de perceber aquelas que validem nossas crenças. Nosso orgulho e determinismo sistematicamente inibirão nossa capacidade de perceber no mercado informações que mostrem a existência de outras alternativas e possibilidades e, principalmente, que nos mostrem que estamos errados.

É importante entender essa relação negativa existente entre orgulho e percepção da realidade, buscando sempre corresponder nossas expectativas sobre o ambiente ao que está sendo desenvolvido no mercado.

Distorções de percepção se perpetuam até um ponto no qual a disparidade entre aquilo que se acredita e aquilo que o ambiente apresenta é tão grande, que as defesas mentais e as ilusões se partem de uma só vez. Isso geralmente cria um estado de choque, momento em que as pessoas se indagam como as coisas puderam ter se tornado tão ruins tão rapidamente e como não perceberam isso antes, enquanto ainda havia tempo.

“Se você entra numa festa e não sabe quem é o otário, certamente o otário é você”.

Expectativas não satisfeitas criam essa distorção entre a forma como achamos que as coisas deveriam ser e como elas realmente são. As pessoas geralmente evitam a dor instintivamente ao criarem defesas contra a realidade do ambiente para não aceitarem os seus erros. Essas defesas consistem em negações, racionalizações e justificativas – todos os elementos que resultarão na distorção de sua percepção da realidade.

Quando suas operações dão errado e perdem dinheiro, as pessoas tendem a culpar a outros, à má sorte ou a qualquer outra coisa. Sabotam-se agindo com imaturidade ao invés de agirem como adultos inteligentes e responsáveis aceitando a realidade como ela é.

Não se pode aprender quando se está negando os sinais que indicam seu atual estágio de desenvolvimento. Nem se pode adquirir habilidades e uma aprendizagem efetiva quando se tenta criá-las na base da ilusão sobre a natureza do ambiente e sobre si mesmo.

Podemos não ter a habilidade de controlar o mercado, mas podemos controlar nossa percepção sobre esse ambiente buscando atingir um maior grau de objetividade. Se você sofreu seguidas perdas, que o fizeram tomar consciência do mercado de maneira forçada, provavelmente também haverá sofrido danos psicológicos que resultam no medo e na insegurança.

O medo de perder dinheiro, de estar errado ou de desperdiçar uma boa oportunidade tem o potencial para causar sofrimentos emocionais como stress, ansiedade, confusão, desapontamento e a sensação de traição. Assim, condições emocionais dolorosas são basicamente o resultado de expectativas não satisfeitas.

Essas condições irão também limitar a sua capacidade de resposta em uma dada situação. Muitos investidores sofrem consideravelmente quando sabem exatamente o que fazer, mas quando se deparam com o momento da execução ficam totalmente imobilizados em razão de insegurança.

Desde cedo o ser humano é adestrado ao conceito de caro e de barato. Aprende que comprar caro é ruim e que comprar barato é bom. Contudo, no mercado essa natureza humana tende a fazer com que o investidor perca a oportunidade de investir em bons ativos, cujos preços estão em forte tendência de alta, por achar que estão caros e não acreditar que possam subir ainda mais. Da mesma forma que o induz a investir em ativos podres, cujos preços estão em forte tendência de baixa, por achar que estão baratos e não acreditar que possam cair ainda mais, devendo se recuperar em breve, o que na maioria das vezes acaba não acontecendo.

Antes de investir deve-se desenvolver autoconfiança, o que pode ser resumido em: saber o que fazer no momento em que precisa ser feito e fazê-lo sem hesitação. Qualquer hesitação criará dúvida e medo. Estar focado apenas nas informações que validem os seus medos pode fazer com que você deixe de olhar para informações que mostrariam boas oportunidades de investimento.

Sucesso, confiança e satisfação são sinônimos. Eles nascem um do outro e perpetuam um ciclo positivo de expansão e crescimento mental. Pelo mesmo prisma, desapontamento, insatisfação e deterioração também nutrem um ao outro para criarem um ciclo negativo de dor emocional, ansiedade e depressão.

Assim, o investidor deve agir da forma mais objetiva possível e com disciplina, focado naquilo que precisa aprender e fazer para alcançar seus objetivos. Quanto maior for o seu comprometimento mais facilmente você irá aprender.

Isso significa ter um plano, definir de antemão qual será o seu capital de renda variável, o que você pretende em termos de rentabilidade anual, em quais mercados irá investir e quais estratégias operacionais pretende utilizar, o que fazer para trazer as chances a seu favor, quais tipos de posições você vai querer assumir (comprado ou vendido), qual a porcentagem do seu capital que irá comprometer com cada operação, etc.

Da mesma forma, também significa saber o que fazer caso o seu plano não dê certo, respondendo da forma mais rápida possível, ou mesmo, antecipadamente, quando isso ocorrer. Para isso, deve-se saber como limitar o prejuízo caso algum imprevisto aconteça, definindo em que nível de preço reconhecerá que está errado e liquidará sua posição, qual o tamanho da posição que irá assumir, o que limitará seu prejuízo e a sua exposição ao risco, bem como o tipo de mercado e de ativos em que irá ou poderá operar.

Por último, significa saber quando encerrar uma operação vencedora. Muitos investidores passam a maior parte do tempo estudando o mercado e procurando pontos de entrada, deixando de lado a definição da meta de lucro, o ponto em que irá encerrar a operação. Assim, antes de abrir uma posição, defina duas saídas, o stop e o seu objetivo de lucro, quando alguma delas for atingida, liquide a operação.

Qualquer pessoa que pretenda investir em renda variável deve endereçar a essas questões para que obtenha sucesso no longo prazo. Entretanto, muitos seguem a lei do menor esforço e não realizam qualquer um desses planejamentos. Entram no mercado com atitudes irresponsáveis e incoerentes, abrindo posições “embasados” por dicas de amigos e gurus. Ficam torcendo para que suas operações deem certo, assim como fazem os jogadores nas corridas de cavalos e nos cassinos.

Pensando apenas no lucro, esquecem de pensar na possibilidade do prejuízo. E quando suas operações dão errado, aumentam o tamanho da posição fazendo preço médio para baixo. Já outros insistem em operar contra a tendência do mercado, pois não têm flexibilidade para mudar de opinião ou de estratégia, ou mesmo, para limitar seus prejuízos.

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisará temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo e nem a si mesmo, perderá todas as batalhas”.

Sun Tzu

Qualquer processo de aprendizado deve obedecer a pressupostos básicos, tais como o fato de que ainda não aprendemos tudo o que há para ser aprendido, que em algum momento aquilo que já sabemos pode vir a não ser mais útil e que aquilo que aprendemos e entendemos como sendo útil está sujeito a mudanças devido às condições mutáveis do mercado. Para atingir um objetivo é preciso decidir não resistir à aprender e à mudar, mantendo-se num constante estado de aprendizagem.

O investidor deve identificar o seu nível de conforto ao risco, reconhecer as técnicas e métodos que precisa aprender para progredir e focar no desenvolvimento dessas habilidades, ao invés de ficar focado apenas no dinheiro, o qual será meramente um produto das suas operações.

Além disso, deve ser capaz de executar uma operação assim que identifique uma boa oportunidade de investimento, aprendendo assim a interpretar as informações do mercado e a agir da maneira mais apropriada para se satisfazer. Caso contrário, irá se submeter às mesmas experiências ruins repetidamente até que perca todo seu capital e desista do mercado, ou até que tome consciência de que precisa mudar.

A maioria dos investidores no começo se depara com confusão mental, ansiedade, frustração e a dor do fracasso. Aqueles que conseguem passar por essa fase através do aprendizado persistem no mercado. Já os que não aprendem não acumulam grandes lucros ou são varridos para fora do mercado.

Pessoas que conseguiriam desenvolver seu lado psicológico o fizeram através da auto-reflexão e do reajustamento, algo que exige muito esforço e tempo. Não foram as estratégias ou as ferramentas de análise que essas pessoas mudaram, o que mudou foram elas mesmas.

Confiança e medo são condições emocionais muito similares na sua natureza, separadas apenas por grau. À medida que o nível de confiança de alguém sobe, dissipam-se as sensações de stress, ansiedade, confusão e medo proporcionalmente. A autoconfiança também aumenta conforme a pessoa desenvolve a capacidade de agir, fazendo aquilo que precisa ser feito, sem hesitação.

Assim, predefina o que será a perda para cada operação. Aceitar a inevitabilidade de uma perda é uma habilidade obrigatória para quem pretende investir em renda variável. Tornando o stop de uma posição perdedora uma ação automática no seu estilo de operar você estará psicologicamente e emocionalmente mais bem preparado para aproveitar a próxima oportunidade assim que ela surgir, mesmo que seja na mesma direção da operação que liquidou.

Deixe suas operação perdedora assim que você perceber que deram errado ou assim que seu limite de perda for atingido. Quando você não aciona o stop e o mercado piora para o seu lado, você entra num ciclo de remorso, frustração e descrença.

Muitas vezes, ao invés de “zerar” a posição quando o limite de prejuízo é atingido o investidor espera que o mercado dê uma “subidinha” para que então possa liquidá-la no zero a zero. Mas na maioria das vezes essa “subidinha” não acontece, cabendo ao investidor apenas a lamentação. Portanto, adaptar-se às mudanças ocorridas no mercado implica mudar a si mesmo à medida que se aprende mais sobre o que o mercado tem a oferecer.

“Aceite as pequenas perdas com um sorriso, como fatos da vida. Mas se seus investimentos andam mal, saia e parta para outra. Saber perder é uma das virtudes de um bom investidor”.

MercadoReal

Além de artigos retratando os principais fatores emocionais e psicológicos que influenciam o comportamento do mercado e do investidor o site MercadoReal disponibiliza também conteúdos que abrangem a análise técnica e fundamentalista para investimento no mercado de capitais, assim como as diversas estratégias de investimento em renda fixa e variável, tais como o mercado a termo, aluguel de ações, mercado futuro e de opções.

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