Fundos De Investimentos

Um fundo de investimento compreende uma comunhão de recursos, constituída sob a forma de condomínio, destinado à aplicação em títulos e valores mobiliários, bem como em quaisquer outros ativos disponíveis no mercado financeiro e de capitais. Os investidores são cotistas e centralizam a administração de seus recursos no gestor do fundo, que tem por objetivo aplicar o patrimônio do fundo, de forma a maximizar o retorno e minimizar o risco da carteira de ativos constituída.

Os fundos abertos são aqueles em que os cotistas podem solicitar o resgate de suas cotas a qualquer tempo. Nos fundos fechados as cotas somente são resgatadas ao término do prazo de duração do fundo. Neste caso, as cotas poderão ser negociadas em mercado secundário.

Os fundos de renda fixa são regulados pelo Banco Central, enquanto a CVM é responsável pela regulamentação dos fundos de ações. Isso porque para ser regulado pela CVM um fundo deve ter pelo menos 51% dos seus recursos aplicados em ações de empresas de capital aberto. Um fundo de investimento é classificado conforme as composições de seu patrimônio. As classificações “Renda Fixa”, “Ações” e “Cambial” são definidas a partir do principal fator de risco associado à carteira do fundo. Este nada mais é do um índice de inflação, a taxa de juros, um índice de ações ou o preço do ativo cuja variação produza, potencialmente, maiores efeitos sobre o valor de mercado da carteira do fundo.

Os fundos classificados como “Referenciado”, “Renda Fixa”, “Cambial”, “Dívida Externa” e “Multimercado” poderão ser adicionalmente classificados como “Longo Prazo” quando o prazo médio de sua carteira supere 365 dias e seja composta por títulos privados, públicos federais, pré-fixados ou indexados à taxa SELIC ou a outra taxa de juros, a índices de preço ou à variação cambial, ou, ainda, por operações compromissadas lastreadas nos títulos públicos federais.

“Jamais hesite em sair de um negócio se algo mais atraente aparecer à sua frente”.

Os fundos classificados como “Curto Prazo” deverão aplicar seus recursos exclusivamente em títulos públicos federais ou privados pré-fixados ou indexados à taxa SELIC ou a outra taxa de juros, ou títulos indexados a índices de preços, com prazo máximo a decorrer de 375 dias e prazo médio da carteira do fundo inferior a 60 dias, sendo permitida a utilização de derivativos somente para proteção da carteira e a realização de operações compromissadas lastreadas em títulos públicos federais.

Os Fundos podem ainda serem classificados como FIFs (Fundos de Investimento Financeiro) e FACs (Fundo de Aplicação em Cotas), sendo que os FIFs investem os recursos do fundo diretamente na compra de ativos financeiros, enquanto os FACs investem em cotas de outros fundos de investimentos.

Fundos Referenciados – Devem identificar em sua denominação o seu indicador de desempenho, em função da estrutura dos ativos financeiros integrantes das respectivas carteiras, desde que atendidas cumulativamente as seguintes condições:

I. Tenham 80%, no mínimo, de seu patrimônio líquido representado, isolada ou cumulativamente, por:
a. títulos de emissão do Tesouro Nacional e/ou do Banco Central do Brasil;
b. títulos e valores mobiliários de renda fixa cujo emissor esteja classificado na categoria baixo risco de crédito ou equivalente, com certificação por agência de classificação de risco localizada no País, tal como debentures;
II. Estipulem que 95%, no mínimo, da carteira seja composta por ativos financeiros de forma a acompanhar, direta ou indiretamente, a variação do indicador de desempenho (“benchmark”) escolhido;
III. Restrinjam a respectiva atuação nos mercados de derivativos a realização de operações com o objetivo de proteger posições detidas à vista, até o limite dessas.

Dentre os fundos referenciados podemos citar os Fundos DI, cujo retorno está atrelado à variação do CDI, sendo que a indexação é feita por meio de derivativos financeiros como swaps. Esses fundos têm um perfil bastante conservador e são recomendados em cenários de alta da taxa de juros.

Os fundos classificados como “Renda Fixa” deverão possuir, no mínimo, 80% da carteira em ativos relacionados diretamente, ou sintetizados via derivativos, ao fator de risco que dá nome à classe. Esses fundos devem aplicar no mínimo 51% de seu patrimônio em títulos de renda fixa (CDBs, debêntures, títulos públicos federais) e, portanto, podem ser pré ou pós-fixados.

No máximo 10% do patrimônio do fundo podem estar investidos em um único título emitido por uma mesma instituição ou sociedades a ela coligadas. Além disso, no máximo 20% dos recursos podem ser aplicados em papéis (vários títulos) de uma única instituição ou sociedades coligadas a ela.

Os principais fatores de risco da carteira de um fundo classificado como “Renda Fixa” deve ser a variação da taxa de juros doméstica ou do índice de inflação, ou ambos. Os fundos de renda fixa podem ser agrupados em três categorias: os Referenciados, os Não Referenciados e os Genéricos (mistos). Essa classificação surgiu para ajudar o investidor a distinguir as diferenças entre o perfil de risco dos títulos de renda fixa. Os fundos de cotas classificados como “Renda Fixa” podem investir, até o limite de 10% do patrimônio líquido, em cotas de fundo de investimento imobiliário, em fundos de investimento em direitos creditórios e em fundos de investimento em cotas de fundos de investimento em direitos creditórios desde que previsto em seus regulamentos.

Os fundos classificados como “Ações” deverão possuir, no mínimo, 67% da carteira em ações admitidas à negociação no mercado à vista de bolsa de valores ou entidade do mercado de balcão organizado. O principal fator de risco da carteira desses fundos deve ser a variação de preços das ações que o compõe.

Os fundos “Cambiais” deverão possuir, no mínimo, 80% da carteira em ativos relacionados diretamente, ou sintetizados via derivativos, ao fator de risco que dá nome à classe. Esses fundos são recomendados para pessoas que querem manter o valor do seu patrimônio constante em dólar, pois em geral aplicam seus recursos em títulos de renda fixa indexados ao dólar como, por exemplo, as export notes.

Esses fundos são recomendados para pessoas que têm dívidas em dólar ou que acreditam em um cenário de desvalorização do real. O principal fator de risco da carteira de um fundo classificado como “Cambial” deve ser a variação de preços de moeda estrangeira.

Os fundos de Dívida Externa devem aplicar no mínimo 80% de seu patrimônio líquido em títulos representativos da dívida externa de responsabilidade da União, sendo permitida a aplicação de até 20% do patrimônio líquido em outros títulos de créditos transacionados no mercado internacional.

Os fundos classificados como “Multimercado” devem possuir políticas de investimento que envolvam vários fatores de risco, sem o compromisso de concentração em nenhum fator em especial ou em fatores diferentes das demais classes previstas de fundos. O administrador e o gestor deverão acompanhar diariamente o enquadramento aos limites estabelecidos pelo Banco Central e ao fator de risco da carteira do fundo, de forma a manter a classe adotada no regulamento e a política de investimento do fundo.

Os fundos de cotas classificados como “Multimercado” podem investir, até o limite de 10% do patrimônio líquido, em cotas de fundo de investimento imobiliário, em fundos de investimento em direitos creditórios e em fundos de investimento em cotas de fundos de investimento em direitos creditórios desde que previsto em seus regulamentos. Podem também, desde que destinados exclusivamente a investidores qualificados, adquirir cotas de Fundos Mútuos de Investimento em Empresas Emergentes, Fundos de Investimento Imobiliário, Fundos de Investimento em Participações, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios e Fundos de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios nos limites previstos nos seus regulamentos e prospectos, se houver.

“Antes de arriscar seu dinheiro seguindo a opinião da maioria, pondere e avalie por si mesmo se a decisão é certa ou não”.

MercadoReal

É importante salientar que a criação de novos fundos pode se dar em função do momento econômico ou da capacidade de correr risco de determinados grupos de investidores. É assim que são criadas oportunidades de investimentos nos Fundos Derivativos, que tendem a investir de forma agressiva em mercados mais sofisticados como futuros, opções e swaps de forma a maximizar o retorno. Vale lembrar, que os Fundos Derivativos nem sempre tem como objetivo maximizar o retorno; em alguns casos os derivativos são usados apenas para fazer um hedge na carteira do fundo, nesses casos o risco da carteira acaba se reduzindo com o uso de derivativos. Dado o perfil de risco desses fundos, recomenda-se uma análise ainda mais detalhada do estatuto do fundo.

Por outro lado, os fundos buscam contemplar os perfis identificados, daí oferecerem fundos de natureza passiva, no qual se incluem os fundos cujas estratégias de administração da carteira tem perfil passivo, isto é, o gestor tenta replicar o retorno de um dos índices de ações, como por exemplo: Ibovespa, IBA, IEE, e os de natureza ativa, que têm como objetivo atingir uma rentabilidade superior ao de um indexador de referência, e por isso, têm uma estratégia de investimento mais agressiva, normalmente concentrando seus recursos em ações de determinadas empresas.

Muitos gestores consideram os fundos de índices como investimentos de rentabilidade medíocre em relação aos demais fundos. Entretanto, o que se percebe é que a grande maioria dos fundos de investimento considerados ativos apresenta no longo prazo rentabilidade inferior aos índices de mercado e, consequentemente, também inferior à rentabilidade dos fundos passivos. Isso se deve ao fato de poucos gestores conseguirem obter uma rentabilidade anual superior à média do mercado (índices) nos fundos ativos que administram.

É preciso deixar claro que fundos de índice não oferecem garantia alguma de retorno para seus investidores e não eliminam o risco, especialmente no curto prazo. Pois se os índices de mercado se desvalorizarem, a performance desses fundos sofrerá um efeito muito simular. Talvez a grande vantagem dos fundos de índice seja o fato de suas carteiras de ações oferecerem uma grande diversificação para o investidor à um custo operacional mais baixo do que o mesmo teria ao montar uma carteira semelhante. Dessa forma, são estratégias adequadas para se obter um retorno médio do mercado à um custo operacional mais baixo.

Vale salientar que além da taxa de administração, alguns gestores também cobram uma taxa pelo seu desempenho ou performance do fundo. A taxa é anual e cobrada sobre a parcela da rentabilidade do fundo que excede a variação de um índice pré-determinado (benchmark). O benchmark muda de acordo com o tipo de fundo. Os fundos de renda fixa normalmente adotam o CDI ou o IGP-M como comparativo, os fundos cambiais usam como benchmark o dólar e os fundos de renda variável costumam adotar o Ibovespa.

O imposto de renda cobrado possui alíquota de 22,5% regressiva para os fundos de renda fixa e de 15% para os fundos de renda variável; sendo que nos fundos de ações o imposto é cobrado apenas no resgate. Nos fundos de renda fixa existem duas formas básicas de cobrança, dependendo de haver ou não prazo de carência. Para os fundos sem prazo de carência, o imposto é cobrado no último dia útil de cada mês ou no resgate. Já para os Fundos com prazo de carência, a cobrança é feita apenas nos vencimentos da carência.

Os fundos de renda fixa com liquidez diária sofrem a incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de acordo com uma tabela regressiva até o 29º dia da aplicação, estando isentos a partir do 30º dia. O IOF incide sobre o ganho da aplicação.

Muitos investidores ao escolherem um fundo de investimento utilizam como critério de seleção apenas rentabilidade histórica do fundo. Buscam o que apresentou a maior rentabilidade nos últimos anos e investem seu dinheiro sem estudarem as suas regras e o que é mais importante, a sua composição. Um estudo feito no mercado de fundos de investimento americano utilizando essa estratégia mostrou que não existe qualquer correlação entre a rentabilidade passada de um fundo e sua rentabilidade futura. Mesmo aqueles que durante um curto período obtiveram uma rentabilidade superior aos índices de mercado, não a mantiveram no longo prazo, a maioria inclusive apresentou rentabilidade inferior.

Portanto, rentabilidade passada não é garantia alguma de rentabilidade futura, pois o passado não prediz o futuro. A única correlação encontrada foi que os fundos que cobram elevadas taxas de administração tendem a apresentar performances inferiores aos índices de mercado no longo prazo.

Caso decida investir num fundo, procure aquele que tenha uma política de investimento adequada ao seu perfil. Investir em um fundo apenas em razão da sua rentabilidade passada pode lhe trazer grandes arrependimentos. E por último, procure acompanhar os seus investimentos, consultando periodicamente a rentabilidade e comparando sua rentabilidade com as demais opções de investimento.

Avalie sempre os seus objetivos, os quais mudam ao longo do tempo dependendo da fase da vida em que você se encontra, bem como a sua tolerância ao risco. Defina o horizonte do seu investimento e organize seus recursos em aplicações de curto, médio e longo prazo. Não se assuste com pequenas correções de preço, investimentos de longo prazo tendem a trazer um maior retorno, pois neutralizam movimentos sazonais.

A política de investimentos de um fundo está relacionada aos objetivos e à forma como o gestor aplica os recursos disponíveis, o que implica diferentes graus de risco dependendo dos ativos escolhidos e da forma como o Fundo opera. Lembre-se de que um maior retorno normalmente está associado a um maior grau de risco.

A variável que mais contribui para rentabilidade do investimento em fundos é o desempenho do valor da cota, que está diretamente relacionado à composição da carteira do fundo de investimento e, conseqüentemente, à estratégia do gestor do fundo. Quando decide a alocação da carteira do fundo, o gestor tem como objetivo minimizar o risco da carteira através da diversificação dos ativos para um determinado objetivo de retorno. Por exemplo, se o objetivo de rentabilidade do fundo for CDI + 10% o gestor deve alocar a sua carteira de forma a identificar a composição de menor risco que possibilita esse retorno.

Em razão disso, antes de investir em um fundo é preciso avaliar a qualidade dos ativos e da sua administração, ou seja, se o gestor está seguindo a estratégia e atingindo os objetivos detalhados no estatuto do fundo. O foco não deve estar apenas na rentabilidade do fundo, pois uma estratégia mais agressiva pode levar a uma rentabilidade mais alta, mas os riscos associados também devem aumentar e, eventualmente, podem ocorrer períodos de “rentabilidade negativa”.

Alguns acreditam que os fundos de renda variável são os instrumentos certos para quem não tem perfil de investidor, que não quer estudar e aprender a investir por si mesmo, mas isso não é verdade. Apesar dos fundos de ações terem gestão terceirizada, ou seja, o investidor entrega seu patrimônio para um profissional gerenciar, não há garantia alguma que tal profissional obterá um desempenho melhor do que se o investidor estivesse investindo por si só, ou mesmo, será garantia alguma de rentabilidade. Alguns fundos de ações durante a crise de 2008 tiveram perdas de 80% em sua carteira, sendo que a maioria das ações não caiu mais do que 50% naquele ano. Portanto, está longe de ser verdade que a escolha de um bom fundo de investimento não requeira também um investimento de tempo, de investigação e de estudo.

“Acredito que o público em geral quer ser levado, instruído a fazer o que é mandado. Querem a ilusão da segurança. Por isso, sempre se moverão como as massas, buscando a segurança do rebanho. Terão medo de se impor e agir de forma independente porque a sua tendência natural é se proteger no rebanho, e não ser o bezerro afastado do grupo, o perigoso lobo que patrulha a planície da opinião contrária”.

Jesse Livermore

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