Títulos Públicos e Privados

A análise da rentabilidade de um título implica dimensionar em valores absolutos o fluxo dos rendimentos futuros oferecidos por cada título e compará-los. É avaliar a renda futura que o capital aplicado possa gerar, buscando sua maximização dentro do horizonte de tempo do investimento. Isso exige a comparação com as demais alternativas existentes no mercado para que a decisão tomada seja a mais interessante para o investidor.

Debêntures – São títulos privados de renda fixa ou variável emitidos por sociedades anônimas. São empréstimos contraídos pela empresa com os investidores a médio ou longo prazo para o financiamento dos seus negócios e garantidos pelo ativo da empresa. No caso de debêntures não conversíveis em ações, o empréstimo é liquidado financeiramente no prazo previsto. Quanto às debêntures conversíveis em ações, o investidor poderá optar pela conversão de seu valor em ações.

Todo o capital investido por uma empresa em seu patrimônio, seu ativo fixo, pode ser transformado em ativo líquido através do mercado de capitais. A empresa pode, com base no seu ativo fixo, emitir Debêntures no mercado, buscando assim recursos para aumentar o seu capital de giro. Estas obrigações emitidas passam a serem negociadas em mercado secundário, transformando-se em ativos de boa liquidez para seus proprietários. Desta forma, o capital fixo da empresa passa a ser representado por ativos financeiros, de razoável liquidez, e o dinheiro entra para a empresa por um prazo médio, longo, ou mesmo, indeterminado, dependendo da natureza do título emitido, aumentando o seu capital de giro e o volume de suas transações.

Para emitir uma debênture uma companhia deve escolher uma instituição financeira para estruturar e coordenar todo o processo de emissão. É essa instituição que fará o underwriting da debênture, ou seja, o seu lançamento no mercado primário. O investidor ao adquirir a debênture torna-se um debenturista, ou seja, um credor da companhia emitente, tendo seu investimento remunerado de acordo com as condições e os prazos definidos na escritura de emissão da debênture.

Uma debênture possui um rating de classificação, efetuado por uma empresa especializada independente (agência de rating), que reflete sua avaliação sobre o grau de risco envolvido em determinado instrumento de dívida. No caso de uma emissão de debêntures, a agência avalia a probabilidade da companhia emissora não honrar os compromissos financeiros assumidos na escritura de emissão (risco de default).

Na escritura de emissão de uma debênture estão descritas as condições sob as quais ela será emitida, tais como direitos conferidos pelos títulos, deveres da emissora, montante da emissão e quantidade de títulos, datas de emissão e vencimento, condições de amortização e remuneração, juros, prêmio etc. A data de resgate de cada título deve estar definida na escritura de emissão. A companhia pode ainda emitir títulos sem vencimento, também conhecidos como debêntures perpétuas.

É permitido a repactuação das condições de uma debênture para que a companhia adeque seus títulos periodicamente às condições vigentes no mercado. Na repactuação a emissora está obrigada a recomprar os títulos dos debenturistas que não aceitarem as novas condições propostas. Os debenturistas têm proteção legal por meio da escritura de emissão e do agente fiduciário.

O preço de mercado de uma debênture é calculado atualizando-se o preço de emissão do título conforme as condições descritas na escritura de emissão, podendo a rentabilidade do título ser fixa, variável, ou ainda, uma combinação de ambos, quando a rentabilidade fica vinculada a uma participação dos lucros da empresa ou à algum indicador econômico.

Tanto as debêntures não conversíveis como as conversíveis podem ser negociadas no mercado secundário a qualquer momento, o que garante o resgate antecipado do valor investido e a liquidez dos ativos. O fator de rentabilidade de uma debênture pode ter como base os coeficientes fixados para corrigir títulos públicos (Selic, IPCA), variação da taxa cambial ou outros referenciais, tal como o CDI.

É muito comum a combinação de uma taxa de juros prefixada acrescida da taxa anual algum indexador, IPCA, IGP-M, etc. De maneira geral, quanto maior for a percepção de risco de uma empresa, maior será a remuneração que suas debêntures pagarão ao investidor. Da mesma forma, as debêntures com prazos de resgate mais longos também oferecerão uma maior rentabilidade.

Assim, o valor nominal atualizado de uma debênture equivale ao seu preço de lançamento acrescido da rentabilidade do período apurado, a qual é definida pela taxa de juro que o título foi negociado no mercado no momento de seu lançamento (taxa de juro nominal).  Como exemplo, o preço de uma debênture indexada à taxa Selic sofrerá influencia direta caso haja variação dessa taxa.

Se a taxa de juros subir o seu valor no mercado secundário será inferior ao seu valor nominal. Se a taxa de juro cair o seu valor de negociação será maior que o nominal. Assim como nos títulos públicos, o investidor poderá então obter um retorno maior ou menor ao acordado no momento da compra, caso realize uma venda antecipada da debênture.

No Brasil as debêntures ainda não estão muito popularizadas entre os investidores pessoa física. Apesar de haver um grande volume de dinheiro captado pelas empresas de capital aberto através do lançamento de debêntures, a grande heterogeneidade desses títulos e seu baixo incentivo para o pequeno investidor fazem com que sejam majoritariamente adquiridos por investidores institucionais através de operações de larga escala, o que reduz o número de negociações no mercado secundário e, consequentemente, diminui sua liquidez. Outro fator que gera desinteresse por parte do pequeno investidor é a dificuldade em calcular os preços “justos” das debêntures, devido ao grande número de variáveis envolvidas.

A emissão de debêntures mais homogêneas, cujo retorno estivesse atrelado à taxa SELIC mais um bônus anual por exemplo, juntamente com a pulverização em pequenos lotes na sua emissão, possibilitaria o aumento da liquidez, aumentando assim a demanda por estes títulos entre investidores pessoa física. Portanto, sendo as debêntures ativos com menor liquidez em relação à ações, o investidor deverá ficar atento às condições de mercado quando desejar vender uma debênture antes de seu vencimento.

“Na vida as coisas são simples. São as pessoas que as complicam”.

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Títulos Públicos – São títulos emitidos pelos governos federal, estadual e municipal para se financiarem e cobrirem suas despesas. São chamados de títulos de dívida pública. Entre os principais títulos públicos federais estão as Notas do Tesouro Nacional, Letras do Tesouro Nacional e as Letras Financeiras do Tesouro. Um título do Tesouro é um título público emitido pelo Tesouro Nacional e constitui parte da dívida pública do país. Já o CDB e as Debêntures são títulos privados, ou seja, emitidos por instituições financeiras privadas.

Ao contrário do que muitos acreditam a maioria dos títulos públicos não são investimentos de renda fixa assim como a poupança e o CDI. O preço de cada título além de ser definido a mercado em função da maior ou menor demanda, sofre influência direta por variações dos indexadores, tais como mudanças na taxa básica de juros e outros índices como inflação (IPCA) e IGP-M. Quanto maior o prazo de vencimento de título, maior será influência dessas variações em seu preço.

No caso da venda antecipada do título pelo investidor, o Tesouro Nacional recompra o título com base em seu valor de mercado. Caso o investidor mantenha seu título até o vencimento, receberá a rentabilidade pactuada no momento da compra, independentemente das condições de mercado.

No momento da compra de um título público é cobrada uma taxa de negociação de 0,10% sobre o valor da operação. Há também uma taxa de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos referente à custódia dos mesmos e às informações e movimentações dos saldos, cobrada a cada semestre ou no encerramento/vencimento da posição. Essa taxa é cobrada proporcionalmente ao período em que o investidor mantiver o título a cada semestre ou no encerramento da posição, sendo calculada até o saldo de R$ 1.500.000,00 por conta de custódia.

Os agentes de custódia (corretoras) também cobram taxas de serviços livremente acordadas com os investidores. As taxas cobradas por instituição estão disponíveis para consulta no site do Tesouro Direto, devendo o investidor confirmá-las no momento da contratação. Algumas corretoras não cobram taxa de serviço sobre operações no Tesouro Direto, o que torna esse tipo de investimento muito atraente dado o baixo valor das taxas de administração em relação a investimentos em fundos de renda fixa. Dentre os principais aspectos dos títulos públicos estão:

Valor de Face ou Valor Nominal:  Representa o montante que o proprietário do titulo ira receber quando este vencer. No caso dos títulos prefixados (LTN e NTN-F) o valor de face é de R$ 1000,00. Já no caso dos pós-fixados indexados ao IPCA (NTN-B, NTN-B principal e NTN-C) ao IGP-M (NTN-C) e à taxa SELIC (LFT), o valor pago no momento da compra é atualizado por esses índices ao longo do tempo e no seu vencimento o investidor recebe o valor de mercado do título.

Valor de Mercado:  É o preço que o título está sendo negociado atualmente no mercado. Caso o investidor o venda antes do seu vencimento, será esse valor que receberá.

Data de Vencimento: É a data prevista para o pagamento do valor de face do título, momento em que o investimento está marcado para ser encerrado e o título deixará de existir. Contudo, nada impede que qualquer título seja vendido antecipadamente pelo preço de mercado. Os 6 dígitos que acompanham o código do título identificam sua data de vencimento. Ex NTN-F010117 – Nota do Tesouro Nacional série F com vencimento em 1º de janeiro de 2017. O vencimento ocorre automaticamente, sendo o valor de face/mercado depositado na conta do investidor com seu agente de custódia.

Cupom de Juros: Valor pago semestralmente referente aos juros dos títulos NTN-F, NTN-B e NTN-C. Funciona como uma receita periódica para o investidor, esse valor é pago sobre o valor de compra do título e a sua taxa é acordado no momento da compra. No caso de uma NTN-F 010117 com taxa de 10% a.a., o pagamento dos juros ocorrerá nos dias 1º de janeiro e 1º de julho de cada ano, 5% em cada período.

Os títulos prefixados NTN-F recebem um cupom fixo de juros semestral. Os títulos pós-fixados NTN-B recebem um cupom variável de juros semestral. Uma parte do juros da NTN-B se refere a taxa acordada no momento da compra (parte fixa) e a outra se refere ao resultado do indexador  no período (parte variável).

No caso dos demais títulos (LTN, LFT e NTN-B Principal) não ocorrem o pagamento semestral de juros. O valor pago pelo título no momento da compra é corrigido com o passar do tempo pelo seu indexador e pela taxa de juros acordada. No seu vencimento ou na venda antecipada  o investidor receberá o preço de mercado do título, tendo sido todo o seu rendimento embutido no seu preço. Vale ressaltar que nesses títulos a alíquota de IR incide apenas uma vez, no momento da venda ou no vencimento do título, sendo um diferencial vantajoso no longo prazo em relação aos títulos que pagam cupons semestrais.

“Se você não estiver gostando do andamento do mercado ou não tem nenhuma boa razão para comprar, nunca é tarde demais para vender e embolsar o dinheiro”.

Com relação à liquidez, o investidor pode comprar títulos públicos a qualquer dia. Porém, os títulos não possuem liquidez diária para a venda, a recompra dos títulos pelo Tesouro Nacional ocorre somente às quartas-feiras (e eventualmente também em quintas, quando há reunião do COPOM). Existem basicamente dois tipos de títulos públicos, os pós-fixados e os prefixados. Nos títulos prefixados toda a rentabilidade é definida no momento da compra, são eles:

LTN – Letra do Tesouro Nacional – Possui fluxo de pagamento simples, ou seja, o investidor faz a aplicação e recebe o valor de face (valor investido somado à rentabilidade) na data de vencimento do título. O valor de vencimento de uma LTN é de R$ 1000,00. Logo, um investidor que compre uma LTN em 01/01/2012 com vencimento em 01/01/2013 e com taxa de 10,10% ao ano por R$ 908,63, terá acumulado R$ 91,77 de juro até essa data de vencimento.

Apesar do preço desse título ser definido a mercado, dado seu menor prazo de vencimento em relação aos demais títulos, uma LTN sofre pouca influência das variações da taxa de juros. Os títulos de curto prazo apresentam maior estabilidade com relação à flutuação da taxa de juros, sendo o impacto de sua elevação ou de sua redução diluído por um prazo de vencimento muito pequeno.

Dessa maneira, o preço das LTNs tende a se valorizar diariamente com o passar do tempo, sendo o valor de vencimento (R$ 1000,00) garantido para quem mantiver o título até tal data. Dificilmente um investidor terá prejuízo caso faça uma venda antecipada de uma LTN. Abaixo temos um gráfico do preço de mercado de uma LTN com vencimento em janeiro de 2012. Seu preço de emissão foi de R$ 736,92 a uma taxa de 11,41% ao ano.

NTN-F – Notas do Tesouro Nacional – São títulos prefixados que possuem maiores prazos de vencimento em relação às LTNs. O pagamento dos juros ocorre semestralmente na conta do investidor e o valor de vencimento também é de R$ 1000,00. Ao longo do semestre o valor do título é acrescido dos juros, em janeiro e julho este valor é descontado do título e pago diretamente na conta do investidor em sua corretora.

Por exemplo, um investidor que comprou uma NTN-F em 01/01/2011 com vencimento em 01/01/2017 e com taxa de 12,13% ao ano por R$ 915,92, receberá o valor de R$ 1000,00 na data de vencimento. Além disso, a taxa de rentabilidade acordada será paga semestralmente durante esse período de 6 anos sob a forma de cupom semestral no valor de R$ 55,50 por semestre.

Em razão do seu prazo de vencimento ser mais longo, o preço de uma NTN-F sofre grande influência de mudanças na taxa de juros. Havendo corte na taxa de juros, o valor de mercado do título irá se valorizar e, havendo aumento, irá se desvalorizar. Para aqueles que pretendem garantir uma taxa fixa de juros e carregar esse título até seu vencimento essa variação no seu preço de mercado não será tão importante.

Entretanto, caso o investidor queira vender uma NTN antes de seu vencimento poderá ter prejuízo caso o preço de mercado no momento da venda estiver abaixo do preço em que comprou o título. Assim, para quem pretende vender o título antes do vencimento, o ideal é comprá-lo quando a taxa de juros estiver em viés de baixa, pois o potencial de aumento no preço de mercado do título será maior.

Por outro lado, a inflação afeta diretamente todos os títulos prefixados, pois seu aumento faz com que o retorno real do título diminua. Por exemplo, um título prefixado que paga uma taxa de 12% ao ano num cenário de inflação de 6%, terá uma rentabilidade nominal de 6%. Caso a inflação aumente para 8% ao ano, essa rentabilidade diminuirá para 4%.

Vale ressaltar que o preço de mercado de uma NTF pode ultrapassar o seu valor de face, situação em que será mais vantajoso para o investidor vendê-la quando próximo da data de vencimento, pois no vencimento receberá do Tesouro Nacional R$ 1.000,00 pelo título, independente de seu preço de mercado estar acima ou abaixo desse valor.

Abaixo temos o gráfico do preço de mercado de uma NTN-F com vencimento em janeiro de 2017. É possível observar a grande variação de seu preço de mercado em função das alterações na taxa de juros e do pagamento dos cupons semestrais de juros.

“O risco é uma escolha e não um destino”.

MercadoReal

De forma resumida, os títulos prefixados garantem uma rentabilidade fixa até seu vencimento, definida no momento da compra. Em razão disso, não protegem o investidor contra elevações da taxa de juros ou da inflação, sujeitando-o à perda de seu poder aquisitivo caso isso ocorra.

Por outro lado, num cenário econômico de corte de juros ou de queda da inflação, o investidor se protegerá melhor com títulos prefixados, pois terá travado a taxa de juros mais alta no momento da compra do título, garantindo uma rentabilidade maior no longo prazo.

Os títulos pós-fixados, por sua vez, possuem prazos de vencimento muito maiores do que os prefixados. Maiores prazos significam, portanto, maior sensibilidade às variações de preços provocadas por variações nas taxas de juro e na inflação. Essa maior sensibilidade se aplica tanto para aumentos como para reduções da taxa de juros e da inflação. 

Nesses títulos parte da rentabilidade é definida no momento da compra e outra fica vinculada a algum indicador. Atualmente eles são vinculados à variação da inflação anual (IPCA) ou do IGP-M, acrescida dos juros definidos no momento da compra, ou, vinculados à taxa Selic.

Assim, a rentabilidade nominal é incerta, pois depende da evolução do indexador, e no caso das NTN-Bs, os títulos ficam sujeitos à volatilidade no mercado secundário, em função das expectativas dos agentes financeiros com relação à inflação e à taxa Selic. Já as LFTs não sofrem com a variação do preço de mercado assim como ocorre com as NTN-F e mais ainda com as NTN-B, apenas a sua rentabilidade aumentará ou diminuirá de acordo com a variação na taxa de juros. Os títulos pós-fixados são:

NTN-B Principal – Notas do Tesouro Nacional – Série B – Principal – Assim como as LTN, possuem fluxo de pagamento simples. O investidor faz a aplicação e recebe o valor de face na data de vencimento do título (valor investido somado à rentabilidade acordada no momento da compra acrescida do IPCA anual). O pagamento é único e é feito na data de vencimento.

Por exemplo, um investidor que comprou uma NTN-B Principal em 13/12/2012 com vencimento em 15/05/2035 pactuou uma taxa de 4,19% ao ano, acrescida do IPCA anual durante o período.

NTN-B – Notas do Tesouro Nacional – Série B – Assim como as NTN-F, o pagamento do juro acordado acrescido do IPCA ocorre semestralmente na conta do investidor, o qual receberá o valor de mercado do título na data do vencimento.

Por exemplo, um investidor que comprou uma NTN-B em 13/12/2012 com vencimento em 15/05/2035 pactuou uma taxa de 3,93% ao ano, acrescida do IPCA anual durante o período. Semestralmente será pago o cupom de juros referente a taxa de 1,96%, acrescida do IPCA do último semestre.

A rentabilidade dos títulos indexados à inflação é composta por duas partes – uma variável e uma fixa. A parte fixa é o juro pactuado no momento da compra e a parte variável é o valor do IPCA anual. Diferente dos títulos prefixados, em que a variação na taxa de juros é o fator que mais influencia o preço de mercado dos títulos, nos títulos pós-fixados indexados à inflação, tanto a redução da taxa de juros como o aumento do IPCA fazem com que seu preço de mercado se valorize.

Ao contrário da NTN-B, a NTN-B principal não paga o juro + IPCA semestralmente, os quais são reinvestidos anualmente no próprio título, funcionando assim como um tipo de juros compostos, o que aumenta significativamente o retorno desse título no longo prazo. Isso porque o imposto de renda é pago de uma só vez sobre o total dos rendimentos, ao contrário dos títulos que pagam cupons semestrais, sobre os quais é descontada semestralmente a alíquota de IR, diminuindo a sua rentabilidade no longo prazo em relação aos títulos que não pagam cupom de juros.

No gráfico abaixo temos a evolução do preço de uma NTN-B principal com vencimento em 2035. Esse título obteve uma grande rentabilidade entre 2011 e meados de 2012 em função de um cenário de redução da taxa de juros e aumento da inflação.

NTN-C – Notas do Tesouro Nacional Notas do Tesouro Nacional – Série C – Segue as mesmas regras da NTN-B, mas é indexado ao IGP-M. O pagamento do juro acordado é acrescido da variação do IGP-M e ocorre semestralmente na conta do investidor, o qual receberá o valor de mercado do título na data do vencimento.

Em condições inflacionárias normais os títulos do Tesouro Direto indexados ao IPCA fornecem uma boa proteção contra a inflação, proporcionando assim uma rentabilidade real, ou seja, o seu rendimento supera o IPCA no final do período de vigência. Por essa razão, é bastante indicado para investidores que têm interesse na formação de poupança de longo prazo, pois garantem a rentabilidade real, ou seja, o valor investido será corrigido pela inflação do período. E conforme dito anteriormente, a inflação é o fator que causa a diminuição do poder aquisitivo ao longo do tempo.

Contudo, o fato é que na prática o cálculo dos índices de inflação, além de ser arbitrário e controverso, não corresponde à inflação dos bens que são consumidos ou adquiridos pelo investidor. Ainda que esteja de certa forma melhor protegido com títulos pós-fixados, mesmo assim o investidor não terá uma proteção plena do valor real investido.

“O pessimista reclama do vento, o otimista espera que este mude de direção, o realista ajusta as velas do barco”.

William Arthur Ward

LFT – Letras Financeiras do Tesouro – São títulos cuja rentabilidade é vinculada à taxa Selic. Sua remuneração é dada pelo acúmulo da taxa SELIC diária registrada entre a data da compra e a data de vencimento do título. O pagamento é realizado por fluxo simples, o investidor recebe o valor investido acrescido dos juros na data do vencimento ou da venda do título. Seu valor de mercado é corrigido de acordo com a taxa Selic ao longo do tempo.

Apenas no caso das LFTs o valor do título não flutua em razão da variação na  taxa de juros, apenas sua rentabilidade. Ou seja, seu preço de mercado é sempre crescente, incorporando dia a dia os juros calculados com base na taxa SELIC.

Assim, o investidor que comprou uma LFT a R$ 1.000,00 e a taxa SELIC no momento da compra estava em 12% ao ano, caso o valor da SELIC se mantiver estável, ele terá um título com preço aproximado de R$ 1.010,00 no mês seguinte, pois o título incorporou os juros pagos naquele período, havendo pouco risco de flutuação do valor de face do título.

Caso haja redução da taxa Selic, a rentabilidade de uma LFT irá diminuir e, caso haja aumento, irá aumentar. Entretanto, seu preço de mercado nunca irá diminuir, apenas a sua rentabilidade é que irá variar de acordo com a evolução da taxa Selic. São mais indicados para investidores com extrema aversão ao risco, ou seja, aqueles que possam vir a precisar do valor investido em algum momento em breve, pois com esses títulos o investidor terá baixíssimo risco de que o preço de venda seja inferior ao preço de compra.

As LFT’s são títulos indicados principalmente para cenários econômicos com tendência de aumento na taxa de juros e redução da inflação, situação em que os preços de mercado dos demais títulos pós-fixados, bem como dos pré-fixados, diminuirão em razão dos sucessivos aumentos da Selic. Além disso, a rentabilidade de uma LFT irá aumentar de acordo com os aumentos da Selic, diferentemente dos demais títulos, os quais além de estarem proporcionando taxas menores em relação às atuais, terão seus preços de mercado prejudicados.

Num horizonte de longo prazo (acima de 3 anos), nenhum investimento de renda fixa proporcionará uma rentabilidade maior do que LTNs ou LFTs, ou ainda, maior do que a rentabilidade de um título pós-fixado. Abaixo temos o gráfico do preço de mercado de uma LTF emitida em 13/11/2006 com vencimento em 7/3/2012, o preço de mercado se valoriza diariamente de acordo com a taxa Selic do período.

Mudanças na taxa de juros causam significativos impactos na economia em razão da Selic ser utilizada pelos participantes do mercado para descontar fluxos de caixa futuros e capitalizar o valor de bens e investimentos. Assim, o valor dos diferentes ativos nos diversos setores da economia é alterado devido a movimentos na taxa de juros. Conforme a taxa de juros aumenta, os agentes passarão a vender ativos para obterem fundos para quitar dívidas, derrubando os seus preços.

Decisões de distribuição de dividendos, de alocação de investimentos de renda fixa e de renda variável são diretamente influenciadas pela taxa de juros em diversos aspectos, mas provavelmente o pior efeito de uma diminuição na taxa de juros é o aumento nos preços dos bens de capital, em outras palavras inflação. A inflação é um dos maiores riscos aos investimentos e muitas vezes não é observada por aqueles que focam apenas nos resultados nominais dos seus investimentos.

Em suma, diante de um cenário econômico de redução da taxa de juros e aumento da inflação, os títulos pós-fixados apresentarão rentabilidades anuais bastante superiores em relação aos demais títulos e a investimentos de renda fixa, da mesma forma que os títulos prefixados também apresentarão, porém, em menor razão. E quanto maior for o prazo do título maiores serão os efeitos sobre o seu preço, principalmente quando o IPCA estiver muito próximo, ou ainda, superior à taxa SELIC. O efeito desse cenário econômico sobre o preço de mercado dos títulos públicos pode ser muito bem observado na tabela abaixo:

Contudo, diante de um cenário de aumento da taxa de juros e redução da inflação, os preços de mercado nos títulos prefixados, e mais ainda nos pós-fixados, irão diminuir consideravelmente, podendo até mesmo fazer com que apresentem rentabilidades negativa no ano dependendo de qual for o prazo do título. Ou seja, em razão desse cenário a depreciação no preço de mercado do título pode acabar sendo maior do que valor recebido através de juros. Neste outro cenário econômico, seriam as LFT’s que protegeriam melhor o investidor, pois sua rentabilidade varia de acordo com a evolução da taxa SELIC.

“O verdadeiro risco nos investimentos é aquele que está por vir. Aquele que ainda não conhecemos”.

MercadoReal

Riscos Associados à Compra de Títulos Públicos

Independente do tipo de investimento, seja ele de renda fixa ou de renda variável, ao analisar uma oportunidade deve-se ter ciência de que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O preço de mercado de um título oscila de acordo com sua oferta e procura, bem como em razão da expectativa do mercado em relação aos indexadores (IPCA, Taxa Selic e IGP-M) e à evolução dos mesmos. Dessa forma, o fato de um título ter apresentado um determinado desempenho no passado não é garantia de que apresentará o mesmo no futuro.

Títulos de longo prazo apresentam maior instabilidade no curto prazo porque flutuações mínimas na taxa de juros ou nos indexadores IPCA e IGP-M incidirão sobre todo o rendimento desses títulos no longo prazo. Por exemplo, no caso de uma redução da taxa de juros, os preços de mercado dos títulos de longo prazo terão uma valorização maior em relação à dos títulos de curto prazo. Da mesma forma, no caso de um aumento na taxa de juros, os mesmos irão perder mais valor de mercado em relação aos títulos de curto prazo.

Essa relação inversa entre a variação na taxa de juros e o preço de mercado dos títulos se deve em razão de que havendo uma redução na taxa, os títulos se valorizam porque garantiram uma rentabilidade maior que a atual no momento em que fora adquiridos. O contrário ocorre quando há aumento na taxa, pois quando foram adquiridos os títulos garantiram uma rentabilidade menor que a atual.

Um momento de valorização nos preços dos títulos pré-fixados e mais ainda nos pós-fixados, resultante de sucessivos cortes na taxa de juros, é extremamente favorável para aqueles investidores comprados numa taxa pré-fixada maior. Cada corte na taxa de juro eleva os preços dos títulos em carteira, com maior ênfase nos títulos pós-fixados de maior prazo.

Contudo, em algum momento as consequências inflacionárias da política econômica forçarão uma alta de juros, o que terá um efeito inverso nos preços de mercado dos títulos pré-fixados, e ainda mais nos pós-fixados, cujos prazos são maiores. Os preços que haviam subido expressivamente virão a cair rapidamente, uma vez que o Banco Central para reduzir os preços e elevar os juros terá que vender no mercado cada vez mais títulos, pagando taxas maiores. Nesse cenário, os mais afetados serão aqueles investidores com títulos de prazos mais longos, tanto pré-fixados como pós-fixados. Nesta situação as LFT’s, indexadas à taxa Selic, oferecerão a melhor proteção para os investidores.

A rentabilidade informada no momento da compra é garantida pelo Tesouro Nacional se o investidor permanecer com o título até o seu vencimento. Caso seja necessário vender o título antes do vencimento o Tesouro Nacional pagará o seu valor de mercado. Logo, a rentabilidade poderá ser maior ou menor do que a contratada na data da compra, dependendo do preço de mercado no momento da venda.

Assim como acontece com a cotação de ações, os preços de mercado dos títulos oscilam muito, especialmente nos títulos de longo prazo. Para os investidores mais conservadores, acostumados com a renda fixa e a assistir a valorização constante e diária do valor investido de acordo com a evolução da taxa de juros, é inevitável sentir desconforto e insegurança ao constatar variações tão grandes nos preços de mercado dos títulos públicos. Em razão disso, antes de escolher que tipo de título comprar, é fundamental definir o horizonte da aplicação e qual título oferecerá a melhor proteção para a atual realidade econômica.

Ao investir em títulos públicos ou debêntures o investidor deve compreender o ciclo econômico pelo qual o país está passando, de forma que possa definir qual tipo de título será mais apropriado para a compra de acordo com a tendência da taxa de juros e da inflação. Além disso, é fundamental definir também até que ponto este título deixará de ser vantajoso em razão de mudanças na tendência dos indicadores econômicos, de forma a evitar a reversão do ciclo econômico a qual prejudicará a rentabilidade do investimento. Planejar eventuais trocas dos títulos em carteira  torna-se extremamente importante não apenas para o aumento da rentabilidade do investimento, mas principalmente para a proteção do patrimônio acumulado.

Uma maneira de melhorar o perfil de retorno do investimento em títulos públicos é a compra mensal. Compras regulares aproximam o investimento em títulos aos juros compostos da renda fixa, além de amenizar o efeito da oscilação dos preços, fazendo o preço médio no título. Essa estratégia juntamente com o aumento do valor investido mensalmente potencializa ainda mais o retorno do investimento com o passar do tempo. Dessa forma, no longo prazo os títulos públicos apresentarão maior estabilidade, além de oferecerem uma rentabilidade maior do que o CDI e os demais investimentos de renda fixa.

Uma outra maneira de investir em títulos públicos é através de fundos de renda fixa. Esses fundos aplicam no mínimo 80% do seu patrimônio em títulos prefixados e podem utilizar derivativos como proteção. Não é admitido alavancagem e nem risco em moeda estrangeira ou em renda variável. São muito procurados por investidores com aversão ao risco e que procuram a segurança de um investimento pré-fixado.

Contudo, um importante fator a ser avaliado por quem investe em fundos de investimento e títulos públicos é o imposto de renda. Nos fundos de renda fixa o IR incide semestralmente, o chamado “come-cotas”, e no momento do saque (quando o investidor paga a diferença entre o IR total devido e o que já foi recolhido pelo come-cotas).

No longo prazo o efeito dessa “antecipação” de IR é relevante, pois diminui o montante total investido e, consequentemente, afeta a rentabilidade ao longo do tempo. Já no caso dos títulos públicos, o investidor paga o IR apenas quando recebe algum cupom de juros e quando resgata o título. Os títulos públicos não têm o come-cotas semestral como nos fundos de investimento.

Além disso, outra desvantagem dos fundos de renda fixa são as altas taxas de administração e de performance, que somadas a inflação do período, podem acabar com a rentabilidade de um investimento de renda fixa. E conforme dito anteriormente, esse é o grande risco da renda fixa, o rendimento real ser zero, ou mesmo, negativo, e o capital investido ser depreciado pela alta inflação.

“A maioria das pessoas não planeja falhar. Falha por não planejar.”