Gerenciamento do Capital e do Risco

Gerenciar o capital é avaliar a relação entre o risco e o retorno de um investimento, definindo o quanto essa relação é eficiente. A oportunidade de lucro é sempre balanceada pelo potencial de risco inerente em uma operação. Operar no mercado de capitais é fazer uma aposta numa mudança de preço num determinado ativo. Pode-se comprar com a intenção de vender mais caro ou vender com a intenção de comprar mais barato.

O fator mais utilizado para definir o risco de um investimento é a sua volatilidade, ou seja, o quanto que o seu preço de mercado oscila ao longo do tempo. Não importa se é para cima ou para baixo, o que se leva em consideração é a velocidade e o tamanho dos movimentos do preço. Ela mede o grau de incerteza com relação ao preço futuro de um ativo.

Todo investidor deseja sempre maximizar os seus ganhos. Neste sentido, é preciso considerar que todo investimento implica certa margem de risco. Seja o risco de perder parte, ou mesmo, todo o capital aplicado, ou o risco de não obter o rendimento esperado. Nenhum investidor inteligente pode ser dar ao luxo de ignorar os riscos e a possibilidade de que esteja errado, pois as circunstâncias podem mudar no futuro.

Assim, a taxa de retorno de um investimento com risco deve ser comparada com aquela que pode ser obtida nas alternativas de investimentos com risco mínimo. Isso irá determinar se a rentabilidade oferecida compensou, ou compensará, o risco assumido. É importante deixar claro que o risco é um fenômeno normal, o qual deve ser encarado com racionalidade e que exige uma remuneração para justificar assumi-lo.

“As cinco palavras mais caras da língua portuguesa são: Dessa vez vai ser diferente!”.

Quando se está num ambiente que cria situações de risco, onde qualquer resposta tem o potencial para gerar algum dano colateral ou direto, é fundamental definir limitações e regras para guiar seu comportamento, o que permitirá que sobreviva à tais perigos. Sendo assim, existem inúmeros modelos matemáticos que servem para balancear o capital do investidor dentre diferentes investimentos, da renda fixa à variável. Servem também para quantificar o tamanho da posição ideal, ou seja, a quantidade de dinheiro que deve ser empregado numa operação de acordo com o risco ao qual se está disposto a correr e de acordo com o histórico de ganhos e perdas do investidor, presando o crescimento geométrico de seu patrimônio.

Contudo, não existe um modelo único de alocação ativos que possa servir indistintamente a todos os investidores em razão de inúmeros fatores, tais como diferenças de perfil de risco, de volume de capital, de nível de conhecimento do mercado, entre outros. E da mesma forma, também não existe uma fórmula perfeita e que funcione sempre, otimizando os melhores resultados, sendo assim, um processo subjetivo desenvolvido por cada investidor ao longo dos anos. Entretanto, posicionamentos extremos devem ser evitados ao máximo no intuito de preservar o patrimônio consolidado, e ao mesmo tempo, garantir uma rentabilidade que seja significante.

Assim, operações com extrema alavancagem devem ser controladas, ou mesmo, evitadas, de forma que o investidor não fique constantemente exposto ao risco de auferir enormes prejuízos. Por outro lado, operações com valores muito baixos, cujos resultados apesar de positivos produzam lucros ínfimos ou insignificantes, também devem ser evitadas, pois no longo prazo o investidor terá prejuízo em razão da depreciação causada pela inflação e pelos custos operacionais sobre o seu patrimônio, sem contar o tempo que fora perdido, commoditie mais cara do mundo.

Mesmo aqueles investidores veteranos, os quais acreditam estarem em posse de um conhecimento suficiente para lidar com os riscos, sofrem, no entanto, em maior ou menor grau, perdas significativas devido ao surgimento de riscos que antes lhes eram desconhecidos, ou mesmo, que eram considerados por eles como improváveis. A incerteza faz parte da natureza do mercado e apesar de todos os mecanismos de análise e proteção contra o risco, dificilmente ficaremos imunes a eventuais acontecimentos extremos (cisnes negros).

A percepção do risco torna-se então fundamental no estabelecimento dos limites e dos objetivos para as suas operações no mercado. A volatilidade do mercado é capaz de arruinar ou de enriquecer. Falências e fortunas surgem da exposição ao risco. A maior dificuldade da gestão do risco é tomar decisões considerando apenas seus dois extremos: proteção total ou exposição desmedida. A boa gestão privilegia a abordagem do risco em seus diferentes graus e não em seus extremos, mantendo um equilíbrio adequado para a elaboração de um plano de contingência.

Exposto isso, ações que diminuam os riscos ou que controlem parte destes, juntamente à estratégias que aumentem a rentabilidade, através da otimização dos investimentos e de seus retornos, são fundamentais para garantir o crescimento do patrimônio do investidor no longo prazo. Este por sua vez, deve dimensionar o tamanho de suas posições de acordo com os resultados de suas operações.

À medida que mostrarem lucro e o seu patrimônio crescer, o investidor poderá gradualmente aumentar o volume de dinheiro empregado em cada operação. Obviamente, à medida que suas operações mostrarem mais prejuízos do que lucros deverá diminuir os seus tamanhos proporcionalmente, de forma que o recuo no seu saldo causado por prejuízos seja cada vez menor.

Torna-se ímpar que todo esse processo de tomada de decisão e de reação seja feito com rapidez, de forma que o efeito da volatilidade prejudicial à posição assumida no mercado seja limitado. Assim, definir o timing de entrada e de saída é essencial para o gerenciamento do risco. Ou seja, saber quando abrir uma posição comprada, quando abrir uma vendida e quando ficar fora do mercado (líquido). Dessa maneira o investidor estará aproveitando os benefícios da realocação, o que acaba ajudando-o não só a proteger seu patrimônio, mas também a melhorar os resultados de seus investimentos no longo prazo.

Todo investidor deve utilizar um método de análise que lhe indique qual a direção mais provável que o mercado irá seguir, para então definir o timing de entrada, quando implementará uma estratégia operacional que lhe possibilite operar de acordo com a tendência do mercado e que proteja seu capital. Deve ser realista sobre as chances e as consequências de sua exposição ao risco e tirar proveito disso, tornando-o um aliado e não um adversário.

Assim, além do processo analítico, são da maior importância dentro de um plano operacional uma análise psicológica e emocional, uma estratégia de operação e um gerenciamento de recursos bastante coerente. Este último é o mais importante, o mais fácil de ser aprendido e o mais difícil de ser executado.

É considerado o mais difícil porque em alguma ocasião todos nós já colocamos todos os nossos recursos numa só oportunidade, precisamente no tempo certo e realizamos um lucro espetacular. Quando isto acontece, são duas as conseqüências imediatas: a primeira é a confiança de que isto poderá se repetir ao menos mais uma vez; a segunda é que o lucro foi feito tão rapidamente, que normalmente não é considerado com a mesma seriedade com a qual seria se este fosse construído a partir de anos de trabalho duro. Por isso, a diversificação dentre diferentes categorias de investimentos, os quais apresentem baixa correlação, torna-se essencial para a consolidação de patrimônio no longo prazo e para minimização dos riscos.

“Alguns gostam de procurar, outros gostam de encontrar, mas poucos percebem que já o tem”.

Ed. Seykota

A melhor maneira de se atingir um determinado objetivo é, antes de colocar qualquer estratégia em ação, identificar os passos verdadeiramente necessários para a obtenção dos resultados desejados. É dessa maneira que agem as empresas de sucesso e assim agiram os generais vitoriosos nas batalhas da história. Todo investidor busca otimizar três aspectos básicos em um investimento, retorno, prazo e risco.

O objetivo do controle do risco é definir o quanto de risco o investidor pode tolerar. Assim, o risco de uma operação deve ser predeterminado. Consiste em um prejuízo aceitável para o investidor, caso o mercado se mova contra sua posição. Este risco pode ser limitado pelo uso de stops. A grande vantagem da ordem stop está na execução rápida e automática de sua estratégia operacional predefinida, sem que você seja influenciado por suas emoções ou  por novas situações e acontecimentos posteriores à sua análise.

Investidores disciplinados colocam stops assim que abrem uma posição no mercado, ajustam o valor do stop apenas quando têm lucro e sempre no sentido deste. Quando comprado o investidor pode subir o gatilho do stop, mas nunca abaixá-lo. Quando vendido pode abaixar o gatilho, mas nunca subi-lo.

Toda vez que se abre uma posição comprada ou vendida e se coloca uma ordem stop, utiliza-se gerenciamento de risco. Mesmo estando posicionado com todo o capital num determinado ativo, apenas um percentual deste estará em risco. Caso a perda máxima aceitável seja de 5%, o valor da ordem stop será 5% abaixo do preço de compra, ou, se caso vendido, 5% acima do preço de venda.

Ganhar ou perder na próxima operação não o definirá como um investidor de sucesso ou como um fracassado. O sucesso é fruto de muito trabalho, dedicação, perseverança e planejamento, e se dá a médio e longo prazo. Essa simples regra é essencial para a prosperidade no mercado de capitais, poucos investidores têm disciplina para obedecer-lha.

“Se você não suporta ter prejuízos, não entre no mercado financeiro”.

Parte do risco de investimentos em ações e títulos públicos depende do tempo em que tais investimentos são mantidos. Uma parte substancial desse risco pode ser eliminada adotando-se uma estratégia de buy & hold durante longos períodos de tempo, juntamente com a prática de re-investimentos regulares de dividendos e de juros, bem como de remuneração de carteira (aluguel de ações, venda de mini índice, etc).

Com o passar dos anos a quantidade de ativos em carteira vai aumentando, assim como a capacidade de re-investimento, o que faz aumentar cada vez mais o potencial de rentabilidade da carteira. E a partir do momento em que seus investimentos de renda variável mostrarem lucros significantes, o investidor deverá realizar parte deste, o qual será destinado para investimentos de renda fixa ou mais conservadores, tais como imóveis.

Além de consolidar seu patrimônio, o investidor estará fazendo uma reserva de caixa, a qual poderá ser utilizada quando boas oportunidades em renda variável surgirem. Esse tipo de re-alocação está condicionado aos movimentos de preços e, portanto, se aproveita das fases de euforia e depressão para obter melhores resultados no longo prazo.

Ao ponderar sobre todos estes aspectos é preciso ter consciência de que em diferentes fases da vida temos diferentes perfis de tolerância ao risco. Pessoas jovens possuem maior capacidade de tolerância ao risco, pois de maneira geral têm maior expectativa de vida e mais tempo de trabalho à frente delas. Assim, podem destinar uma maior parte de seu capital para investimentos em ações do que pessoas mais idosas, pois possuem mais tempo para trabalhar, para produzir mais dinheiro e para aguardar que seus investimentos maturem.

Nas diferentes fase da vida, bem como diante de diferentes condições financeiras, os objetivos de lucro e a tolerância ao risco deverão se adaptar à essas mudanças, tornando-se dinâmicos em relação às circunstâncias. A capacidade para o trabalho é o principal motivo pelo qual à medida que as pessoas envelhecem elas devem se tornar cada vez mais conservadoras em relação aos seus investimentos.

Além de terem menos tempo de trabalho à diante delas, são pessoas que necessitam de mais dinheiro para manterem seus padrões de vida, e que portanto, não podem se dar ao luxo de ficar com grande parte de seu capital preso em investimentos em ações num momento em que o mercado está em baixa. Em razão disso, com o passar do tempo os imóveis e os títulos públicos devem representar cada vez uma parcela maior de seu capital. Já os investimentos em ações devem representar cada vez uma parcela menor.

Não se recomenda investir mais que 50% do total do seu patrimônio em renda variável. E no intuito de minimizar os riscos e o prejuízo, caso determinada operação dê errado, o montante investido deve estar diversificado em alguns poucos ativos de diferentes setores, não mais que 4 ou 5 ativos que possuam baixa correlação, ou mesmo, em diferentes mercados. A rentabilidade é sempre diretamente relacionada ao risco. Ao investidor cabe definir o nível de risco que está disposto a correr em função de obter um maior ou menor retorno.

“Para se investir bem é preciso apenas escolher ações de boas empresas, comprá-las em bons momentos e mantê-las enquanto essas empresas permanecerem boas”.

Warren Buffett

Muitos investidores acabam preferindo fundos de investimentos, em especial fundos de índice, pois lhes permitem investir em uma vasta gama de empresas de grande porte (blue chips), e que segundo os analistas, possuem excelente perspectiva de longo prazo. Seguindo essa ilusão de diversificação, auferem um rendimento médio do desempenho dessas empresas, muito inferior ao desempenho isolado das melhores desse grupo, isso sem levar em conta as altas taxas de administração cobradas.

Apesar da diversificação de investimentos ser importante para a redução ou controle do risco, a realocação de ativos será fundamental para otimizar a rentabilidade e consolidar o patrimônio. Assim, de acordo com o desempenho dos ativos que compõem um portfólio de investimentos, a alocação de um determinado ativo deverá ser reduzida caso sua variação de preço tenha ficado aquém da variação média do restante dos ativos, ou aumentada, caso a sua variação de preço tenha sido superior à média. 

Ou seja, investimentos que apresentaram no passado melhores desempenhos terão maior peso na carteira, e os que apresentaram resultados piores terão um peso menor, ou mesmo, nenhum, pois em alguns casos eles deverão ser liquidados, de forma que o capital possa ser melhor alocado, o que possibilitará um melhor retorno no longo prazo.

Os critérios da re-alocação do portfólio cabem ao próprio investidor definir, seja através da análise de indicadores técnicos, fundamentalistas, macroeconômicos ou qualquer outra ferramenta que embase seu processo de tomada de decisão, ou ainda, periodicamente através da realização do lucro e da sua imobilização em patrimônio.

Entretanto, realocações exageradas serão tão ineficientes quanto a não realocação, ou mesmo, piores, pois além de aumentarem o risco de se investir em ativos de baixo desempenho, operações de curto prazo tendem a produzir lucros pequenos, não permitindo que posições vencedoras cresçam, consequentemente fazendo com que o investidor perca o foco de longo prazo, sem contar os maiores gastos com taxas e impostos, o que irá onerar ainda mais o seu capital.

Mas ao contrário do que a maioria pensa, diversificar investimentos em renda variável não protege seu capital contra perdas e não garante rentabilidade futura. Em alguns casos, um pouco de diversificação pode ajudar a diminuir parte do risco, mas jamais por completo. A verdade é que fazendo isso, o investidor estará fazendo um preço médio da rentabilidade de sua carteira de investimentos. Ou seja, dos rendimentos das operações que derem lucro serão descontadas as perdas das que derem prejuízo.

Diversificar uma carteira com ações de baixa qualidade é como colocar um tomate podre que estragará os tomates bons da cesta. Uma estratégia medíocre, normalmente utilizada por iniciantes inseguros ou por aqueles que não querem estudar os fundamentos das empresas e analisar o mercado, e que acabam atirando para todos os lados na tentativa de acertar um bom investimento. O certo a se fazer é selecionar poucos e bons ativos, que tenha baixa correlação, ou seja, sejam de setores bem diferentes, mantendo as operações que derem lucro e liquidando as que derem prejuízo, evitando assim que os prejuízos aumentem e matem todo seu lucro.

“Ampla diversificação apenas é necessária quando investidores não entendem o que estão fazendo”.

Warren Buffett

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