Renda Fixa ou Renda Variável, Onde Investir?

Todas as pessoas devem obrigatoriamente possuir um mínimo de organização e educação financeira para prosperarem em suas vidas e consolidarem seus patrimônios. A educação é o melhor, se não, o único caminho para a redução da desigualdade social no Brasil. Se todos os brasileiros tiverem acesso à educação de forma semelhante terão um futuro com igualdade de oportunidades, e assim, poderão construir uma sociedade menos desigual.

Estudos estatísticos mostram que existe uma forte correlação entre educação e nível de renda. A busca por educação lhe auxiliará no desenvolvimento de suas habilidades financeiras. Você deve investir com inteligência os rendimentos de seu trabalho, equilibrar seus gastos com um eficaz controle de orçamento, desenvolver uma cultura de poupança e dedicar tempo para aprender a investir bem o seu dinheiro e para descobrir novas oportunidades.

Esteja ciente de que o tempo é o seu maior inimigo. Quando estiver numa idade mais avançada você terá uma menor capacidade para trabalhar. A partir dos 50 anos, poucos de nós conseguirão trabalhar no mesmo ritmo de quando tínhamos 20 anos. É exatamente por isso que é a partir dos vinte que devemos começar a nos preparar para o horizonte dos cinqüenta, ao invés de perpetuar a “curtição” dos vinte até os cinqüenta, fase em que iremos precisar de uma boa reserva de capital para vivermos bem.

Qualquer indivíduo bem informado sabe que o sistema previdenciário brasileiro é um esquema em pirâmide, o qual é fadado à falência no longo prazo. A previdência brasileira é estruturada de tal forma que os trabalhadores de hoje pagam os benefícios dos aposentados de hoje, na mera expectativa de que os trabalhadores de amanhã lhes repaguem quando se aposentarem. Entretanto, em razão da população brasileira estar parando de crescer, no futuro teremos cada vez menos trabalhadores para sustentar uma quantidade cada vez maior de aposentados e pensionistas.

Para os jovens poupar é acima de tudo a renúncia ao prazer de consumir, de gastar, e para muitos é a renúncia de viver a vida. Não há bom senso em nossa sociedade de consumo, desejar significa precisar. Não é raro conhecermos pessoas que ganham muito bem e que estão sempre endividadas, e após anos e anos, não conseguem acumular patrimônio algum. Por outro lado, há muitas pessoas que ganham pouco, mas que são poupadoras e, com muito esforço, conseguem acumular um bom patrimônio com o passar dos anos.

“Toda escolha é uma renúncia, todo crime uma sentença”.

Grande parte das pessoas só percebe as oportunidades que desperdiçaram quando já estão velhas. Após terem trabalhado longos anos, chegam à conclusão de que acumularam um pequeno patrimônio. Na maioria das vezes porque não souberam como poupar e como colocar o dinheiro para trabalhar para elas, ou seja, perderam a oportunidade de usufruir dos rendimentos dos juros, aluguéis e dos retornos de bons investimentos. O maior desafio de nossas vidas é termos recursos suficientes para nos mantermos com dignidade durante a velhice.

Em países totalmente desenvolvidos poupar é um hábito arraigado na população. As oportunidades de investimento se multiplicam de forma espontânea em suas economias a partir do desejo de poupar da população. E esse processo é constantemente realimentado pelos intermediários financeiros, os quais buscam novas oportunidades de investimento, inclusive no exterior. Assim, nem mesmo as fronteiras representam obstáculos para a vontade de poupar e de investir.

Já em países que ainda não se desenvolveram completamente, o habito de poupar não progride, os estímulos são escassos e as oportunidades são mínimas. O que se percebe com o passar dos anos é a concentração da riqueza e a divisão da pobreza. Por isso, assim como a educação, é fundamental difundir no Brasil uma cultura de poupança de longo prazo e de investimento.

Poupar é um comportamento importante para qualquer indivíduo, sendo fundamental para que um país se livre da pobreza. E além disso, é essencial tanto para este indivíduo como para toda a economia de um país também saber como investir de forma eficiente os recursos poupados.

A grande incoerência é que as pessoas trabalham em média 8 horas por dia (com sorte) mas não conseguem dedicar 15 minutos para acompanhar os investimentos dos resultados deste trabalho e estudar novas oportunidades. Investimentos que eventualmente poderiam lhes render mais do que o seu salário por mês.

Por isso, mantenha-se sempre informado quanto aos rendimentos e riscos de seus investimentos. A única maneira de se aprender a investir de forma eficiente é prestando contas para si mesmo. Além de gerar responsabilidade, tal disciplina lhe dará embasamento para avaliar o resultado e definir o momento certo para encerrar um investimento.

As pessoas se sentem seguras quando sabem o que vai acontecer. Segurança quer dizer ausência de excitação, de riscos, de desafio. Para aquela pessoa que tem a necessidade de se sentir em total controle de sua vida, de seu trabalho, de sua casa e, principalmente, de seu dinheiro, não se recomenda qualquer investimento de renda variável. Você deve se perguntar se tem estômago para expor seu dinheiro ao risco e às oscilações de preço, e ainda, a não saber o montante que irá receber ao final do investimento.

Se você for uma daquelas pessoas o mais recomendável é investir seu dinheiro em fundos de DI ou CDB, ou mesmo, em caderneta de poupança. Investimentos em imóveis e títulos públicos, ao contrário do que muita gente pensa, também são investimentos de renda variável, porém, cujos riscos de uma maneira geral são bem menores se comparados à investimentos no mercado de capitais. Em relação à renda fixa, o que difere os diferentes tipos de investimentos é basicamente a relação entre risco, rentabilidade e liquidez.

Investimentos de renda fixa possuem baixíssimo risco e, consequentemente, também possuem o menor potencial de rentabilidade. Em comparação, os investimentos de renda variável possuem um maior potencial de rentabilidade, caso deem certo, ao custo de uma maior exposição ao risco de darem errado. Rentabilidade e risco caminham justos por serem diretamente proporcionais, ou seja, quanto maior a rentabilidade, maior deve ser o risco do investimento e vice-versa. É fundamental sempre conhecer o risco de seus investimentos e saber se este perfil de risco é adequado às suas características pessoais e às suas possibilidades financeiras.

“Todas as oportunidades que o mercado oferece acompanham riscos”

A liquidez por sua vez é a facilidade com que um investimento pode ser convertido em dinheiro. É uma referência ao prazo e ao custo que um investimento transforma-se em dinheiro. A liquidez é o que torna a especulação possível, já que permite que o investidor abra ou encerre uma posição a qualquer instante e próximo ao preço de mercado, pois não faltam compradores e vendedores.

É importante compreender também a relação entre o resultado esperado e o esforço aplicado. Pessoas que não tem tempo para dedicar a seus investimentos, ou seja, que não podem aplicar grandes esforços para eles, não podem esperar grandes resultados. Logo, investimentos de renda fixa e títulos públicos são mais indicados, pois para se obter lucros consistentes investindo em renda variável de forma responsável é preciso estudar e acompanhar o mercado com frequência, mesmo que apenas por alguns minutos todos os dias.

O que queremos deixar claro é: Você deve refletir se o resultado que você espera vale o esforço que você terá que fazer. Seus objetivos devem se enquadrar à sua realidade. Querer atingir um objetivo é uma coisa, poder atingi-lo é outra. A maioria das pessoas dedica mais tempo para escolher um sapato ou uma roupa do que para estudar e compreender os termos dos seguros, planos de saúde e dos investimentos que realizam.

Possuir um plano de investimento nada mais é do que realizar um esforço consciente e ordenado para aplicar o seu dinheiro. Significa pensar no melhor modo de alocar as suas poupanças em investimentos que estejam de acordo com o seu perfil de risco e com a sua disponibilidade de tempo. Você deverá acompanhar os resultados e diversificar seus investimentos, buscando atender a objetivos de renda e de crescimento de patrimônio que respondam aos seus anseios pessoais. Com o decorrer do tempo, a participação nos seus investimentos dos aportes extraídos de seu salário irá gradualmente diminuir em face do gradual aumento do trabalho dos juros compostos, bem como do potencial de retorno de seus investimentos.

Portanto, você deve definir qual o resultado que você quer, ou seja, qual rentabilidade anual você almeja. Se esta for de 10% ao ano (pequeno resultado), não há porque aplicar um grande esforço (estudar, acompanhar, etc), logo, fique com a renda fixa, títulos públicos ou debêntures. Mas se seu objetivo for uma rentabilidade superior a 10% ao ano, você terá que aplicar um esforça maior, destinando parte de seu capital para a renda variável. Isso significa que você terá de estudar e acompanhar o mercado, dedicando tempo para seu dinheiro. É preciso refletir se o preço que você terá que pagar compensará o resultado almejado, ou seja, uma rentabilidade maior que 10% ao ano.

“O juro composto é a maior invenção da humanidade, pois permite uma confiável e sistemática acumulação de riqueza”.

Albert Einstein

Tendo definido o seu objetivo de rentabilidade você poderá decidir segundo as suas possibilidades se investimentos de renda variável são ou não interessantes para você. Nos mercados de ações e futuros o risco é enorme, já que além da volatilidade, o que causa grandes oscilações de preço, se lida com o imponderável. A qualquer momento os preços podem tomar um rumo contrário em função da atuação de investidores institucionais ou em razão de acontecimentos novos.

Mas por outro lado, o mercado de renda variável oferece a possibilidade de ganhos maiores do que as demais alternativas de investimento, ao custo de uma maior exposição ao risco. Os melhores fundos de investimento do mundo têm uma rentabilidade média de 20% a 30% ao ano. Bons investidores conseguem manter uma rentabilidade média anual entre 30% e 50%. Ter como objetivo uma rentabilidade maior do que essa, principalmente se você estiver iniciando nessa atividade, é uma ilusão perigosa que pode levá-lo a perder grande parte do seu capital, ou mesmo, acabar devendo dinheiro.

Em renda variável jamais se deve investir mais do que se pode perder. Uma pessoa que precisará do seu capital para pagar contas ou empréstimos no curto prazo não pode assumir riscos, pois todo o capital e a sua rentabilidade estão comprometidos. Sendo assim, não pode fazer qualquer tipo de investimento de renda variável.

Caso coloque seu capital em risco, não poderá se dar ao luxo de perder, pois seu futuro estará à mercê do mercado. Seu nível de estresse será consideravelmente alto, o que fará com que perca toda a objetividade, tendendo a agir de maneira irracional e prejudicial ao seu próprio interesse. As decisões se tornarão emocionais, em razão de serem influenciadas pela obrigação de se ter que ganhar porque é preciso, bem como pelas dolorosas conseqüências psicológicas causadas por constantes prejuízos.

“Não pense no que o mercado fará, pois você não tem controle algum sobre isso. Pense no que você vai fazer diante do inesperado”.

William Eckhardt

Quem não tem tempo para estudar e para acompanhar o mercado também não deve assumir grandes riscos em renda variável, mesmo apesar de poder (possuir o capital para tanto). No nosso ponto de vista o investidor deve operar de acordo com suas possibilidades no que diz respeito a tempo, capital, profissão e perfil psicológico. Ponderar sobre estes aspectos irá ajudá-lo a definir em quais mercados você irá investir e quais estratégias estará disposto a realizar na busca de seu objetivo de rentabilidade.

Para uma rentabilidade de 30% a 50% ao ano, você pode comprar ações e fazer uma renda extra alugando-as, por exemplo. Contudo, haverá a necessidade de estudar o mercado e os fundamentos, além  de acompanhar a sua carteira de ações quase todos os dias, ainda que por poucos minutos.

Dobrar o capital num ano é o sonho de qualquer investidor. Por mais ambicioso que possa ser, e deve ser, se existe uma maneira de realizar este sonho é especulando nos mercados de renda variável. Infelizmente, para aqueles que não estudam ou que não tem disciplina o sonho pode se tornar um pesadelo. Ao invés de aumentarem seu capital poderão perder uma parcela significativa deste, ou mesmo, todo ele.

A única maneira de se atingir tal retorno é aumentando os riscos e o trabalho. Assim, se seu objetivo for uma rentabilidade superior a 50% você deve investir uma quantidade de dinheiro que não seja de grande necessidade para você, pois para atingir tal retorno terá que expor este capital a riscos bem mais altos, seja de grandes oscilações no preço do ativo ou da alavancagem da sua posição.

Dificilmente você conseguirá isso apenas comprando ações. Será necessário buscar ativos ou estratégias com potenciais de rentabilidade muito superiores, que conseqüentemente irão expor seu capital a um risco maior, tal como estratégias com margem ou alavancadas, operando no mercado a termo, de opções ou de futuros, os quais necessitam acompanhamento constante e grande dedicação.

Assim, será preciso aplicar um grande esforço para se obter um grande resultado. E se você não sabe lidar com perdas e não estiver disposto a arriscar mais no intuito de ganhar mais, não opere derivativos!

A maioria das pessoas que entram no mercado tem a expectativa de que em pouco tempo estará sabendo operar bem e ganhando muito dinheiro. Isso ocorre principalmente com aqueles que entram no mercado durante uma forte tendência de alta, quando todas as operações acabam dando certo, afinal, a tendência principal do mercado é de alta.

Isso cria nessas pessoas a sensação de que é fácil fazer dinheiro no mercado. Essa ganância de principiante as induz a operarem cada vez mais e a aumentarem a quantidade de dinheiro em cada operação, ignorando o risco e o gerenciamento do capital, afinal de contas, todo mundo está ganhando.

Tal ilusão é mantida até o momento em que a tendência do mercado virar, revelando a verdade e destruindo o capital da massa desinformada. A história se repete de tempos em tempos e faz com que muitas pessoas destruam a poupança de uma vida inteira. A grande verdade é que aprender a operar no mercado custa tempo e dinheiro.

“O otimista perde muito, o pessimista ganha pouco, seja realista!”