Buy & Hold

O investidor conservador (Buy and Hold) segue a filosofia de sócio das empresas cujas ações fazem parte de sua carteira. Suas ações serão mantidas em custódia por tempo indeterminado, desde que tais empresas continuem apresentando bons resultados, pagando dividendos regularmente e, principalmente, desde que suas ações estejam se valorizando no longo prazo. Sua estratégia está focada no aumento da rentabilidade deste porfólio e no fortalecimento de sua poupança de longo prazo.

O desejo de todo investidor conservador é adquirir ações de empresas sólidas, bem administradas, que estejam num setor aquecido e promissor e que paguem bons dividendos. Tais informações somente ficarão disponíveis para sua tomada de decisão através da analise dos fundamentos das empresas e do seu setor, além da conjuntura e dos indicadores econômicos. É fundamental a comparação do desempenho das ações de uma carteira com algum benchmark de mercado, tal como o Ibovespa, o SP 500 ou o índice setorial.

“Quando a empresa vai bem, cedo ou tarde suas ações acabam acompanhando-a”.

Warren Buffett

Apesar da estratégia Buy & Hold seguir um procedimento operacional muito simples, comprar ações no mercado à vista, ela requer muito estudo e dedicação por parte do investidor, além de alguns hábitos fundamentais, os quais no longo prazo aumentarão significativamente a rentabilidade de uma carteira de ações.

O investidor conservador segue alguns princípios comumente utilizados em investimentos de renda fixa para otimizar os resultados dos seus investimentos de renda variável. Dentre eles talvez o mais importante seja investir com regularidade, comprando mais ações periodicamente. Todo período de queda é uma oportunidade para baixar o preço médio de sua carteira de ações, aproveitando os preços mais atrativos. Esse princípio diminui o efeito das oscilações no longo prazo, otimizando o retorno da valorização de suas ações. Contudo, é importante lembrar que isso não é razão que justifique fazer preço médio para baixo numa posição perdedora.

De maneira similar, alguns investidores compram ações através do “método pirâmide invertida”, começam com um pequeno capital e à medida que a posição vai mostrando lucro, vão comprando em quantidades cada vez maiores. Muitos não percebem, mas estão investindo no próprio túmulo, pois quando o topo da pirâmide desaba, acaba com tudo que foi construído embaixo.

Caso o mercado faça uma reversão, e eventualmente fará, o investidor ficará posicionado a preços altos com a maior parte do seu capital. E a partir daí, serão só prejuízos, pois o pequeno lucro das posições menores será rapidamente perdido pelos grandes prejuízos das posições maiores. Se a pirâmide não fosse invertida, ou seja, se o investidor começasse com maiores quantidades de dinheiro e fosse diminuindo à medida que a posição mostrasse lucro, o efeito de uma reversão não seria tão prejudicial.

Portanto, comece com uma estratégia simples e invista de forma independente. Para investir com regularidade, os novos aportes podem partir tanto do salário e outros rendimentos do trabalho, bem como das participações periódicas nos lucros das suas empresas. O re-investimento dos dividendos simula o efeito dos juros compostos da renda fixa.

Por isso, para garantir um significativo retorno de uma carteira de ações no longo prazo, é fundamental que ela seja composta de ações de empresas com histórico de serem boas pagadoras de dividendos. Isso pode ser medido pelo Dividend Yield, que mede o retorno financeiro anual de uma ação, ou seja, o total de dividendos pagos num ano dividido pelo preço da ação. Assim, uma ação que pagou no ano um total de dividendos de R$ 1,50 por ação, sendo o preço desta R$ 30,00, apresenta um  Dividend Yield de 5% ao ano.

Na tabela abaixo estão listadas as ações do Ibovespa com maior dividend yield. São os ativos que dentre as empresas do Índice apresentaram a maior distribuição de proventos em relação à cotação de suas ações nos doze meses anteriores a 16/07/2012. É importante frisar que essa classificação muda com o passar do tempo e de forma alguma deve ser vista como uma recomendação de compra ou de venda.

Sempre que uma ação pagar dividendos o investidor pode utilizar os valores recebidos para adquirir novas ações da empresa. Isto permitirá que os ganhos cresçam com uma capitalização composta.

Mas fique atento, dividendos altos podem parecer como “pérolas” nos olhos dos investidores, mas o que mais interessa para o mercado é o quanto de lucro uma empresa gera e o quanto este está crescendo. Esse talvez seja o principal fator que alimenta a expectativa do mercado com relação a uma determinada empresa. O quanto de lucro ela está gerando e pode gerar no futuro.

Em momentos de crises, as ações das empresas que pagam os melhores dividendos costumam ser as melhores escolhas. Além de perderem menos em relação à média do mercado (Ibovespa), em razão da maior procura em meio à crise, elas também irão render melhores dividendos, o que irá compensar parte da desvalorização do seu preço.

“Invista o seu dinheiro apenas quando houver algo que se valha a pena comprar”.

Warren Buffet

Além dos proventos, outra forma de aumentar a rentabilidade de uma carteira de ações é através do aluguel dos títulos, ou mesmo, através da venda coberta de opções. O aluguel de ações é uma operação na qual o detentor das ações (doador) autoriza sua transferência a um terceiro (tomador) em troca de uma taxa de aluguel livremente pactuada entre ambos. O doador define a taxa que quer receber, e caso haja um tomador que a aceite, o doador receberá a taxa do empréstimo deduzida do imposto de renda aplicável.

É preciso deixar claro que o doador não perde os direitos inerentes às suas ações. Os eventuais pagamentos de juros sobre capital próprio, dividendos e bonificações são reembolsados ao proprietário original das ações, que ainda se beneficiará como a valorização no preço do ativo. Obviamente o doador ficará impedido de vender suas ações enquanto estiverem alugadas. Para aqueles investidores que aplicam pensando no longo prazo e por isso não têm o interesse de vender suas ações em breve, o aluguel de títulos se mostra uma excelente estratégia para aumentar do retorno de uma carteira de ações.

Com relação à venda coberta de opções, essa estratégia requer estudo e acompanhamento do mercado. Dependendo de como for feita, pode render uma taxa mensal superior ao aluguel. Mas por outro lado, caso haja uma expressiva variação no preço de suas ações, as opções lançadas podem vir a serem exercidas, obrigando o investidor a se desfazer de suas ações por um preço não muito atraente, o que no longo prazo poderá depreciar o seu patrimônio. Cabe a cada investidor decidir o que compensa mais, alugar ou vender opções cobertas. A venda coberta será abordada num respectivo artigo.

Por último, a diversificação é uma estratégia muito recomenda, mas deve ser feita de maneira coerente e responsável. Conforme dito anteriormente, diversificação não é garantia de maiores lucros, muito menos de que não haverá prejuízos. Ela apenas reduzirá parte do risco do investimento, porém, jamais por completo. De maneira geral, no mercado as diferentes ações tendem a subir e cair juntas. Para os que investem de maneira desinformada, sem saber bem o que estão fazendo, a diversificação resultará num rendimento medíocre e bem abaixo da performance dos índices, quando não em prejuízo.

Acreditamos que a diversificação deva ser utilizada não só no mercado de capitais, mas principalmente fora dele. Cada pessoa deve possuir tanto investimentos de renda fixa como de renda variável, tal como ações, imóveis e títulos públicos. Quando estes são realizados com expectativa de retorno de médio e longo prazo, o risco tende a ser menor para os investidores. Assim, ao invés de realizar um grande número de investimentos diversos, concentre seu capital em alguns poucos ativos de qualidade.

No caso específico do mercado de capitais, o risco ficará condicionado ao desempenho (lucro ou prejuízo) das empresas dentro de um horizonte temporal mais amplo, sendo o ideal selecionar no máximo uma meia dúzia de empresas promissoras e com um Yield alto, e acima de tudo, que sejam de setores muito diferentes, ou seja, não correlacionados. É muito comum que mesmo empresas que apresentam bons fundamentos e bons resultados, tenham o preços de suas ações prejudicados em razão da perspectiva do mercado para o seu setor ser ruim.

“É muito mais fácil tomar conta de alguns do que de muitos”.

Além das diversas estratégias para aumentar a rentabilidade de uma carteira de ações, poucos investidores se dão conta do potencial de alavancagem que seus ativos possuem. Assim como debêntures e títulos públicos, ações podem ser utilizadas como margem para a realização de operações no mercado futuro, tal como o aluguel de ações e a compra e venda a termo e de contratos futuros, tais como mini Índice e mini Dólar futuro.

São estratégias muito utilizadas durante períodos adversos em que o cenário econômico é ruim. Investidores que não desejam se desfazer de suas carteiras de ações, podem utilizá-las como margem para vender mini contratos de índice futuro, reduzindo as perdas de suas carteiras, ou mesmo, auferindo lucro em razão da alavancagem desse mercado. Já outros podem utilizar suas ações como margem para comprar mini contratos futuro de dólar, pois a moeda tende a se valorizar nesses momentos.

Essa possibilidade de operar no mercado futuro permite aos investires fazer o hedge de suas carteiras de ações. Embora seja um hedge imperfeito, ainda sim, os protegerá de eventuais desvalorizações excessivas em seus papeis. A melhor estratégia para hedge de ações seria comprar de opções de venda (PUT). Ambas serão abordadas nos respectivos artigos.

Para concluir, uma carteira deve ser formada por ações de apenas algumas empresas que apresentam perspectiva de sobreperformar os índices de mercado no longo prazo e, preferencialmente, que sejam boas pagadoras de dividendos. Com o passar do tempo, a participação das ações que mostraram maior rentabilidade em relação às demais deve ser aumentada, no sentido de concentrar seus investimentos em ações que estão apresentando rentabilidade superior à media do mercado e da sua carteira. Da mesma forma, ações que apresentaram rentabilidades aquém da média da carteira, devem ter sua participação reduzida, ou mesmo, liquidada.

Essa estratégia de realocação se diferencia da diversificação que normalmente é feita pela maioria dos investidores, a qual produz resultados medianos, ou mesmo, abaixo da média do mercado. Seu objetivo é direcionar o capital para ativos que apresentaram rentabilidade superior à esta média. Requer estudo, acompanhamento e, principalmente, paciência por parte do investidor, tanto para aguardar a valorização de suas ações como para suportar a volatilidade de seus preços. Novos aportes devem, preferencialmente, serem feitos nas ações que apresentaram a maior rentabilidade da carteira.

“Eu prefiro estar vagamente certo do que exatamente errado”.

John Maynard Keynes

Investidores de longo prazo devem evitar comprar ações que apresentam rentabilidade muito inferior à do Ibovespa ou ao índice do seu setor, assim como de empresas concordatárias e “micos” de mercado. Nunca compre ações de uma determinada empresa simplesmente porque estão baratas, na expectativa de que irão se recuperar. Empresas concordatárias podem fazer inúmeros agrupamentos das suas ações, de modo a elevar artificialmente o preço de suas ações. O qual continuará se depreciando até chegar novamente à um valor muito baixo, quando outro grupamento será realizado. Sem contar que a qualquer momento essas ações podem ter sua negociação suspensa pela Bolsa.

Da mesma forma, o investidor não deve comprar ações embasado apenas por projeções e recomendações de corretoras ou gurus do mercado. Seja independente, estude e tome suas próprias decisões, fundamentado sempre pelo seu próprio julgamento e sua análise do mercado. Apesar de muito criticada por investidores de perfil mais especulativo, acreditamos que a estratégia Buy & Hold em ações de empresas que crescem de maneira saudável e constante apresenta resultados melhores  no longo prazo do que ficar “pulando” de papel em papel ou fazendo “delírios especulativos” em empresas “quebradas” ou IPOs hipervalorizados.

Comprar e segurar pode se mostrar uma estratégia muito lucrativa, mas tudo depende do período analisado e dos objetivos traçados por cada indivíduo. Os desinformados que compram ações de blue chips apenas por acreditarem que as empresas de grande porte são investimentos garantidos, muitas vezes acabam segurando uma carteira de ativos desvalorizados de empresas que pagam baixos dividendos.

Os preços das ações podem ser influenciados por razões lógicas e muitas vezes ilógicas. Investidores de longo prazo são pacientes e estão dispostos a aceitar o risco da volatilidade. Não entram facilmente em pânico porque sabem que enquanto a empresa continuar produzindo bons resultados trimestrais e apresentando um crescimento saudável, o preço de suas ações voltará a subir. Em momentos de crise, tomam vantagem dos preços baixos para aumentar o tamanho e a rentabilidade de suas carteiras, vendo oportunidade exatamente no sentido contrário ao que a maioria dos investidores acredita e consegue perceber.

Quanto mais independente o investidor se tornar em relação à opinião de analistas e jornalistas melhor. Assim, poderá se dedicar mais a estudar o setor, o negócio e a empresa em que tem interesse, aproveitando melhor seu tempo para estudar os fundamentos da empresa e seus relatórios trimestrais. Quanto mais disposto estiver o investidor a investigar e a aprender sobre o negócio em que faz parte, menos dependente ele ficará da opinião daqueles que ganham a vida orientando leigos a agirem de maneira irracional e muitas vezes estúpida. No fim, as melhores oportunidades sempre aparecem quando o investidor faz o seu “dever de casa”.

Os relatórios dos analistas e das corretoras são muito similares, as empresas sugeridas para uma carteira “conservadora” são quase sempre as mesmas. Recomendam as empresas de grande porte (blue chips) como investimentos mais seguros, levando muitos investidores a investir em empresas como Petrobrás e Vale acreditando que no longo prazo a rentabilidade estará garantida.

Entretanto, vale lembrar que há 20 anos atrás a empresa aérea Varig possuía na época um valor de mercado superior à elas. E naquela época, ninguém previu ou sequer imaginava que a empresa poderia falir e que suas ações poderiam chegar a valer menos que R$ 1,00. Contudo, novamente o que se era considerado como “improvável” acabou se tornando a realidade.

“Lembre-se, daqui a dois anos as empresas líderes de mercado podem não ser as mesmas de hoje”.

Jesse Livermore

Apesar de historicamente o Buy & Hold apresentar em média uma rentabilidade superior às demais estratégias de perfil mais especulativo, acreditar firmemente no passado pode não significar um bom resultado no futuro, afinal, rentabilidade passada não são garantia de rentabilidade futura. Existem muitos casos de empresas que no passado eram consideradas investimentos seguros e que hoje suas ações viraram micos de mercado ou tiveram a negociação de seus ativos em bolsa suspensa.

Investimentos de longo prazo não podem simplesmente ser esquecidos, deixados de lado. Investidores que fazem isso se comportam como jogadores. Fazem uma aposta e a mantém no longo prazo, independente dela estar ou não lhes rendendo lucro. Alguns só admitem que erraram após terem perdido grande parte de seu capital, senão todo ele, numa aposta que acabou dando errado.

Portanto, não se apegue ao papel. A partir do momento em que a empresa apresentar um mal resultado ou tenha algum sério problema operacional, venda suas ações e parta para outra. Não compre uma ação simplesmente porque ela não pára de subir, tão pouco em razão do seu gráfico de preço. Verifique primeiro se existem razões concretas que a tornem interessante. É importante investir em ações pensando nos resultados de longo prazo e na formação de poupança de longo prazo. Se precisar do dinheiro no curto prazo, pode ser mais conveniente direcioná-lo para outra forma de investimento.

“E agora, quero falar uma coisa. Depois de passar muitos anos em Wall Street e ao ganhar e perder milhões de dólares quero dizer-lhes isso: nunca foi meu raciocínio que trouxe o dinheiro grande para mim. Foi sempre minha capacidade de esperar. Entendeu isso? ESPERAR e não fazer nada. Você sempre encontra compradores precipitados em mercados altistas e vendedores precipitados em mercados baixistas. Para mim, esta foi uma das coisas mais difíceis de aprender. Mas apenas depois de compreender isso profundamente, é que um investidor poderá ganhar o dinheiro grande”.

Jesse Livermore

Além de artigos retratando os principais fatores emocionais e psicológicos que influenciam o comportamento do mercado e do investidor o site MercadoReal disponibiliza também conteúdos que abrangem a análise técnica e fundamentalista para investimento no mercado de capitais, assim como as diversas estratégias de investimento em renda fixa e variável, tais como o mercado a termo, aluguel de ações, mercado futuro e de opções.

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