O Mito do Mercado FOREX

Forex (da expressão FOReign EXchange) é de forma simples, um tipo de mercado onde o investidor pode explorar as relações de preço de uma moeda com outra. Neste mercado tem-se uma moeda precificada em termos de uma segunda moeda e o investidor ou especulador pode explorar as possibilidades de aplicações que envolvam modificações nessa paridade.

As operações ocorrem, portanto, sempre envolvendo pares de moedas, onde uma ponta é comprada e outra é vendida, na expectativa de que a ponta vendida se desvalorize em relação à ponta comprada.

É importante, contudo, fazer uma distinção entre o FOREX e uma operação cambial comum. No mercado FOREX o investidor não opera diretamente uma moeda, mas um derivativo de moedas, ou seja, somente uma relação entre pares de moedas. Ao comprar Dólares dos Estados Unidos e vender Euro, quem aplica não esta de fato comprando ou se desfazendo de nenhum deles, apenas apostando sobre um futuro movimento na relação entre essas moedas, e sua contraparte é a corretora/instituição financeira, diferente do mercado cambial, onde a contraparte são os demais investidores.

Devido a essa natureza, classifica-se o mercado de FOREX como um mercado de derivativos, internacional, onde agentes e instituições econômicas de vários países operam, cada qual seguindo a regulamentação de sua localidade.

O FOREX é um mercado virtual internacional sem nacionalidade específica. É constituído por instituições financeiras sediadas em diversos países que realizam operações neste mercado 24 horas por dia ao redor do mundo. Até a data da publicação deste artigo, nenhuma corretora ou instituição financeira havia obtido a permissão da CVM para desempenhar esta atividade em território brasileiro.

Devido a este fato, operar neste mercado exige certos malabarismos e traz complicações e riscos ainda maiores que os inerentes à atividade regulamentada nos mercados de capitais. Primeiramente existe a necessidade de enviar recursos ao exterior, por meio de transferência, cartão de crédito ou similar (paypall, egold, dentre outros), atividade que em alguns casos pode ser considerada uma contravenção, ou mesmo, crime.

“Ele irá arriscar a metade de sua fortuna no mercado fazendo menos reflexões à respeito do que quando compra um carro popular”.

Jesse Livermore

Ao conseguir enviar seus recursos e na hipótese de obter lucro, outro problema surge – repatriar o dinheiro. Neste caso, o investidor geralmente opta por transferência ou crédito na fatura de seu cartão e o processo todo pode mostrar-se incrivelmente mais complexo do que aparenta. Ainda que seja possível contingenciar todas as limitações relativas ao envio e recebimento de recursos, existem outros fatores adicionais que devem ser levados em conta ao considerar aplicações no  FOREX. Falaremos neste artigo dos dois mais importantes.

O primeiro fator que deve ser considerado é a confiabilidade e a clareza da instituição que se escolhe para operar. Por sua natureza descentralizada e internacional, é muito comum encontrar no forex instituições instaladas em países de legislação permissiva, onde é possível todo tipo de prática desonesta com fins de cooptar os recursos dos investidores. Não é incomum empresas se apossarem do dinheiro investido, cancelarem contas, forjarem cotações ou até mesmo impedir que o investidor retire seu dinheiro.

Como estas instituições são sempre as contrapartes das operações efetuadas por seus clientes, um nítido conflito de interesse surge, pois para que o cliente tenha lucro, é necessário que a instituição deixe de ganhar ou perca dinheiro. Supondo que a instituição seja honesta, credenciada  e instalada em um país que possua estrutura legal minimamente suficiente para proteger o investidor, ainda existe um segundo empecilho.

O segundo fator que deve ser considerado é o risco inerente à altíssima alavancagem permitida no forex. Neste mercado, as operações são feitas através de margens muito pequenas, pois são liquidadas financeiramente, ou seja, apenas pela diferença entre as variações de duas moedas. Não é necessário então que o investidor possua todo o montante de recursos envolvidos na operação, mas apenas uma margem que cubra a variação entre o par de moedas.

“O cérebro é uma coisa maravilhosa. Todos deveriam ter um”.

Dessa forma, é prática comum liberar aos clientes a possibilidade de abrir posições 50, 100, 200, 400 vezes maiores que o capital disponível. Sendo assim, com um pequeno capital o investidor  pode tomar vantagem de pequenas variações de preço sobre uma enorme quantidade de dinheiro.

Utilizando uma margem de 1000%, um investidor com mil dólares poderá abrir uma operação lastreada em 100.000,00 dólares. Uma variação de 1% na diferença entre um par de moedas a favor da sua aposta lhe renderá mil dólares sobre seus mil dólares investidos, ou, 100% de lucro. Mas caso uma variação de 1% ocorra na direção contrária à sua aposta, a elevadíssima alavancagem resultará na perda de 100% do seu capital. O que por sinal é realizado automaticamente pelo sistema da corretora. Quando o prejuízo da operação aumenta e chega perto do valor da margem, a operação é liquidada automaticamente pelo próprio sistema.

Aos olhos desatentos tal possibilidade de grande e rápido retorno poderia passar-se como vantagem e atrativo. A realidade é, contudo, muito mais perversa do que parece. Com sistemas computacionais sofisticados, não é muito difícil para as corretoras estimar com base nas posições abertas o impacto de uma micro-oscilação nas cotações.

Com tal informação, pequenas oscilações nos preços “surgem” no intuito único de limpar as contas de seus clientes, exageradamente alavancados, perseguindo lucros fantasiosos e impossíveis. Na maioria das corretoras é inclusive impossível operar sem fazer uso da alavancagem. Este comportamento denota a relação duvidosa e promiscua entre instituição e cliente lançando grandes dúvidas sobre a existência de algum ponto positivo nas operações oferecidas.

Diante do que foi dito, resta ainda recomendar ao investidor que descubra por si mesmo, que pesquise, que busque. Não faltam exemplos trágicos de pessoas que perderam todas as suas economias com essa modalidade de aplicação. Os casos bem sucedidos, por outro lado, são extremamente raros, além de possuir caráter altamente duvidoso.

A CVM tem recebido nos últimos anos reclamações de um grande número de pessoas que foram vítimas de fraudes e manipulações em esquemas de investimento no mercado forex, na maioria das vezes por instituições sediadas fora do país, o que torna impossível que haja algum controle ou regulação por parte da CVM.

Em quase todos os casos as pessoas lesadas não têm onde ou para quem recorrer. Portanto, novamente recomenda-se o bom senso, a perspicácia e a desconfiança. Nunca existiu e jamais existirá fórmula mágica para ganhar dinheiro rapidamente.

“Às vezes os melhores investimentos são aqueles que você não faz”.

Donald Trump

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