Conclusão sobre os Aspectos e Riscos do Mercado de Opções

Uma vez que as opções são instrumentos derivativos sobre ativos de renda variável, não há garantia de retorno sobre o investimento feito nesse mercado. O retorno vai depender basicamente do comportamento do preço do ativo objeto. À medida que seu preço se move para cima ou para baixo, o lançamento de novas séries de opções, com strikes mais altos no caso de alta e mais baixos no caso de queda, será autorizado pela Bolsa, de forma que as novas opções serão negociadas com preços de exercício próximos ao preço de mercado do ativo objeto. No caso de futuras alterações o lançamento de opções a novos preços de exercício poderá ser novamente autorizado.

É importante compreender que o número de ações de uma empresa é fixo, mas as opções podem ser literalmente criadas a qualquer momento, sem nem mesmo haver a necessidade de se possuir lotes do ativo objeto. Para lançar uma opção no mercado é necessário apenas possuir margem, seja em dinheiro, em ativo objeto ou qualquer outro ativo financeiro aceito. Para quem as compra com intuito especulativo, as opções são nada mais do que a esperança de que o preço do ativo se mova para cima (CALL) ou para baixo (PUT) rápido o bastante para que seja possível obter lucro com a  valorização delas.

Se o especulador acreditar na alta do ativo objeto comprará opções de compra (calls), pois estas se valorizam num percentual muito maior em relação à valorização do ativo. Se acreditar na queda do ativo objeto comprará opções de venda (puts), as quais se valorizam num percentual muito maior em relação à desvalorização do ativo.

Mas caso suas expectativas não aconteçam a tempo, ou mesmo ainda que aconteçam, não ocorram rápido o bastante, o investidor terá grande prejuízo em razão da alavancagem e da depreciação do valor do prêmio das opções pela passagem do tempo, podendo perder a totalidade do capital investido.

“O homem que tenta ficar rico em um dia acabará enforcado em menos de um ano”.

Leonardo da Vinci

Operações com opções estão intimamente ligadas a estratégia. O maior trunfo de uma opção para o investidor está na proteção do seu capital (hedge) e na limitação do risco de suas operações (spreads). Já para o especulador, está na alavancagem que as opções lhe proporcionam, maximizando os seus lucros quando suas operações dão certo.

Por isso, tenha sempre em mente que ao contrário do titular de uma opção, cujo prejuízo máximo é limitado, o lançador de uma opção tem uma posição bem mais arriscada. Quando o preço do ativo objeto se movimenta em direção contrária às expectativas do lançador, ou seja, se aumenta para uma posição vendida em opção de compra ou diminui para uma posição vendida em opção de venda, o prejuízo potencial referente à posição vendida em opção de venda será igual ao preço de exercício da opção, e no caso de uma posição vendida a descoberto em opção de compra, será ilimitado.

Essa situação pode ser modificada quando a posição vendida é coberta. O investidor abre posição vendida em uma opção de compra com uma posição comprada no ativo objeto, ou, uma posição vendida em uma opção de venda com uma posição vendida no ativo objeto.

Esse tipo de combinação é conhecido como lançamento de opção “coberta”. O lançamento coberto de uma put em razão do grande valor de margem necessário tanto para abrir a posição vendida na ação quanto para lançar a opção de venda, torna essa  estratégia proibitiva para o pequeno investidor.

O lançador de uma opção de compra “descoberta”, que vende opções sobre um ativo objeto que não possui, encontra-se em posição extremamente arriscada. Ele pode sofrer grandes prejuízos se o valor do ativo objeto superar o preço de exercício da CALL lançada, pois será obrigado a vender o ativo objeto a um preço abaixo do preço de mercado.

O lançador de uma opção de venda, por sua vez, assume o risco de prejuízo se o preço do ativo objeto cair abaixo do preço de exercício, pois se designado para o exercício deverá comprar o ativo objeto a um preço acima do preço de mercado.

De acordo com o comportamento do preço do ativo objeto o lançador de opções a descoberto, assim como lançador de opções de venda, poderão ser chamados a recompor o nível de garantia (chamada de margem) e terão que depositar mais dinheiro ou outros ativos aceitos pela CBLC.

“No final é só dinheiro, você tem o resto da vida para fazer mais”.

MercadoReal

O objetivo do lançamento de uma opção descoberta é ganhar o prêmio sem precisar investir no ativo objeto. Entretanto, o lançador de opções descobertas deve dispor de garantias suficientes para atender a um eventual exercício das opções que vendeu, as quais podem aumentar de valor substancialmente se o preço do ativo objeto se movimentar na direção contrária à sua posição.

Assim, o risco para quem vende opções a descoberto é muito alto, o que não justifica o pequeno retorno obtido nos casos em essas operações dão certo, o qual se limitará ao valor recebido pela venda da opção (prêmio).

Para muitos essa relação entre o enorme risco e o pequeno retorno só fica clara, quando visualizada num exemplo prático. Nos últimos anos a última “estourada” de um papel com opções líquidas foi em 2007 quando a Petrobrás anunciou a descoberta do pré-sal e suas ações subiram 17% num só dia. Opções de compra fora do dinheiro se valorizaram mais de 5000% num só dia. Isso mesmo, esse foi o efeito que a valorização do papel causou nas opções de “centavinho” que ninguém acreditava que dariam exercício.

Logo, um especulador que vendesse 10000 opções da PETR4 com valor de R$ 0,15 receberia R$ 1500,00 de lucro potencial, caso suas opções vendidas expirassem. Mas para a infelicidade dele, o improvável aconteceu. Num só dia, essas opções se valorizaram para mais de R$ 5,00 deixando-o com um prejuízo em torno de R$ 48.500,00 (R$ 50.000,00 – R$ 1.500,00).

Percebemos que o pequeno potencial de retorno da venda a descoberto não compensa o prejuízo potencial que o investidor expõe seu capital, e se caso no exemplo o papel tivesse subido mais, seu prejuízo seria ainda maior.

“Se há possibilidade de varias coisas darem errado, todas darão; ou a que causar mais prejuízo”.

Murphy

O fato de que os preços das opções tendem a se depreciar com o passar do tempo, aliado à sua grande volatilidade, a qual tem o potencial de fazer com que uma opção dentro do dinheiro vire pó num só dia, induz os especuladores a venderem a descoberto e a operarem a seco. Este último nada mais é do que comprar calls por simplesmente apostar numa valorização rápida no preço do ativo objeto, ou, comprar puts apostando numa desvalorização rápida deste.

Para o especulador de opções, o qual tem a audácia e a ousadia de destinar parte significante de todo o seu capital para operar opções a seco ou para vendê-las a descoberto, o erro é um luxo que sempre lhe custará caro, caro até demais. Qualquer “pequena” variação no preço do ativo objeto poderá causar uma grande perda em seu capital, ou mesmo, caso não haja variação qualquer, pois a “gordura” da opção que fora comprada é perdida com o passar do tempo e em função de mudanças na expectativa dos investidores institucionais e na sua atuação neste mercado, os quais mantêm a liquidez desses ativos.

O mercado de derivativos é extremamente manipulado por investidores institucionais. Há pouco tempo atrás, antes de começarem a serem utilizados, com tanta freqüência e com alto volume financeiro, robôs que monitoram todas as séries de opções, buscando ajustar o preço de mercado de acordo com a estratégia e expectativa dos investidores institucionais, de uma maneira geral, o especulador de opções possuía maiores chances e maiores margens para erro.

Hoje em dia o mercado de derivativos está extremamente automatizado por robotraders. Isso significa que de maneira geral, esse mercado está cada vez mais “travado” e manipulado e as oportunidades de lucro estão mais difíceis de serem identificadas, ocorrendo rapidamente quando menos esperado.

Isso tem dificultado aos especuladores obter retornos consistentes através das estratégias descritas acima, fazendo com que percam todo ou parte dos movimentos de preço das opções, assim como os melhores momentos para liquidarem suas operações. Da mesma forma, os rápidos movimentos contrários à tendência do preço estão cada vez mais comuns, o que os obriga a stoparem suas posições com maior frequência.

Nossa intenção ao escrever este conteúdo não foi de apenas assustar e traumatizar aqueles que nunca operaram com derivativos. Mas deixar claro que os derivativos são excelentes instrumentos de proteção de capital e de controle de risco, não apenas instrumentos alavancados de especulação.

Investidores operam opções com estratégia (spread) e as utilizam para proteger as suas operações e as suas carteiras de ações (hedge). Mas para os especuladores as opções são esperança. Esperança de que o preço do ativo reagirá muito e rapidamente na direção de sua posição. Esperança que não possui valor real, apenas preço, definido “à mercado” pela ação dos investidores institucionais e vendido por um alto valor aos especuladores que têm expectativas de lucros rápidos.

A alavancagem e alta volatilidade das opções são fatores de risco que devem ser considerados pelo investidor. Qualquer um pode virar um grande estrategista e conhecer muito sobre opções, mas nem todos serão grandes investidores. O aprendizado do gerenciamento do risco e da proteção do capital depende de muito estudo e muito treino.

Existem diversas maneiras diferentes para a utilização de opções, das mais especulativas às mais conservadoras. Muitos iniciam no mercado de opções apenas operando a seco e acabam perdendo parte substancial de seu capital, se não todo ele, enquanto aprendem sobre esse mercado e tentam construir um “método” de sucesso. Existem diversas histórias tristes nesse mercado, assim como raros casos de sucessos incríveis.

O verdadeiro significado de uma opção para um investidor é estratégia. Esse é o diferencial que lhe afastará dos riscos aos quais os especuladores se expõem. É através disso que você realizará ganhos regulares e progressivos, construindo e consolidando o seu patrimônio.

Essa será a sua estratégia de longo prazo, proteger o que você tem, lucrar de forma responsável e operar com o risco coberto e de acordo com as circunstâncias e com as suas possibilidades financeiras. Portanto, se chegando até este ponto você ainda não tiver compreendido como o mercado de opções funciona, não opere com opções! Simples assim.

“O especulador de opções, com raríssimas exceções ou desiste, ou fica louco, ou fica pobre”.

Bastter

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