Neste primeiro módulo o MercadoReal aborda as características dos principais produtos de renda fixa e variável e a importância da poupança de longo prazo e da educação financeira para o Brasil. O conteúdo possibilita ao investidor avaliar a relação entre o risco e o retorno dos principais produtos, tais como CDB, títulos públicos, fundos de investimento, debêntures e ações, bem como gerenciar os riscos e otimizar o retorno do investimento, embasando sua tomada de decisão. Aprenda com este módulo:

• O Papel do Dinheiro na Vida de Cada Um
• Renda Fixa ou Renda Variável, Onde Investir?
• Investimentos de Renda Fixa
• Poupança, CDB, CDI, LCI e LCA
• Títulos Públicos e Privados
• Fundos De Investimentos
• Investimentos de Renda Variável
• A Importância da Liquidez em um Investimento
• Gerenciamento do Capital e do Risco
• Drawdown – A Medida do Prejuízo

O Papel do Dinheiro na Vida de Cada Um

“Hoje a maioria dos indivíduos pode direcionar suas energias para satisfazer necessidades que vão além de comida e abrigo, mas para isso precisam de dinheiro. O dinheiro evoluiu para ser o objeto de nossas necessidades porque ele representa a maneira como nós podemos nos expressar como indivíduos. Todo comportamento é uma forma de auto-expressão e praticamente todas as maneiras para alguém se expressar na sociedade requerem algum dinheiro. No nível mais profundo da existência social e cultural, o dinheiro representa liberdade de expressão”.

Mark Douglas

Dinheiro é símbolo de liberdade. O investimento e a utilização correta do dinheiro lhe permitirão desfrutar de uma vida mais confortável e prazerosa. Por isso, é melhor se preocupar em ganhar dinheiro hoje do que deixar para se preocupar com isso depois. O “depois” pode ser tarde demais, restando apenas arrependimentos em sua consciência caso você não reconheça o valor de aproveitar as oportunidades enquanto elas ainda estiverem disponíveis.

O problema é que hoje em dia muitas pessoas simplesmente prejudicam aquele que é a maior fonte de aporte para os seus investimentos, o seu salário. Vivemos um momento de estímulo ao consumo e, consequentemente, ao endividamento, em que a maioria das pessoas está fazendo a maior parte de suas compras a prazo, financiando seus gastos em dezenas de prestações e tomando empréstimos consignados. Cada uma dessas prestações que aparecem na fatura de seu cartão de crédito é mais um item que prejudicará o seu plano de construção de riqueza, pois a capacidade de seu salário para com os seus investimentos fica comprometida à medida que você se endivida.

Esse oportunismo de curto prazo deve ser encarado com desconfiança e muito cuidado. Afinal, os cidadãos brasileiros andam bastante endividados, o que mostra que o modelo baseado no consumo e no crédito está atingido o seu limite, tornando a estagflação a regra, quando a economia cresce pouco, ou retrai, e a inflação se mantém elevada. Para aqueles que ainda lembram do Brasil da década de 80, fica claro o grande perigo de se tentar combater crises econômicas através da impressão monetária, o que tem como resultado o aumento da inflação e a desvalorização monetária.

Para prosperar, antes se torna essencial passar a ter um orçamento equilibrado, sabendo o quanto ganha, o quanto gasta, o quanto pode investir todo mês e, principalmente, viver apenas com o que recebe todo mês ao invés de fazer dívidas e pagar juros. Pessoas financeiramente desequilibradas que não conseguem guardar nada ao final do mês e que vivem constantemente endividadas, buscam no mercado de capitais ou em outros investimentos de risco a ilusão do enriquecimento, solução ideal para seus problemas. Contudo, solução que através dessa atitude provavelmente lhes trará problemas maiores ainda.

Não será um investimento maravilhoso que lhe tornará rico, mas a disciplina de não gastar mais do que pode, de poupar e de investir periodicamente o seu dinheiro. Isso se traduz no desenvolvimento de um modelo sustentável de vida, eliminando gastos desnecessários e evitando contrair dívidas, de forma a dar mais valor ao que se possui e evitar que os juros compostos hajam sobre você, quando o ideal é que hajam “para você” através dos seus investimentos.

Pessoas que constroem patrimônio e acumulam riqueza ao longo dos anos são muito bem “resolvidas” e organizadas, não veem tantas frações nas faturas de seu cartão porque fazem planejamento e vivem de acordo com suas possibilidades. Compram à vista com desconto quando podem e financiam apenas o estritamente necessário. Com relação aos seus investimentos, poupam e investem parte de seu dinheiro para quitar de uma só vez bens e serviços que precisam usufruir e, sobretudo, estabelecem metas de consumo factíveis, realistas, condizentes com a sua renda e que se encaixam no seu orçamento, o qual por sua vez é sustentável no longo prazo.

O seu salário já é muito comprometido com as deduções obrigatórias por lei e outras necessárias para evitar situações de emergência, tais como plano de saúde e seguro de carro. Em alguns casos, as mordidas do Leão e do INSS juntas chegam a comer quase 45% de um salário bruto, de forma que o saldo final líquido que entra na conta representa uma parcela bem menor do saldo inicial bruto. Diante disso, não prejudique ainda mais o seu salário se afundando em dívidas. Liberte-se da escravidão dos financiamentos e dê uma injeção de liquidez em seu plano de independência financeira.

“Existem duas maneiras de conquistar e escravizar uma nação. Uma é pela espada… a outra é pela dívida”.

John Adams

Renda Fixa ou Renda Variável, Onde Investir?

Todas as pessoas devem obrigatoriamente possuir um mínimo de organização e educação financeira para prosperarem em suas vidas e consolidarem seus patrimônios. A educação é o melhor, se não, o único caminho para a redução da desigualdade social no Brasil. Se todos os brasileiros tiverem acesso à educação de forma semelhante terão um futuro com igualdade de oportunidades, e assim, poderão construir uma sociedade menos desigual.

Estudos estatísticos mostram que existe uma forte correlação entre educação e nível de renda. A busca por educação lhe auxiliará no desenvolvimento de suas habilidades financeiras. Você deve investir com inteligência os rendimentos de seu trabalho, equilibrar seus gastos com um eficaz controle de orçamento, desenvolver uma cultura de poupança e dedicar tempo para aprender a investir bem o seu dinheiro e para descobrir novas oportunidades.

Esteja ciente de que o tempo é o seu maior inimigo. Quando estiver numa idade mais avançada você terá uma menor capacidade para trabalhar. A partir dos 50 anos, poucos de nós conseguirão trabalhar no mesmo ritmo de quando tínhamos 20 anos. É exatamente por isso que é a partir dos vinte que devemos começar a nos preparar para o horizonte dos cinqüenta, ao invés de perpetuar a “curtição” dos vinte até os cinqüenta, fase em que iremos precisar de uma boa reserva de capital para vivermos bem.

Qualquer indivíduo bem informado sabe que o sistema previdenciário brasileiro é um esquema em pirâmide, o qual é fadado à falência no longo prazo. A previdência brasileira é estruturada de tal forma que os trabalhadores de hoje pagam os benefícios dos aposentados de hoje, na mera expectativa de que os trabalhadores de amanhã lhes repaguem quando se aposentarem. Entretanto, em razão da população brasileira estar parando de crescer, no futuro teremos cada vez menos trabalhadores para sustentar uma quantidade cada vez maior de aposentados e pensionistas.

Para os jovens poupar é acima de tudo a renúncia ao prazer de consumir, de gastar, e para muitos é a renúncia de viver a vida. Não há bom senso em nossa sociedade de consumo, desejar significa precisar. Não é raro conhecermos pessoas que ganham muito bem e que estão sempre endividadas, e após anos e anos, não conseguem acumular patrimônio algum. Por outro lado, há muitas pessoas que ganham pouco, mas que são poupadoras e, com muito esforço, conseguem acumular um bom patrimônio com o passar dos anos.

“Toda escolha é uma renúncia, todo crime uma sentença”.

Grande parte das pessoas só percebe as oportunidades que desperdiçaram quando já estão velhas. Após terem trabalhado longos anos, chegam à conclusão de que acumularam um pequeno patrimônio. Na maioria das vezes porque não souberam como poupar e como colocar o dinheiro para trabalhar para elas, ou seja, perderam a oportunidade de usufruir dos rendimentos dos juros, aluguéis e dos retornos de bons investimentos. O maior desafio de nossas vidas é termos recursos suficientes para nos mantermos com dignidade durante a velhice.

Em países totalmente desenvolvidos poupar é um hábito arraigado na população. As oportunidades de investimento se multiplicam de forma espontânea em suas economias a partir do desejo de poupar da população. E esse processo é constantemente realimentado pelos intermediários financeiros, os quais buscam novas oportunidades de investimento, inclusive no exterior. Assim, nem mesmo as fronteiras representam obstáculos para a vontade de poupar e de investir.

Já em países que ainda não se desenvolveram completamente, o habito de poupar não progride, os estímulos são escassos e as oportunidades são mínimas. O que se percebe com o passar dos anos é a concentração da riqueza e a divisão da pobreza. Por isso, assim como a educação, é fundamental difundir no Brasil uma cultura de poupança de longo prazo e de investimento.

Poupar é um comportamento importante para qualquer indivíduo, sendo fundamental para que um país se livre da pobreza. E além disso, é essencial tanto para este indivíduo como para toda a economia de um país também saber como investir de forma eficiente os recursos poupados.

A grande incoerência é que as pessoas trabalham em média 8 horas por dia (com sorte) mas não conseguem dedicar 15 minutos para acompanhar os investimentos dos resultados deste trabalho e estudar novas oportunidades. Investimentos que eventualmente poderiam lhes render mais do que o seu salário por mês.

Por isso, mantenha-se sempre informado quanto aos rendimentos e riscos de seus investimentos. A única maneira de se aprender a investir de forma eficiente é prestando contas para si mesmo. Além de gerar responsabilidade, tal disciplina lhe dará embasamento para avaliar o resultado e definir o momento certo para encerrar um investimento.

As pessoas se sentem seguras quando sabem o que vai acontecer. Segurança quer dizer ausência de excitação, de riscos, de desafio. Para aquela pessoa que tem a necessidade de se sentir em total controle de sua vida, de seu trabalho, de sua casa e, principalmente, de seu dinheiro, não se recomenda qualquer investimento de renda variável. Você deve se perguntar se tem estômago para expor seu dinheiro ao risco e às oscilações de preço, e ainda, a não saber o montante que irá receber ao final do investimento.

Se você for uma daquelas pessoas o mais recomendável é investir seu dinheiro em fundos de DI ou CDB, ou mesmo, em caderneta de poupança. Investimentos em imóveis e títulos públicos, ao contrário do que muita gente pensa, também são investimentos de renda variável, porém, cujos riscos de uma maneira geral são bem menores se comparados à investimentos no mercado de capitais. Em relação à renda fixa, o que difere os diferentes tipos de investimentos é basicamente a relação entre risco, rentabilidade e liquidez.

Investimentos de renda fixa possuem baixíssimo risco e, consequentemente, também possuem o menor potencial de rentabilidade. Em comparação, os investimentos de renda variável possuem um maior potencial de rentabilidade, caso deem certo, ao custo de uma maior exposição ao risco de darem errado. Rentabilidade e risco caminham justos por serem diretamente proporcionais, ou seja, quanto maior a rentabilidade, maior deve ser o risco do investimento e vice-versa. É fundamental sempre conhecer o risco de seus investimentos e saber se este perfil de risco é adequado às suas características pessoais e às suas possibilidades financeiras.

“Todas as oportunidades que o mercado oferece acompanham riscos”

A liquidez por sua vez é a facilidade com que um investimento pode ser convertido em dinheiro. É uma referência ao prazo e ao custo que um investimento transforma-se em dinheiro. A liquidez é o que torna a especulação possível, já que permite que o investidor abra ou encerre uma posição a qualquer instante e próximo ao preço de mercado, pois não faltam compradores e vendedores.

É importante compreender também a relação entre o resultado esperado e o esforço aplicado. Pessoas que não tem tempo para dedicar a seus investimentos, ou seja, que não podem aplicar grandes esforços para eles, não podem esperar grandes resultados. Logo, investimentos de renda fixa e títulos públicos são mais indicados, pois para se obter lucros consistentes investindo em renda variável de forma responsável é preciso estudar e acompanhar o mercado com frequência, mesmo que apenas por alguns minutos todos os dias.

O que queremos deixar claro é: Você deve refletir se o resultado que você espera vale o esforço que você terá que fazer. Seus objetivos devem se enquadrar à sua realidade. Querer atingir um objetivo é uma coisa, poder atingi-lo é outra. A maioria das pessoas dedica mais tempo para escolher um sapato ou uma roupa do que para estudar e compreender os termos dos seguros, planos de saúde e dos investimentos que realizam.

Possuir um plano de investimento nada mais é do que realizar um esforço consciente e ordenado para aplicar o seu dinheiro. Significa pensar no melhor modo de alocar as suas poupanças em investimentos que estejam de acordo com o seu perfil de risco e com a sua disponibilidade de tempo. Você deverá acompanhar os resultados e diversificar seus investimentos, buscando atender a objetivos de renda e de crescimento de patrimônio que respondam aos seus anseios pessoais. Com o decorrer do tempo, a participação nos seus investimentos dos aportes extraídos de seu salário irá gradualmente diminuir em face do gradual aumento do trabalho dos juros compostos, bem como do potencial de retorno de seus investimentos.

Portanto, você deve definir qual o resultado que você quer, ou seja, qual rentabilidade anual você almeja. Se esta for de 10% ao ano (pequeno resultado), não há porque aplicar um grande esforço (estudar, acompanhar, etc), logo, fique com a renda fixa, títulos públicos ou debêntures. Mas se seu objetivo for uma rentabilidade superior a 10% ao ano, você terá que aplicar um esforça maior, destinando parte de seu capital para a renda variável. Isso significa que você terá de estudar e acompanhar o mercado, dedicando tempo para seu dinheiro. É preciso refletir se o preço que você terá que pagar compensará o resultado almejado, ou seja, uma rentabilidade maior que 10% ao ano.

“O juro composto é a maior invenção da humanidade, pois permite uma confiável e sistemática acumulação de riqueza”.

Albert Einstein

Tendo definido o seu objetivo de rentabilidade você poderá decidir segundo as suas possibilidades se investimentos de renda variável são ou não interessantes para você. Nos mercados de ações e futuros o risco é enorme, já que além da volatilidade, o que causa grandes oscilações de preço, se lida com o imponderável. A qualquer momento os preços podem tomar um rumo contrário em função da atuação de investidores institucionais ou em razão de acontecimentos novos.

Mas por outro lado, o mercado de renda variável oferece a possibilidade de ganhos maiores do que as demais alternativas de investimento, ao custo de uma maior exposição ao risco. Os melhores fundos de investimento do mundo têm uma rentabilidade média de 20% a 30% ao ano. Bons investidores conseguem manter uma rentabilidade média anual entre 30% e 50%. Ter como objetivo uma rentabilidade maior do que essa, principalmente se você estiver iniciando nessa atividade, é uma ilusão perigosa que pode levá-lo a perder grande parte do seu capital, ou mesmo, acabar devendo dinheiro.

Em renda variável jamais se deve investir mais do que se pode perder. Uma pessoa que precisará do seu capital para pagar contas ou empréstimos no curto prazo não pode assumir riscos, pois todo o capital e a sua rentabilidade estão comprometidos. Sendo assim, não pode fazer qualquer tipo de investimento de renda variável.

Caso coloque seu capital em risco, não poderá se dar ao luxo de perder, pois seu futuro estará à mercê do mercado. Seu nível de estresse será consideravelmente alto, o que fará com que perca toda a objetividade, tendendo a agir de maneira irracional e prejudicial ao seu próprio interesse. As decisões se tornarão emocionais, em razão de serem influenciadas pela obrigação de se ter que ganhar porque é preciso, bem como pelas dolorosas conseqüências psicológicas causadas por constantes prejuízos.

“Não pense no que o mercado fará, pois você não tem controle algum sobre isso. Pense no que você vai fazer diante do inesperado”.

William Eckhardt

Quem não tem tempo para estudar e para acompanhar o mercado também não deve assumir grandes riscos em renda variável, mesmo apesar de poder (possuir o capital para tanto). No nosso ponto de vista o investidor deve operar de acordo com suas possibilidades no que diz respeito a tempo, capital, profissão e perfil psicológico. Ponderar sobre estes aspectos irá ajudá-lo a definir em quais mercados você irá investir e quais estratégias estará disposto a realizar na busca de seu objetivo de rentabilidade.

Para uma rentabilidade de 30% a 50% ao ano, você pode comprar ações e fazer uma renda extra alugando-as, por exemplo. Contudo, haverá a necessidade de estudar o mercado e os fundamentos, além  de acompanhar a sua carteira de ações quase todos os dias, ainda que por poucos minutos.

Dobrar o capital num ano é o sonho de qualquer investidor. Por mais ambicioso que possa ser, e deve ser, se existe uma maneira de realizar este sonho é especulando nos mercados de renda variável. Infelizmente, para aqueles que não estudam ou que não tem disciplina o sonho pode se tornar um pesadelo. Ao invés de aumentarem seu capital poderão perder uma parcela significativa deste, ou mesmo, todo ele.

A única maneira de se atingir tal retorno é aumentando os riscos e o trabalho. Assim, se seu objetivo for uma rentabilidade superior a 50% você deve investir uma quantidade de dinheiro que não seja de grande necessidade para você, pois para atingir tal retorno terá que expor este capital a riscos bem mais altos, seja de grandes oscilações no preço do ativo ou da alavancagem da sua posição.

Dificilmente você conseguirá isso apenas comprando ações. Será necessário buscar ativos ou estratégias com potenciais de rentabilidade muito superiores, que conseqüentemente irão expor seu capital a um risco maior, tal como estratégias com margem ou alavancadas, operando no mercado a termo, de opções ou de futuros, os quais necessitam acompanhamento constante e grande dedicação.

Assim, será preciso aplicar um grande esforço para se obter um grande resultado. E se você não sabe lidar com perdas e não estiver disposto a arriscar mais no intuito de ganhar mais, não opere derivativos!

A maioria das pessoas que entram no mercado tem a expectativa de que em pouco tempo estará sabendo operar bem e ganhando muito dinheiro. Isso ocorre principalmente com aqueles que entram no mercado durante uma forte tendência de alta, quando todas as operações acabam dando certo, afinal, a tendência principal do mercado é de alta.

Isso cria nessas pessoas a sensação de que é fácil fazer dinheiro no mercado. Essa ganância de principiante as induz a operarem cada vez mais e a aumentarem a quantidade de dinheiro em cada operação, ignorando o risco e o gerenciamento do capital, afinal de contas, todo mundo está ganhando.

Tal ilusão é mantida até o momento em que a tendência do mercado virar, revelando a verdade e destruindo o capital da massa desinformada. A história se repete de tempos em tempos e faz com que muitas pessoas destruam a poupança de uma vida inteira. A grande verdade é que aprender a operar no mercado custa tempo e dinheiro.

“O otimista perde muito, o pessimista ganha pouco, seja realista!”

Investimentos de Renda Fixa

Pessoas que têm o hábito de poupar ainda quando jovens, periodicamente fazendo novas aplicações em seus investimentos, conseguem acumular um grande patrimônio no final de 20 a 30 anos, colocando os juros compostos para trabalhar a seu favor. Por isso, procure poupar periodicamente um determinado percentual de tudo que você ganha. Aqueles que deixam para guardar o que sobra apenas ao final do mês tendem a gastar de mais, não sobrando nada para poupar.

Antes de decidir onde investir o dinheiro que você poupar é preciso definir o horizonte do investimento. Caso você precise desse capital no curto prazo, num intervalo de 1 a 3 meses, o ideal para você será investimentos de liquidez diária, tais como CDBs e CDIs pós-fixados e caderneta de poupança. Para horizontes de longo prazo, a partir de 6 meses, valerá a pena abrir mão da liquidez diária em investimentos que lhe proporcionarão maior rentabilidade, tais como títulos públicos, debêntures, CDBs prefixados e fundos de renda fixa.

“Se você é capaz de distinguir entre o bom e o mau conselho você não precisa de conselho.”

Outra questão importante é que não basta poupar, é preciso saber investir o seu dinheiro. Independente de estar na renda fixa ou na variável, um incremento de 1% ao ano na rentabilidade anual de um investimento durante 20 anos fará uma expressiva diferença no montante final atingido. Em razão disso, você deve sempre ficar atento às taxas de administração cobradas pelos bancos, corretoras e administradoras de fundos de investimento.

Pequenas diferenças nas alíquotas das taxas cobradas, bem como na taxa de retorno oferecida, farão grande diferença na rentabilidade do investimento quando projetadas num horizonte de alguns anos. E também se torna fundamental pesquisar investimentos mais vantajosos e que apresentem melhor rentabilidade no longo prazo, como é o caso daqueles que remuneram através de juros compostos tal como o CDI. Títulos públicos e debêntures, por outro lado, remuneram através de juros simples.

Em qualquer tipo de investimento é fundamental fazer com que os juros trabalhem a seu favor. Estes representam a remuneração dada pelo aporte do capital. Os juros podem ser capitalizados segundo os regimes simples ou compostos (juros sobre juros). No juros simples somente o principal rende juros, o saldo cresce em progressão aritmética, ou seja, só valor inicial investido rende juros. É o caso dos títulos públicos e de algumas debêntures.

No caso dos juros compostos, após cada período os juros pagos são incorporados ao capital inicial, proporcionando juros sobre juros. Neste caso, o saldo total do investimento cresce em progressão geométrica, ou seja, além do principal, os retornos obtidos também são corrigidos pelos juros do período subseqüente. É o caso da poupança e da maioria dos CDB’s, CDI’s, LCA’s e LCI’s.

“A sociedade produziu uma revolução na medicina que aumentou a vida do homem, mas ela não foi capaz de criar uma revolução financeira que a sustentasse com dignidade”.

John F. Kennedy

A avaliação desses fatores é fundamental para quem investe em renda fixa, pois o horizonte desses investimentos é de longuíssimo prazo. Altos custos com taxas de administração e impostos, juntamente com a depreciação causada pela inflação, podem acabar com a rentabilidade de um investimento de renda fixa, ou mesmo, fazer com que tenha um resultado negativo no longo prazo, caso a depreciação causada pela inflação, taxas e impostos seja maior do que o retorno obtido através dos juros.

Esse é o maior risco do investimento de renda fixa, a baixa rentabilidade. No longo prazo isso pode fazer com que você não atinja seu objetivo de rentabilidade. O Brasil vive um momento de corte de juros, aumento da inflação e estímulo ao endividamento. Quando descontados o imposto de renda e as taxas de administração, com o passar dos anos investir em renda fixa praticamente significa perder dinheiro.

O aumento da inflação reduz o retorno de qualquer investimento, principalmente em ativos de renda fixa, e por diversas vezes os governos mostraram que perderam o controle da inflação, levando a economia dos países a processos hiper-inflacionários. Portanto lembre-se: Seus investimentos terão que lhe render no mínimo a inflação do ano para que você fique no “zero a zero”, o que atualmente será muito difícil de se conseguir apenas com investimentos de renda fixa.

Uma solução é investir em renda variável, mas trabalhando com um horizonte mais longo (5 a 10 anos). No curto prazo a volatilidade e os movimentos de correção da tendência dos preços são tantos, que dificilmente alguém que não acompanhe e não estude o mercado conseguirá ganhar dinheiro de forma consistente, sendo comprovado que aqueles investidores que mantém posições de longo prazo têm maior rentabilidade do que a maioria dos “jogadores” de curto prazo. Quanto menor o horizonte de um investimento de renda variável, maior a dificuldade em tentar predizer o que irá acontecer e, consequentemente, de se obter sucesso operando no mercado com grande frequência.

De fato, a maioria dos investidores que operam hoje no mercado possui ou possuía investimentos de renda fixa. Começaram poupando e investindo em renda fixa, e a partir de certo momento, foram aos poucos assumindo riscos no mercado de renda variável em busca de uma maior rentabilidade.

Tenha sempre em mente que mais importante do que a escolha dos ativos em que você vai investir é saber balancear bem seu patrimônio. Isso quer dizer definir percentuais para investimento de renda fixa e de renda variável, bem como realocá-los de acordo com os seus desempenhos ao longo do tempo e ajustá-los às mudanças no ciclo econômico.

Não existe uma proporção padrão que se aplique a todos os perfis de investidor. O mais importante é nunca destinar para renda variável aquele capital que você irá precisar no curto prazo. Evite empenhar toda sua economia e de seus familiares e esteja preparado para perder, pois o mercado é o que ele é, não é o que você quer que ele seja ou o que você está precisando que ele seja.

“Toda ideia revolucionária provoca três estágios:’
1. ‘é impossível – não perderei meu tempo.’
2. ‘é possível mas não vale o esforço.’
3. ‘eu sempre disse que era uma boa ideia”.

Poupança, CDB, CDI, LCI e LCA

O termo “renda fixa” diz respeito aos investimentos em que se conhece previamente o fator de rentabilidade que será conferido ao valor aplicado. Nesse caso, o rendimento pode ser pós ou prefixado. Os investimentos de renda fixa e os títulos públicos além de possuírem elevada liquidez possuem baixo risco para o investidor, logicamente, ao custo de uma baixa rentabilidade. As pessoas que buscam esses investimentos de uma maneira geral estão “comprando” segurança, a garantia de que o investimento terá rentabilidade e a qualquer momento poderá ser resgatado. Portanto, segurança significa saber o que vai acontecer, é a “ausência” de risco e  de excitação.

Alguns investimentos de renda fixa, assim como os títulos públicos, oferecem uma maior rentabilidade quando a data de resgate ou de vencimento seja predeterminada. Por isso, é importante saber se as taxas de retorno do investimento estão atreladas a prazos de carência. Caso estejam, o custo desse maior retorno será a liquidez, pois se for necessário um resgate antecipado a rentabilidade ficará prejudicada, e no caso dos títulos públicos e programas previdências privadas, o valor resgatado poderá ser até mesmo menor do que o valor investido caso o preço de mercado do título que fora comprado se desvalorize ou em razão da elevada alíquota de impostos que incidem sobre o resgate dos planos de previdência privada.

O imposto de renda cobrado sobre os rendimentos dos investimentos de renda fixa e do Tesouro Direto incide na fonte, na data de vencimento ou do resgate da aplicação. A alíquota é regressiva de acordo com o prazo de permanência dos recursos. Quanto mais tempo os recursos permanecerem aplicados, menor será o percentual do imposto de renda cobrado.
Até 180 dias 22,5%.
De 181 a 360 dias 20,0%.
De 361 a 720 das 17,5%.
Acima de 720 dias 15,0%.

Com exceção da poupança, existe incidência de IOF nos resgates realizados antes de 30 dias, limitado ao rendimento da aplicação. A partir do trigésimo dia a aplicação fica isenta da cobrança de IOF. Existe uma enorme gama de investimentos de renda fixa, os principais são as cadernetas de poupança, os CDBs, Fundos DI, Fundos LCI ou LCA, alguns debêntures e alguns títulos do Tesouro Nacional.

Caderneta de Poupança – O valor investido é corrigido a cada período de 30 dias pela Taxa Referencial (TR) do período e remunerado com uma taxa de juros de 0,5% ao mês. Podem ser resgatadas sem perda da remuneração a cada “aniversário” de 30 dias, a partir da data da aplicação. A nova regra das cadernetas de poupança determina que quando a taxa Selic ficar igual ou menor que 8,5% ao ano, o rendimento anual da Poupança passará a ser 70% da taxa Selic + TR. Além disso, os rendimentos da caderneta de poupança são isentos de imposto de renda.

“Toda vez que você se encontrar do lado da maioria, é hora de parar e refletir”.

Mark Twain

CDB - Certificados de Depósito Bancário – São títulos nominativos emitidos pelos bancos e vendidos ao público como forma de captação de recursos. A rentabilidade dos CDBs é expressa em forma de um percentual da taxa de juros de mercado, o CDI. Os CDBs podem ser prefixados ou pós-fixados.

O fator de rentabilidade dos prefixados leva em consideração o valor que foi aplicado e o prazo de vencimento do investimento. Assim, existe um prazo mínimo para manter a aplicação, quanto maior o prazo de vencimento, maior a taxa de rentabilidade. Quando resgatados num prazo menor do que aquele mínimo previsto (30, 60 ou 90 dias) a rentabilidade estabelecida ficará comprometida.

No caso dos CDBs pós-fixados a sua liquidez pode ou não ser diária. A diferença é que a rentabilidade está vinculada ao desempenho de indicadores como os Certificados de Depósito Interbancário (CDI) ou a Taxa de Referência (TR), e ainda, ao percentual contratado no momento da aplicação.

A taxa de remuneração dos CDBs CDIs e LCIs, em geral, são um pouco abaixo da Taxa Referencial SELIC definida pelo COPOM e são calculadas com base em dias úteis, ou seja, 252 dias por ano. O principal risco envolvido é a mudança na taxa de juros e tem a seguinte lógica predominante: se a taxa de mercado, na hora do resgate for maior que a contratada, o investidor deixou de ganhar dinheiro; se for menor, garantiu rendimentos acima da taxa atual.

Como a rentabilidade no caso dos prefixados é determinada na hora da aplicação, o investidor saberá previamente o quanto irá receber no vencimento. Isso o protege de uma redução na taxa de juros, pois uma rentabilidade maior foi garantida no momento da aplicação. Por outro lado, havendo um aumento na taxa de juros os CDBs pós-fixados oferecerão um rendimento maior ao investidor do que os prefixados. Outra vantagem do CDB, DI e da caderneta de poupança é que normalmente não existe cobrança de taxa de administração para esses investimentos.

Portanto, o investidor ao escolher um CDB deve ponderar sobre a relação entre liquidez e rentabilidade, levando em consideração dois importantes fatores, o percentual do CDI que a aplicação irá pagar e o tempo mínimo previsto para vencimento. Caso ele não precise do valor a se aplicado numa data próxima, CDBs com vencimentos mais longos serão mais interessantes do que os que possuem liquidez diária. Para despesas imediatas e capital de giro, o aspecto da liquidez deve preponderar sobre o aspecto da rentabilidade, logo, CDBs com liquidez diária serão mais indicados.

RDB - Recibo de Depósito Bancário – Possui as mesmas características de um CDB, sendo que este não pode ser negociado antes do vencimento, ou seja, o RDB não tem liquidez antes do vencimento. Se o investidor precisar do recurso antes do vencimento, em casos excepcionais o RDB poderá ser cancelado, o que acarretará ao investidor a perda de todo o rendimento, recebendo apenas o valor do principal.

CDI – Certificado de Depósito Interbancário – São títulos emitidos pelos bancos como forma de captação ou aplicação de recursos excedentes. Caso haja descasamento, uma outra instituição financeira que possua excesso de recursos empresta para aquela instituição que tenha falta de recursos. São aplicações com prazo de 1 dia útil cujo objetivo é melhorar a liquidez de uma determinada instituição financeira. A taxa média diária do CDI de um dia é utilizada como referencial para o custo do dinheiro (juros). Por esse motivo, essa taxa também é utilizada como referencial para avaliar a rentabilidade das aplicações em fundos, a qual é repassa diariamente para seus investidores.

Os CDBs pós-fixados indexados ao CDI são empréstimos que investidores fazem ao banco ou corretora, em troca de determinados percentuais do CDI. O que algumas instituições fazem é aumentarem gradativamente o percentual do CDI pago à medida que aumenta o tempo de permanência do investimento no produto.

LCI – Letra de Crédito Imobiliário – São títulos de renda fixa baseados em empréstimos imobiliários. O lastro de uma LCI são imóveis dados em garantia em financiamentos imobiliários, e com base no valor destes bens, a instituição emite as LCIs. Este lastro é o que garante a operação de crédito e, portanto, o pagamento do valor tomado como empréstimo e o juro da operação. Os depósitos dos investidores são emprestados a terceiros pela instituição, a qual distribui parte da renda que obtém através dos juros para seus cotistas de acordo com os termos da LCI.

LCA - Letra de Crédito Agrícola – São títulos de renda fixa baseados em empréstimos contraídos no setor do agro negócio. Esses títulos são lastreados em direitos creditórios originários de negócios realizados por agentes da cadeia produtiva do agro negócio. A instituição financeira utiliza os recursos de seus cotistas como fonte de empréstimos para o setor do agro negócio. Os créditos e ativos do produtor, tal como a receita da venda da safra por exemplo, ficam vinculados como garantia para o cumprimento dos pagamentos referentes ao empréstimo. Parte do resultado dos juros obtidos pela instituição é repassado aos cotistas conforme os termos e o regulamento da LCA.

LCI’s e LCA’s funcionam como um CDB e podem ter sua rentabilidade prefixada ou indexada ao CDI com liquidez diária. Dessa forma, as LCIs são ativos de renda fixa, bem diferentes dos fundos de investimento imobiliário, os quais são ativos de renda variável. O diferencial dessa categoria de investimento é a isenção do Imposto de Renda e do IOF para pessoas físicas.

Os valores investidos em poupança, CDB, CDI, LCA e LCI são remunerados por juros compostos, diferente dos investimentos em títulos públicos e debêntures, os quais remuneram o valor inicial semestralmente, anualmente ou apenas no vencimento.

“As pessoas se dividem entre aquelas que poupam como se vivessem para sempre e aquelas que gastam como se fossem morrer amanhã”.

Aristóteles

Títulos Públicos e Privados

A análise da rentabilidade de um título implica dimensionar em valores absolutos o fluxo dos rendimentos futuros oferecidos por cada título e compará-los. É avaliar a renda futura que o capital aplicado possa gerar, buscando sua maximização dentro do horizonte de tempo do investimento. Isso exige a comparação com as demais alternativas existentes no mercado para que a decisão tomada seja a mais interessante para o investidor.

Debêntures – São títulos privados de renda fixa ou variável emitidos por sociedades anônimas. São empréstimos contraídos pela empresa com os investidores a médio ou longo prazo para o financiamento dos seus negócios e garantidos pelo ativo da empresa. No caso de debêntures não conversíveis em ações, o empréstimo é liquidado financeiramente no prazo previsto. Quanto às debêntures conversíveis em ações, o investidor poderá optar pela conversão de seu valor em ações.

Todo o capital investido por uma empresa em seu patrimônio, seu ativo fixo, pode ser transformado em ativo líquido através do mercado de capitais. A empresa pode, com base no seu ativo fixo, emitir Debêntures no mercado, buscando assim recursos para aumentar o seu capital de giro. Estas obrigações emitidas passam a serem negociadas em mercado secundário, transformando-se em ativos de boa liquidez para seus proprietários. Desta forma, o capital fixo da empresa passa a ser representado por ativos financeiros, de razoável liquidez, e o dinheiro entra para a empresa por um prazo médio, longo, ou mesmo, indeterminado, dependendo da natureza do título emitido, aumentando o seu capital de giro e o volume de suas transações.

Para emitir uma debênture uma companhia deve escolher uma instituição financeira para estruturar e coordenar todo o processo de emissão. É essa instituição que fará o underwriting da debênture, ou seja, o seu lançamento no mercado primário. O investidor ao adquirir a debênture torna-se um debenturista, ou seja, um credor da companhia emitente, tendo seu investimento remunerado de acordo com as condições e os prazos definidos na escritura de emissão da debênture.

Uma debênture possui um rating de classificação, efetuado por uma empresa especializada independente (agência de rating), que reflete sua avaliação sobre o grau de risco envolvido em determinado instrumento de dívida. No caso de uma emissão de debêntures, a agência avalia a probabilidade da companhia emissora não honrar os compromissos financeiros assumidos na escritura de emissão (risco de default).

Na escritura de emissão de uma debênture estão descritas as condições sob as quais ela será emitida, tais como direitos conferidos pelos títulos, deveres da emissora, montante da emissão e quantidade de títulos, datas de emissão e vencimento, condições de amortização e remuneração, juros, prêmio etc. A data de resgate de cada título deve estar definida na escritura de emissão. A companhia pode ainda emitir títulos sem vencimento, também conhecidos como debêntures perpétuas.

É permitido a repactuação das condições de uma debênture para que a companhia adeque seus títulos periodicamente às condições vigentes no mercado. Na repactuação a emissora está obrigada a recomprar os títulos dos debenturistas que não aceitarem as novas condições propostas. Os debenturistas têm proteção legal por meio da escritura de emissão e do agente fiduciário.

O preço de mercado de uma debênture é calculado atualizando-se o preço de emissão do título conforme as condições descritas na escritura de emissão, podendo a rentabilidade do título ser fixa, variável, ou ainda, uma combinação de ambos, quando a rentabilidade fica vinculada a uma participação dos lucros da empresa ou à algum indicador econômico.

Tanto as debêntures não conversíveis como as conversíveis podem ser negociadas no mercado secundário a qualquer momento, o que garante o resgate antecipado do valor investido e a liquidez dos ativos. O fator de rentabilidade de uma debênture pode ter como base os coeficientes fixados para corrigir títulos públicos (Selic, IPCA), variação da taxa cambial ou outros referenciais, tal como o CDI.

É muito comum a combinação de uma taxa de juros prefixada acrescida da taxa anual algum indexador, IPCA, IGP-M, etc. De maneira geral, quanto maior for a percepção de risco de uma empresa, maior será a remuneração que suas debêntures pagarão ao investidor. Da mesma forma, as debêntures com prazos de resgate mais longos também oferecerão uma maior rentabilidade.

Assim, o valor nominal atualizado de uma debênture equivale ao seu preço de lançamento acrescido da rentabilidade do período apurado, a qual é definida pela taxa de juro que o título foi negociado no mercado no momento de seu lançamento (taxa de juro nominal).  Como exemplo, o preço de uma debênture indexada à taxa Selic sofrerá influencia direta caso haja variação dessa taxa.

Se a taxa de juros subir o seu valor no mercado secundário será inferior ao seu valor nominal. Se a taxa de juro cair o seu valor de negociação será maior que o nominal. Assim como nos títulos públicos, o investidor poderá então obter um retorno maior ou menor ao acordado no momento da compra, caso realize uma venda antecipada da debênture.

No Brasil as debêntures ainda não estão muito popularizadas entre os investidores pessoa física. Apesar de haver um grande volume de dinheiro captado pelas empresas de capital aberto através do lançamento de debêntures, a grande heterogeneidade desses títulos e seu baixo incentivo para o pequeno investidor fazem com que sejam majoritariamente adquiridos por investidores institucionais através de operações de larga escala, o que reduz o número de negociações no mercado secundário e, consequentemente, diminui sua liquidez. Outro fator que gera desinteresse por parte do pequeno investidor é a dificuldade em calcular os preços “justos” das debêntures, devido ao grande número de variáveis envolvidas.

A emissão de debêntures mais homogêneas, cujo retorno estivesse atrelado à taxa SELIC mais um bônus anual por exemplo, juntamente com a pulverização em pequenos lotes na sua emissão, possibilitaria o aumento da liquidez, aumentando assim a demanda por estes títulos entre investidores pessoa física. Portanto, sendo as debêntures ativos com menor liquidez em relação à ações, o investidor deverá ficar atento às condições de mercado quando desejar vender uma debênture antes de seu vencimento.

“Na vida as coisas são simples. São as pessoas que as complicam”.

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Títulos Públicos – São títulos emitidos pelos governos federal, estadual e municipal para se financiarem e cobrirem suas despesas. São chamados de títulos de dívida pública. Entre os principais títulos públicos federais estão as Notas do Tesouro Nacional, Letras do Tesouro Nacional e as Letras Financeiras do Tesouro. Um título do Tesouro é um título público emitido pelo Tesouro Nacional e constitui parte da dívida pública do país. Já o CDB e as Debêntures são títulos privados, ou seja, emitidos por instituições financeiras privadas.

Ao contrário do que muitos acreditam a maioria dos títulos públicos não são investimentos de renda fixa assim como a poupança e o CDI. O preço de cada título além de ser definido a mercado em função da maior ou menor demanda, sofre influência direta por variações dos indexadores, tais como mudanças na taxa básica de juros e outros índices como inflação (IPCA) e IGP-M. Quanto maior o prazo de vencimento de título, maior será influência dessas variações em seu preço.

No caso da venda antecipada do título pelo investidor, o Tesouro Nacional recompra o título com base em seu valor de mercado. Caso o investidor mantenha seu título até o vencimento, receberá a rentabilidade pactuada no momento da compra, independentemente das condições de mercado.

No momento da compra de um título público é cobrada uma taxa de negociação de 0,10% sobre o valor da operação. Há também uma taxa de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos referente à custódia dos mesmos e às informações e movimentações dos saldos, cobrada a cada semestre ou no encerramento/vencimento da posição. Essa taxa é cobrada proporcionalmente ao período em que o investidor mantiver o título a cada semestre ou no encerramento da posição, sendo calculada até o saldo de R$ 1.500.000,00 por conta de custódia.

Os agentes de custódia (corretoras) também cobram taxas de serviços livremente acordadas com os investidores. As taxas cobradas por instituição estão disponíveis para consulta no site do Tesouro Direto, devendo o investidor confirmá-las no momento da contratação. Algumas corretoras não cobram taxa de serviço sobre operações no Tesouro Direto, o que torna esse tipo de investimento muito atraente dado o baixo valor das taxas de administração em relação a investimentos em fundos de renda fixa. Dentre os principais aspectos dos títulos públicos estão:

Valor de Face ou Valor Nominal:  Representa o montante que o proprietário do titulo ira receber quando este vencer. No caso dos títulos prefixados (LTN e NTN-F) o valor de face é de R$ 1000,00. Já no caso dos pós-fixados indexados ao IPCA (NTN-B, NTN-B principal e NTN-C) ao IGP-M (NTN-C) e à taxa SELIC (LFT), o valor pago no momento da compra é atualizado por esses índices ao longo do tempo e no seu vencimento o investidor recebe o valor de mercado do título.

Valor de Mercado:  É o preço que o título está sendo negociado atualmente no mercado. Caso o investidor o venda antes do seu vencimento, será esse valor que receberá.

Data de Vencimento: É a data prevista para o pagamento do valor de face do título, momento em que o investimento está marcado para ser encerrado e o título deixará de existir. Contudo, nada impede que qualquer título seja vendido antecipadamente pelo preço de mercado. Os 6 dígitos que acompanham o código do título identificam sua data de vencimento. Ex NTN-F010117 – Nota do Tesouro Nacional série F com vencimento em 1º de janeiro de 2017. O vencimento ocorre automaticamente, sendo o valor de face/mercado depositado na conta do investidor com seu agente de custódia.

Cupom de Juros: Valor pago semestralmente referente aos juros dos títulos NTN-F, NTN-B e NTN-C. Funciona como uma receita periódica para o investidor, esse valor é pago sobre o valor de compra do título e a sua taxa é acordado no momento da compra. No caso de uma NTN-F 010117 com taxa de 10% a.a., o pagamento dos juros ocorrerá nos dias 1º de janeiro e 1º de julho de cada ano, 5% em cada período.

Os títulos prefixados NTN-F recebem um cupom fixo de juros semestral. Os títulos pós-fixados NTN-B recebem um cupom variável de juros semestral. Uma parte do juros da NTN-B se refere a taxa acordada no momento da compra (parte fixa) e a outra se refere ao resultado do indexador  no período (parte variável).

No caso dos demais títulos (LTN, LFT e NTN-B Principal) não ocorrem o pagamento semestral de juros. O valor pago pelo título no momento da compra é corrigido com o passar do tempo pelo seu indexador e pela taxa de juros acordada. No seu vencimento ou na venda antecipada  o investidor receberá o preço de mercado do título, tendo sido todo o seu rendimento embutido no seu preço. Vale ressaltar que nesses títulos a alíquota de IR incide apenas uma vez, no momento da venda ou no vencimento do título, sendo um diferencial vantajoso no longo prazo em relação aos títulos que pagam cupons semestrais.

“Se você não estiver gostando do andamento do mercado ou não tem nenhuma boa razão para comprar, nunca é tarde demais para vender e embolsar o dinheiro”.

Com relação à liquidez, o investidor pode comprar títulos públicos a qualquer dia. Porém, os títulos não possuem liquidez diária para a venda, a recompra dos títulos pelo Tesouro Nacional ocorre somente às quartas-feiras (e eventualmente também em quintas, quando há reunião do COPOM). Existem basicamente dois tipos de títulos públicos, os pós-fixados e os prefixados. Nos títulos prefixados toda a rentabilidade é definida no momento da compra, são eles:

LTN – Letra do Tesouro Nacional – Possui fluxo de pagamento simples, ou seja, o investidor faz a aplicação e recebe o valor de face (valor investido somado à rentabilidade) na data de vencimento do título. O valor de vencimento de uma LTN é de R$ 1000,00. Logo, um investidor que compre uma LTN em 01/01/2012 com vencimento em 01/01/2013 e com taxa de 10,10% ao ano por R$ 908,63, terá acumulado R$ 91,77 de juro até essa data de vencimento.

Apesar do preço desse título ser definido a mercado, dado seu menor prazo de vencimento em relação aos demais títulos, uma LTN sofre pouca influência das variações da taxa de juros. Os títulos de curto prazo apresentam maior estabilidade com relação à flutuação da taxa de juros, sendo o impacto de sua elevação ou de sua redução diluído por um prazo de vencimento muito pequeno.

Dessa maneira, o preço das LTNs tende a se valorizar diariamente com o passar do tempo, sendo o valor de vencimento (R$ 1000,00) garantido para quem mantiver o título até tal data. Dificilmente um investidor terá prejuízo caso faça uma venda antecipada de uma LTN. Abaixo temos um gráfico do preço de mercado de uma LTN com vencimento em janeiro de 2012. Seu preço de emissão foi de R$ 736,92 a uma taxa de 11,41% ao ano.

NTN-F - Notas do Tesouro Nacional – São títulos prefixados que possuem maiores prazos de vencimento em relação às LTNs. O pagamento dos juros ocorre semestralmente na conta do investidor e o valor de vencimento também é de R$ 1000,00. Ao longo do semestre o valor do título é acrescido dos juros, em janeiro e julho este valor é descontado do título e pago diretamente na conta do investidor em sua corretora.

Por exemplo, um investidor que comprou uma NTN-F em 01/01/2011 com vencimento em 01/01/2017 e com taxa de 12,13% ao ano por R$ 915,92, receberá o valor de R$ 1000,00 na data de vencimento. Além disso, a taxa de rentabilidade acordada será paga semestralmente durante esse período de 6 anos sob a forma de cupom semestral no valor de R$ 55,50 por semestre.

Em razão do seu prazo de vencimento ser mais longo, o preço de uma NTN-F sofre grande influência de mudanças na taxa de juros. Havendo corte na taxa de juros, o valor de mercado do título irá se valorizar e, havendo aumento, irá se desvalorizar. Para aqueles que pretendem garantir uma taxa fixa de juros e carregar esse título até seu vencimento essa variação no seu preço de mercado não será tão importante.

Entretanto, caso o investidor queira vender uma NTN antes de seu vencimento poderá ter prejuízo caso o preço de mercado no momento da venda estiver abaixo do preço em que comprou o título. Assim, para quem pretende vender o título antes do vencimento, o ideal é comprá-lo quando a taxa de juros estiver em viés de baixa, pois o potencial de aumento no preço de mercado do título será maior.

Por outro lado, a inflação afeta diretamente todos os títulos prefixados, pois seu aumento faz com que o retorno real do título diminua. Por exemplo, um título prefixado que paga uma taxa de 12% ao ano num cenário de inflação de 6%, terá uma rentabilidade nominal de 6%. Caso a inflação aumente para 8% ao ano, essa rentabilidade diminuirá para 4%.

Vale ressaltar que o preço de mercado de uma NTF pode ultrapassar o seu valor de face, situação em que será mais vantajoso para o investidor vendê-la quando próximo da data de vencimento, pois no vencimento receberá do Tesouro Nacional R$ 1.000,00 pelo título, independente de seu preço de mercado estar acima ou abaixo desse valor.

Abaixo temos o gráfico do preço de mercado de uma NTN-F com vencimento em janeiro de 2017. É possível observar a grande variação de seu preço de mercado em função das alterações na taxa de juros e do pagamento dos cupons semestrais de juros.

“O risco é uma escolha e não um destino”.

MercadoReal

De forma resumida, os títulos prefixados garantem uma rentabilidade fixa até seu vencimento, definida no momento da compra. Em razão disso, não protegem o investidor contra elevações da taxa de juros ou da inflação, sujeitando-o à perda de seu poder aquisitivo caso isso ocorra.

Por outro lado, num cenário econômico de corte de juros ou de queda da inflação, o investidor se protegerá melhor com títulos prefixados, pois terá travado a taxa de juros mais alta no momento da compra do título, garantindo uma rentabilidade maior no longo prazo.

Os títulos pós-fixados, por sua vez, possuem prazos de vencimento muito maiores do que os prefixados. Maiores prazos significam, portanto, maior sensibilidade às variações de preços provocadas por variações nas taxas de juro e na inflação. Essa maior sensibilidade se aplica tanto para aumentos como para reduções da taxa de juros e da inflação. 

Nesses títulos parte da rentabilidade é definida no momento da compra e outra fica vinculada a algum indicador. Atualmente eles são vinculados à variação da inflação anual (IPCA) ou do IGP-M, acrescida dos juros definidos no momento da compra, ou, vinculados à taxa Selic.

Assim, a rentabilidade nominal é incerta, pois depende da evolução do indexador, e no caso das NTN-Bs, os títulos ficam sujeitos à volatilidade no mercado secundário, em função das expectativas dos agentes financeiros com relação à inflação e à taxa Selic. Já as LFTs não sofrem com a variação do preço de mercado assim como ocorre com as NTN-F e mais ainda com as NTN-B, apenas a sua rentabilidade aumentará ou diminuirá de acordo com a variação na taxa de juros. Os títulos pós-fixados são:

NTN-B Principal – Notas do Tesouro Nacional – Série B – Principal – Assim como as LTN, possuem fluxo de pagamento simples. O investidor faz a aplicação e recebe o valor de face na data de vencimento do título (valor investido somado à rentabilidade acordada no momento da compra acrescida do IPCA anual). O pagamento é único e é feito na data de vencimento.

Por exemplo, um investidor que comprou uma NTN-B Principal em 13/12/2012 com vencimento em 15/05/2035 pactuou uma taxa de 4,19% ao ano, acrescida do IPCA anual durante o período.

NTN-B - Notas do Tesouro Nacional – Série B – Assim como as NTN-F, o pagamento do juro acordado acrescido do IPCA ocorre semestralmente na conta do investidor, o qual receberá o valor de mercado do título na data do vencimento.

Por exemplo, um investidor que comprou uma NTN-B em 13/12/2012 com vencimento em 15/05/2035 pactuou uma taxa de 3,93% ao ano, acrescida do IPCA anual durante o período. Semestralmente será pago o cupom de juros referente a taxa de 1,96%, acrescida do IPCA do último semestre.

A rentabilidade dos títulos indexados à inflação é composta por duas partes – uma variável e uma fixa. A parte fixa é o juro pactuado no momento da compra e a parte variável é o valor do IPCA anual. Diferente dos títulos prefixados, em que a variação na taxa de juros é o fator que mais influencia o preço de mercado dos títulos, nos títulos pós-fixados indexados à inflação, tanto a redução da taxa de juros como o aumento do IPCA fazem com que seu preço de mercado se valorize.

Ao contrário da NTN-B, a NTN-B principal não paga o juro + IPCA semestralmente, os quais são reinvestidos anualmente no próprio título, funcionando assim como um tipo de juros compostos, o que aumenta significativamente o retorno desse título no longo prazo. Isso porque o imposto de renda é pago de uma só vez sobre o total dos rendimentos, ao contrário dos títulos que pagam cupons semestrais, sobre os quais é descontada semestralmente a alíquota de IR, diminuindo a sua rentabilidade no longo prazo em relação aos títulos que não pagam cupom de juros.

No gráfico abaixo temos a evolução do preço de uma NTN-B principal com vencimento em 2035. Esse título obteve uma grande rentabilidade entre 2011 e meados de 2012 em função de um cenário de redução da taxa de juros e aumento da inflação.

NTN-C – Notas do Tesouro Nacional Notas do Tesouro Nacional – Série C – Segue as mesmas regras da NTN-B, mas é indexado ao IGP-M. O pagamento do juro acordado é acrescido da variação do IGP-M e ocorre semestralmente na conta do investidor, o qual receberá o valor de mercado do título na data do vencimento.

Em condições inflacionárias normais os títulos do Tesouro Direto indexados ao IPCA fornecem uma boa proteção contra a inflação, proporcionando assim uma rentabilidade real, ou seja, o seu rendimento supera o IPCA no final do período de vigência. Por essa razão, é bastante indicado para investidores que têm interesse na formação de poupança de longo prazo, pois garantem a rentabilidade real, ou seja, o valor investido será corrigido pela inflação do período. E conforme dito anteriormente, a inflação é o fator que causa a diminuição do poder aquisitivo ao longo do tempo.

Contudo, o fato é que na prática o cálculo dos índices de inflação, além de ser arbitrário e controverso, não corresponde à inflação dos bens que são consumidos ou adquiridos pelo investidor. Ainda que esteja de certa forma melhor protegido com títulos pós-fixados, mesmo assim o investidor não terá uma proteção plena do valor real investido.

“O pessimista reclama do vento, o otimista espera que este mude de direção, o realista ajusta as velas do barco”.

William Arthur Ward

LFT - Letras Financeiras do Tesouro – São títulos cuja rentabilidade é vinculada à taxa Selic. Sua remuneração é dada pelo acúmulo da taxa SELIC diária registrada entre a data da compra e a data de vencimento do título. O pagamento é realizado por fluxo simples, o investidor recebe o valor investido acrescido dos juros na data do vencimento ou da venda do título. Seu valor de mercado é corrigido de acordo com a taxa Selic ao longo do tempo.

Apenas no caso das LFTs o valor do título não flutua em razão da variação na  taxa de juros, apenas sua rentabilidade. Ou seja, seu preço de mercado é sempre crescente, incorporando dia a dia os juros calculados com base na taxa SELIC.

Assim, o investidor que comprou uma LFT a R$ 1.000,00 e a taxa SELIC no momento da compra estava em 12% ao ano, caso o valor da SELIC se mantiver estável, ele terá um título com preço aproximado de R$ 1.010,00 no mês seguinte, pois o título incorporou os juros pagos naquele período, havendo pouco risco de flutuação do valor de face do título.

Caso haja redução da taxa Selic, a rentabilidade de uma LFT irá diminuir e, caso haja aumento, irá aumentar. Entretanto, seu preço de mercado nunca irá diminuir, apenas a sua rentabilidade é que irá variar de acordo com a evolução da taxa Selic. São mais indicados para investidores com extrema aversão ao risco, ou seja, aqueles que possam vir a precisar do valor investido em algum momento em breve, pois com esses títulos o investidor terá baixíssimo risco de que o preço de venda seja inferior ao preço de compra.

As LFT’s são títulos indicados principalmente para cenários econômicos com tendência de aumento na taxa de juros e redução da inflação, situação em que os preços de mercado dos demais títulos pós-fixados, bem como dos pré-fixados, diminuirão em razão dos sucessivos aumentos da Selic. Além disso, a rentabilidade de uma LFT irá aumentar de acordo com os aumentos da Selic, diferentemente dos demais títulos, os quais além de estarem proporcionando taxas menores em relação às atuais, terão seus preços de mercado prejudicados.

Num horizonte de longo prazo (acima de 3 anos), nenhum investimento de renda fixa proporcionará uma rentabilidade maior do que LTNs ou LFTs, ou ainda, maior do que a rentabilidade de um título pós-fixado. Abaixo temos o gráfico do preço de mercado de uma LTF emitida em 13/11/2006 com vencimento em 7/3/2012, o preço de mercado se valoriza diariamente de acordo com a taxa Selic do período.

Mudanças na taxa de juros causam significativos impactos na economia em razão da Selic ser utilizada pelos participantes do mercado para descontar fluxos de caixa futuros e capitalizar o valor de bens e investimentos. Assim, o valor dos diferentes ativos nos diversos setores da economia é alterado devido a movimentos na taxa de juros. Conforme a taxa de juros aumenta, os agentes passarão a vender ativos para obterem fundos para quitar dívidas, derrubando os seus preços.

Decisões de distribuição de dividendos, de alocação de investimentos de renda fixa e de renda variável são diretamente influenciadas pela taxa de juros em diversos aspectos, mas provavelmente o pior efeito de uma diminuição na taxa de juros é o aumento nos preços dos bens de capital, em outras palavras inflação. A inflação é um dos maiores riscos aos investimentos e muitas vezes não é observada por aqueles que focam apenas nos resultados nominais dos seus investimentos.

Em suma, diante de um cenário econômico de redução da taxa de juros e aumento da inflação, os títulos pós-fixados apresentarão rentabilidades anuais bastante superiores em relação aos demais títulos e a investimentos de renda fixa, da mesma forma que os títulos prefixados também apresentarão, porém, em menor razão. E quanto maior for o prazo do título maiores serão os efeitos sobre o seu preço, principalmente quando o IPCA estiver muito próximo, ou ainda, superior à taxa SELIC. O efeito desse cenário econômico sobre o preço de mercado dos títulos públicos pode ser muito bem observado na tabela abaixo:

Contudo, diante de um cenário de aumento da taxa de juros e redução da inflação, os preços de mercado nos títulos prefixados, e mais ainda nos pós-fixados, irão diminuir consideravelmente, podendo até mesmo fazer com que apresentem rentabilidades negativa no ano dependendo de qual for o prazo do título. Ou seja, em razão desse cenário a depreciação no preço de mercado do título pode acabar sendo maior do que valor recebido através de juros. Neste outro cenário econômico, seriam as LFT’s que protegeriam melhor o investidor, pois sua rentabilidade varia de acordo com a evolução da taxa SELIC.

“O verdadeiro risco nos investimentos é aquele que está por vir. Aquele que ainda não conhecemos”.

MercadoReal

Riscos Associados à Compra de Títulos Públicos

Independente do tipo de investimento, seja ele de renda fixa ou de renda variável, ao analisar uma oportunidade deve-se ter ciência de que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O preço de mercado de um título oscila de acordo com sua oferta e procura, bem como em razão da expectativa do mercado em relação aos indexadores (IPCA, Taxa Selic e IGP-M) e à evolução dos mesmos. Dessa forma, o fato de um título ter apresentado um determinado desempenho no passado não é garantia de que apresentará o mesmo no futuro.

Títulos de longo prazo apresentam maior instabilidade no curto prazo porque flutuações mínimas na taxa de juros ou nos indexadores IPCA e IGP-M incidirão sobre todo o rendimento desses títulos no longo prazo. Por exemplo, no caso de uma redução da taxa de juros, os preços de mercado dos títulos de longo prazo terão uma valorização maior em relação à dos títulos de curto prazo. Da mesma forma, no caso de um aumento na taxa de juros, os mesmos irão perder mais valor de mercado em relação aos títulos de curto prazo.

Essa relação inversa entre a variação na taxa de juros e o preço de mercado dos títulos se deve em razão de que havendo uma redução na taxa, os títulos se valorizam porque garantiram uma rentabilidade maior que a atual no momento em que fora adquiridos. O contrário ocorre quando há aumento na taxa, pois quando foram adquiridos os títulos garantiram uma rentabilidade menor que a atual.

Um momento de valorização nos preços dos títulos pré-fixados e mais ainda nos pós-fixados, resultante de sucessivos cortes na taxa de juros, é extremamente favorável para aqueles investidores comprados numa taxa pré-fixada maior. Cada corte na taxa de juro eleva os preços dos títulos em carteira, com maior ênfase nos títulos pós-fixados de maior prazo.

Contudo, em algum momento as consequências inflacionárias da política econômica forçarão uma alta de juros, o que terá um efeito inverso nos preços de mercado dos títulos pré-fixados, e ainda mais nos pós-fixados, cujos prazos são maiores. Os preços que haviam subido expressivamente virão a cair rapidamente, uma vez que o Banco Central para reduzir os preços e elevar os juros terá que vender no mercado cada vez mais títulos, pagando taxas maiores. Nesse cenário, os mais afetados serão aqueles investidores com títulos de prazos mais longos, tanto pré-fixados como pós-fixados. Nesta situação as LFT’s, indexadas à taxa Selic, oferecerão a melhor proteção para os investidores.

A rentabilidade informada no momento da compra é garantida pelo Tesouro Nacional se o investidor permanecer com o título até o seu vencimento. Caso seja necessário vender o título antes do vencimento o Tesouro Nacional pagará o seu valor de mercado. Logo, a rentabilidade poderá ser maior ou menor do que a contratada na data da compra, dependendo do preço de mercado no momento da venda.

Assim como acontece com a cotação de ações, os preços de mercado dos títulos oscilam muito, especialmente nos títulos de longo prazo. Para os investidores mais conservadores, acostumados com a renda fixa e a assistir a valorização constante e diária do valor investido de acordo com a evolução da taxa de juros, é inevitável sentir desconforto e insegurança ao constatar variações tão grandes nos preços de mercado dos títulos públicos. Em razão disso, antes de escolher que tipo de título comprar, é fundamental definir o horizonte da aplicação e qual título oferecerá a melhor proteção para a atual realidade econômica.

Ao investir em títulos públicos ou debêntures o investidor deve compreender o ciclo econômico pelo qual o país está passando, de forma que possa definir qual tipo de título será mais apropriado para a compra de acordo com a tendência da taxa de juros e da inflação. Além disso, é fundamental definir também até que ponto este título deixará de ser vantajoso em razão de mudanças na tendência dos indicadores econômicos, de forma a evitar a reversão do ciclo econômico a qual prejudicará a rentabilidade do investimento. Planejar eventuais trocas dos títulos em carteira  torna-se extremamente importante não apenas para o aumento da rentabilidade do investimento, mas principalmente para a proteção do patrimônio acumulado.

Uma maneira de melhorar o perfil de retorno do investimento em títulos públicos é a compra mensal. Compras regulares aproximam o investimento em títulos aos juros compostos da renda fixa, além de amenizar o efeito da oscilação dos preços, fazendo o preço médio no título. Essa estratégia juntamente com o aumento do valor investido mensalmente potencializa ainda mais o retorno do investimento com o passar do tempo. Dessa forma, no longo prazo os títulos públicos apresentarão maior estabilidade, além de oferecerem uma rentabilidade maior do que o CDI e os demais investimentos de renda fixa.

Uma outra maneira de investir em títulos públicos é através de fundos de renda fixa. Esses fundos aplicam no mínimo 80% do seu patrimônio em títulos prefixados e podem utilizar derivativos como proteção. Não é admitido alavancagem e nem risco em moeda estrangeira ou em renda variável. São muito procurados por investidores com aversão ao risco e que procuram a segurança de um investimento pré-fixado.

Contudo, um importante fator a ser avaliado por quem investe em fundos de investimento e títulos públicos é o imposto de renda. Nos fundos de renda fixa o IR incide semestralmente, o chamado “come-cotas”, e no momento do saque (quando o investidor paga a diferença entre o IR total devido e o que já foi recolhido pelo come-cotas).

No longo prazo o efeito dessa “antecipação” de IR é relevante, pois diminui o montante total investido e, consequentemente, afeta a rentabilidade ao longo do tempo. Já no caso dos títulos públicos, o investidor paga o IR apenas quando recebe algum cupom de juros e quando resgata o título. Os títulos públicos não têm o come-cotas semestral como nos fundos de investimento.

Além disso, outra desvantagem dos fundos de renda fixa são as altas taxas de administração e de performance, que somadas a inflação do período, podem acabar com a rentabilidade de um investimento de renda fixa. E conforme dito anteriormente, esse é o grande risco da renda fixa, o rendimento real ser zero, ou mesmo, negativo, e o capital investido ser depreciado pela alta inflação.

“A maioria das pessoas não planeja falhar. Falha por não planejar.”

Fundos De Investimentos

Um fundo de investimento compreende uma comunhão de recursos, constituída sob a forma de condomínio, destinado à aplicação em títulos e valores mobiliários, bem como em quaisquer outros ativos disponíveis no mercado financeiro e de capitais. Os investidores são cotistas e centralizam a administração de seus recursos no gestor do fundo, que tem por objetivo aplicar o patrimônio do fundo, de forma a maximizar o retorno e minimizar o risco da carteira de ativos constituída.

Os fundos abertos são aqueles em que os cotistas podem solicitar o resgate de suas cotas a qualquer tempo. Nos fundos fechados as cotas somente são resgatadas ao término do prazo de duração do fundo. Neste caso, as cotas poderão ser negociadas em mercado secundário.

Os fundos de renda fixa são regulados pelo Banco Central, enquanto a CVM é responsável pela regulamentação dos fundos de ações. Isso porque para ser regulado pela CVM um fundo deve ter pelo menos 51% dos seus recursos aplicados em ações de empresas de capital aberto. Um fundo de investimento é classificado conforme as composições de seu patrimônio. As classificações “Renda Fixa”, “Ações” e “Cambial” são definidas a partir do principal fator de risco associado à carteira do fundo. Este nada mais é do um índice de inflação, a taxa de juros, um índice de ações ou o preço do ativo cuja variação produza, potencialmente, maiores efeitos sobre o valor de mercado da carteira do fundo.

Os fundos classificados como “Referenciado”, “Renda Fixa”, “Cambial”, “Dívida Externa” e “Multimercado” poderão ser adicionalmente classificados como “Longo Prazo” quando o prazo médio de sua carteira supere 365 dias e seja composta por títulos privados, públicos federais, pré-fixados ou indexados à taxa SELIC ou a outra taxa de juros, a índices de preço ou à variação cambial, ou, ainda, por operações compromissadas lastreadas nos títulos públicos federais.

“Jamais hesite em sair de um negócio se algo mais atraente aparecer à sua frente”.

Os fundos classificados como “Curto Prazo” deverão aplicar seus recursos exclusivamente em títulos públicos federais ou privados pré-fixados ou indexados à taxa SELIC ou a outra taxa de juros, ou títulos indexados a índices de preços, com prazo máximo a decorrer de 375 dias e prazo médio da carteira do fundo inferior a 60 dias, sendo permitida a utilização de derivativos somente para proteção da carteira e a realização de operações compromissadas lastreadas em títulos públicos federais.

Os Fundos podem ainda serem classificados como FIFs (Fundos de Investimento Financeiro) e FACs (Fundo de Aplicação em Cotas), sendo que os FIFs investem os recursos do fundo diretamente na compra de ativos financeiros, enquanto os FACs investem em cotas de outros fundos de investimentos.

Fundos Referenciados – Devem identificar em sua denominação o seu indicador de desempenho, em função da estrutura dos ativos financeiros integrantes das respectivas carteiras, desde que atendidas cumulativamente as seguintes condições:

I. Tenham 80%, no mínimo, de seu patrimônio líquido representado, isolada ou cumulativamente, por:
a. títulos de emissão do Tesouro Nacional e/ou do Banco Central do Brasil;
b. títulos e valores mobiliários de renda fixa cujo emissor esteja classificado na categoria baixo risco de crédito ou equivalente, com certificação por agência de classificação de risco localizada no País, tal como debentures;
II. Estipulem que 95%, no mínimo, da carteira seja composta por ativos financeiros de forma a acompanhar, direta ou indiretamente, a variação do indicador de desempenho (“benchmark”) escolhido;
III. Restrinjam a respectiva atuação nos mercados de derivativos a realização de operações com o objetivo de proteger posições detidas à vista, até o limite dessas.

Dentre os fundos referenciados podemos citar os Fundos DI, cujo retorno está atrelado à variação do CDI, sendo que a indexação é feita por meio de derivativos financeiros como swaps. Esses fundos têm um perfil bastante conservador e são recomendados em cenários de alta da taxa de juros.

Os fundos classificados como “Renda Fixa” deverão possuir, no mínimo, 80% da carteira em ativos relacionados diretamente, ou sintetizados via derivativos, ao fator de risco que dá nome à classe. Esses fundos devem aplicar no mínimo 51% de seu patrimônio em títulos de renda fixa (CDBs, debêntures, títulos públicos federais) e, portanto, podem ser pré ou pós-fixados.

No máximo 10% do patrimônio do fundo podem estar investidos em um único título emitido por uma mesma instituição ou sociedades a ela coligadas. Além disso, no máximo 20% dos recursos podem ser aplicados em papéis (vários títulos) de uma única instituição ou sociedades coligadas a ela.

Os principais fatores de risco da carteira de um fundo classificado como “Renda Fixa” deve ser a variação da taxa de juros doméstica ou do índice de inflação, ou ambos. Os fundos de renda fixa podem ser agrupados em três categorias: os Referenciados, os Não Referenciados e os Genéricos (mistos). Essa classificação surgiu para ajudar o investidor a distinguir as diferenças entre o perfil de risco dos títulos de renda fixa. Os fundos de cotas classificados como “Renda Fixa” podem investir, até o limite de 10% do patrimônio líquido, em cotas de fundo de investimento imobiliário, em fundos de investimento em direitos creditórios e em fundos de investimento em cotas de fundos de investimento em direitos creditórios desde que previsto em seus regulamentos.

Os fundos classificados como “Ações” deverão possuir, no mínimo, 67% da carteira em ações admitidas à negociação no mercado à vista de bolsa de valores ou entidade do mercado de balcão organizado. O principal fator de risco da carteira desses fundos deve ser a variação de preços das ações que o compõe.

Os fundos “Cambiais” deverão possuir, no mínimo, 80% da carteira em ativos relacionados diretamente, ou sintetizados via derivativos, ao fator de risco que dá nome à classe. Esses fundos são recomendados para pessoas que querem manter o valor do seu patrimônio constante em dólar, pois em geral aplicam seus recursos em títulos de renda fixa indexados ao dólar como, por exemplo, as export notes.

Esses fundos são recomendados para pessoas que têm dívidas em dólar ou que acreditam em um cenário de desvalorização do real. O principal fator de risco da carteira de um fundo classificado como “Cambial” deve ser a variação de preços de moeda estrangeira.

Os fundos de Dívida Externa devem aplicar no mínimo 80% de seu patrimônio líquido em títulos representativos da dívida externa de responsabilidade da União, sendo permitida a aplicação de até 20% do patrimônio líquido em outros títulos de créditos transacionados no mercado internacional.

Os fundos classificados como “Multimercado” devem possuir políticas de investimento que envolvam vários fatores de risco, sem o compromisso de concentração em nenhum fator em especial ou em fatores diferentes das demais classes previstas de fundos. O administrador e o gestor deverão acompanhar diariamente o enquadramento aos limites estabelecidos pelo Banco Central e ao fator de risco da carteira do fundo, de forma a manter a classe adotada no regulamento e a política de investimento do fundo.

Os fundos de cotas classificados como “Multimercado” podem investir, até o limite de 10% do patrimônio líquido, em cotas de fundo de investimento imobiliário, em fundos de investimento em direitos creditórios e em fundos de investimento em cotas de fundos de investimento em direitos creditórios desde que previsto em seus regulamentos. Podem também, desde que destinados exclusivamente a investidores qualificados, adquirir cotas de Fundos Mútuos de Investimento em Empresas Emergentes, Fundos de Investimento Imobiliário, Fundos de Investimento em Participações, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios e Fundos de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios nos limites previstos nos seus regulamentos e prospectos, se houver.

“Antes de arriscar seu dinheiro seguindo a opinião da maioria, pondere e avalie por si mesmo se a decisão é certa ou não”.

MercadoReal

É importante salientar que a criação de novos fundos pode se dar em função do momento econômico ou da capacidade de correr risco de determinados grupos de investidores. É assim que são criadas oportunidades de investimentos nos Fundos Derivativos, que tendem a investir de forma agressiva em mercados mais sofisticados como futuros, opções e swaps de forma a maximizar o retorno. Vale lembrar, que os Fundos Derivativos nem sempre tem como objetivo maximizar o retorno; em alguns casos os derivativos são usados apenas para fazer um hedge na carteira do fundo, nesses casos o risco da carteira acaba se reduzindo com o uso de derivativos. Dado o perfil de risco desses fundos, recomenda-se uma análise ainda mais detalhada do estatuto do fundo.

Por outro lado, os fundos buscam contemplar os perfis identificados, daí oferecerem fundos de natureza passiva, no qual se incluem os fundos cujas estratégias de administração da carteira tem perfil passivo, isto é, o gestor tenta replicar o retorno de um dos índices de ações, como por exemplo: Ibovespa, IBA, IEE, e os de natureza ativa, que têm como objetivo atingir uma rentabilidade superior ao de um indexador de referência, e por isso, têm uma estratégia de investimento mais agressiva, normalmente concentrando seus recursos em ações de determinadas empresas.

Muitos gestores consideram os fundos de índices como investimentos de rentabilidade medíocre em relação aos demais fundos. Entretanto, o que se percebe é que a grande maioria dos fundos de investimento considerados ativos apresenta no longo prazo rentabilidade inferior aos índices de mercado e, consequentemente, também inferior à rentabilidade dos fundos passivos. Isso se deve ao fato de poucos gestores conseguirem obter uma rentabilidade anual superior à média do mercado (índices) nos fundos ativos que administram.

É preciso deixar claro que fundos de índice não oferecem garantia alguma de retorno para seus investidores e não eliminam o risco, especialmente no curto prazo. Pois se os índices de mercado se desvalorizarem, a performance desses fundos sofrerá um efeito muito simular. Talvez a grande vantagem dos fundos de índice seja o fato de suas carteiras de ações oferecerem uma grande diversificação para o investidor à um custo operacional mais baixo do que o mesmo teria ao montar uma carteira semelhante. Dessa forma, são estratégias adequadas para se obter um retorno médio do mercado à um custo operacional mais baixo.

Vale salientar que além da taxa de administração, alguns gestores também cobram uma taxa pelo seu desempenho ou performance do fundo. A taxa é anual e cobrada sobre a parcela da rentabilidade do fundo que excede a variação de um índice pré-determinado (benchmark). O benchmark muda de acordo com o tipo de fundo. Os fundos de renda fixa normalmente adotam o CDI ou o IGP-M como comparativo, os fundos cambiais usam como benchmark o dólar e os fundos de renda variável costumam adotar o Ibovespa.

O imposto de renda cobrado possui alíquota de 22,5% regressiva para os fundos de renda fixa e de 15% para os fundos de renda variável; sendo que nos fundos de ações o imposto é cobrado apenas no resgate. Nos fundos de renda fixa existem duas formas básicas de cobrança, dependendo de haver ou não prazo de carência. Para os fundos sem prazo de carência, o imposto é cobrado no último dia útil de cada mês ou no resgate. Já para os Fundos com prazo de carência, a cobrança é feita apenas nos vencimentos da carência.

Os fundos de renda fixa com liquidez diária sofrem a incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de acordo com uma tabela regressiva até o 29º dia da aplicação, estando isentos a partir do 30º dia. O IOF incide sobre o ganho da aplicação.

Muitos investidores ao escolherem um fundo de investimento utilizam como critério de seleção apenas rentabilidade histórica do fundo. Buscam o que apresentou a maior rentabilidade nos últimos anos e investem seu dinheiro sem estudarem as suas regras e o que é mais importante, a sua composição. Um estudo feito no mercado de fundos de investimento americano utilizando essa estratégia mostrou que não existe qualquer correlação entre a rentabilidade passada de um fundo e sua rentabilidade futura. Mesmo aqueles que durante um curto período obtiveram uma rentabilidade superior aos índices de mercado, não a mantiveram no longo prazo, a maioria inclusive apresentou rentabilidade inferior.

Portanto, rentabilidade passada não é garantia alguma de rentabilidade futura, pois o passado não prediz o futuro. A única correlação encontrada foi que os fundos que cobram elevadas taxas de administração tendem a apresentar performances inferiores aos índices de mercado no longo prazo.

Caso decida investir num fundo, procure aquele que tenha uma política de investimento adequada ao seu perfil. Investir em um fundo apenas em razão da sua rentabilidade passada pode lhe trazer grandes arrependimentos. E por último, procure acompanhar os seus investimentos, consultando periodicamente a rentabilidade e comparando sua rentabilidade com as demais opções de investimento.

Avalie sempre os seus objetivos, os quais mudam ao longo do tempo dependendo da fase da vida em que você se encontra, bem como a sua tolerância ao risco. Defina o horizonte do seu investimento e organize seus recursos em aplicações de curto, médio e longo prazo. Não se assuste com pequenas correções de preço, investimentos de longo prazo tendem a trazer um maior retorno, pois neutralizam movimentos sazonais.

A política de investimentos de um fundo está relacionada aos objetivos e à forma como o gestor aplica os recursos disponíveis, o que implica diferentes graus de risco dependendo dos ativos escolhidos e da forma como o Fundo opera. Lembre-se de que um maior retorno normalmente está associado a um maior grau de risco.

A variável que mais contribui para rentabilidade do investimento em fundos é o desempenho do valor da cota, que está diretamente relacionado à composição da carteira do fundo de investimento e, conseqüentemente, à estratégia do gestor do fundo. Quando decide a alocação da carteira do fundo, o gestor tem como objetivo minimizar o risco da carteira através da diversificação dos ativos para um determinado objetivo de retorno. Por exemplo, se o objetivo de rentabilidade do fundo for CDI + 10% o gestor deve alocar a sua carteira de forma a identificar a composição de menor risco que possibilita esse retorno.

Em razão disso, antes de investir em um fundo é preciso avaliar a qualidade dos ativos e da sua administração, ou seja, se o gestor está seguindo a estratégia e atingindo os objetivos detalhados no estatuto do fundo. O foco não deve estar apenas na rentabilidade do fundo, pois uma estratégia mais agressiva pode levar a uma rentabilidade mais alta, mas os riscos associados também devem aumentar e, eventualmente, podem ocorrer períodos de “rentabilidade negativa”.

Alguns acreditam que os fundos de renda variável são os instrumentos certos para quem não tem perfil de investidor, que não quer estudar e aprender a investir por si mesmo, mas isso não é verdade. Apesar dos fundos de ações terem gestão terceirizada, ou seja, o investidor entrega seu patrimônio para um profissional gerenciar, não há garantia alguma que tal profissional obterá um desempenho melhor do que se o investidor estivesse investindo por si só, ou mesmo, será garantia alguma de rentabilidade. Alguns fundos de ações durante a crise de 2008 tiveram perdas de 80% em sua carteira, sendo que a maioria das ações não caiu mais do que 50% naquele ano. Portanto, está longe de ser verdade que a escolha de um bom fundo de investimento não requeira também um investimento de tempo, de investigação e de estudo.

“Acredito que o público em geral quer ser levado, instruído a fazer o que é mandado. Querem a ilusão da segurança. Por isso, sempre se moverão como as massas, buscando a segurança do rebanho. Terão medo de se impor e agir de forma independente porque a sua tendência natural é se proteger no rebanho, e não ser o bezerro afastado do grupo, o perigoso lobo que patrulha a planície da opinião contrária”.

Jesse Livermore

Investimentos de Renda Variável

Em renda variável sempre é possível errar e perder. O mercado de renda variável leva este nome justamente porque não é possível determinar com absoluto grau de certeza qual será o rendimento futuro dos investimentos desta modalidade. Muito embora o investidor esforce-se ao máximo para determinar que sua operação seja rentável, não há garantias disso.

Ao comprar ações, por exemplo, um investidor está comprando esperança, uma expectativa de que a empresa terá bons resultados no longo prazo, que a conjuntura econômica será favorável e, principalmente, que o mercado precifique tais fatores valorizando o preço dessa ação.

Quer você queira ou não, no mercado você opera risco. Se você não levar isso em consideração, você estará apenas aumentando o seu risco, pois ele estará presente de qualquer forma. Sendo assim, investir no mercado financeiro é se relacionar com o risco. A possibilidade de perder dinheiro existe, portanto, torna-se necessário se proteger, e ao mesmo tempo, trazer as chances a seu favor.

Todavia, ao estarmos dispostos a correr maiores riscos não podemos nos contentar com uma rentabilidade medíocre, o que conseguiríamos na renda fixa sem muito esforço. Uma rentabilidade de 30% ao ano requer ganhos de 2,21% ao mês para ser atingida. Na renda fixa é muito difícil, se não impossível, conseguir isso. Mas na renda variável é o mínimo que se deve ter como objetivo de forma a compensar o esforço que este investimento demandará, ou seja, uma maior dedicação.

“Quando um trabalho é mal feito qualquer tentativa de melhorá-lo o piora.”

O custo do dinheiro é uma importante consideração para todos os investidores. Serve como parâmetro de referência para avaliar o desempenho de qualquer investimento de renda variável. A performance de qualquer investimento será medida em relação aos investimentos de pequeno risco como os de Renda Fixa ou em relação à taxa de juros ou à inflação.

Dessa forma, quanto maior for o custo do dinheiro, maior terá de ser o desempenho de um investimento de renda variável para que este compense. Se a taxa de juros anual está em 8%, esse valor deverá ser deduzido do resultado final de suas operações, para que você possa apurar o lucro “real” do período.

Assim, um investidor que auferiu 15% de rentabilidade anual com investimentos de renda variável, na verdade obteve um lucro real de 7%, pois caso seu capital tivesse sido investido em Renda Fixa, teria um rendimento bruto de 8% sem grandes riscos. Sem contar que essa baixa rentabilidade não compensaria a exposição do seu capital aos riscos do mercado de renda variável.

Planejar é fundamental para evitar erros e para controlar o fluxo de emoções que levam à confusão mental e à perda de objetividade. Um bom plano de investimento deve evoluir com o tempo e ser constantemente reavaliado. Um investimento não acaba quando você o liquida, mas quando você avalia se seu retorno foi satisfatório, se seu método de análise lhe indicou bons momentos para abrir e para fechar sua posição e se você teve a confiança e a disciplina para executá-lo no momento certo (timing).

Neste ponto, o investidor deve definir em qual mercado irá operar, qual estratégia irá utilizar quando o mercado subir e qual utilizará quando cair, qual parcela de seu capital será destinada à renda variável e qual o risco máximo de perda que está disposto a tolerar. O mercado de ações oferece um bom retorno anual e, como investimento de longo prazo, não requer acompanhamento em tempo real e não expõe o investidor aos grandes riscos da alavancagem das operações em margem como no mercado futuro.

“Quando tudo que você tem é uma nota de 10 dólares e você a arrisca no mercado, estará sendo muito mais ousado do que quando arrisca um milhão de dólares tendo outro milhão guardado”.

Jesse Livermore

Para os que buscam um retorno maior em suas operações, comprar ações a termo lhes dará alavancagem sobre o capital investido, o que possibilitará um potencial de lucro muito maior. As corretoras disponibilizam alavancagem de até 10 vezes o valor do seu capital para compra a termo, ou mesmo, operações de daytrade. Obviamente que neste caso, o risco também será 10 vezes maior, potencializando tanto o lucro quanto o prejuízo. Isso requer um acompanhamento maior do mercado e uma maior disciplina por parte do investidor.

Outra possibilidade é operar no mercado futuro, o qual pode proporcionar um maior retorno em razão de sua alavancagem, ou mesmo, no mercado de opções, o qual devido à grande volatilidade e alavancagem, também possibilita maiores retornos. Entretanto, ambos os mercados requerem estudo, estratégia e acompanhamento durante o pregão, além de envolverem um alto risco.

Alguns especuladores conseguem obter ganhos expressivos nestes mercados. Todavia, a realidade deixa evidente que o número de especuladores frustrados supera de longe o número de vitoriosos. E mesmo esses poucos que conseguem fazer isso com sucesso, não o fazem por muito tempo. Quando ganham uma quantia considerável de dinheiro, ou investem-no em aplicações mais conservadoras, ou acabam devolvendo-o ao mercado.

Buscar o sucesso no mercado do dia pra noite, a satisfação imediata, é a maneira mais gananciosa e, consequentemente, a mais irresponsável de se “investir” em Renda Variável. Realizar operações por impulso, sem controle de risco ou gerenciamento de capital é para aqueles que fazem do mercado um cassino ou um jogo de azar qualquer. O mercado financeiro, diferente do cassino, oferece mecanismos e estratégias de defesa para aqueles que compreendem bem o seu funcionamento e que operam com risco coberto.

Não opere utilizando margem ou com derivativos sem ter um mínimo de experiência no mercado e responsabilidade, sem conhecer as regras e estratégias operacionais para estes mercados, sem ter o tempo para acompanhar suas operações e, principalmente, antes de obter uma boa performance e um bom retorno investindo em ações. Operando com margem e alavancado, o investidor corre o risco de perder todo seu patrimônio, podendo até mesmo ficar devendo a corretora, caso sua operação dê errado e ele não encerre sua posição a tempo.

O investidor prudente opera com risco coberto e procura gerenciar bem seu capital de renda variável. Bem diferente de jogadores que tendem a operam por impulso e ganância ao realizarem operações embasados predominantemente por intuição e dicas, esperando ganhar a sorte grande. Para especular no mercado com sucesso é preciso definir um objetivo e montar um planejamento básico, ou seja, uma estratégia de investimento, estabelecendo assim:

● Qual percentual do capital será destinado para essa operação?
● Que ativo irei operar? Qual a estratégia?
● Quando comprar? Quando vender?
● Qual é o meu limite de perda?

Além disso, torna-se essencial avaliar os resultados dos seus investimentos, buscando a aprendizagem tanto nos sucessos quanto nos fracassos. Isso significa ponderar se o sucesso se deu pela sorte ou pela sua habilidade de compreensão da situação e pela sua capacidade de agir a tempo hábil. Isso fará com que o investidor seja honesto com sigo mesmo e evite repetir erros.

Portanto, é necessário estudar as estratégias de investimento, ponderar sobre suas relações de rentabilidade e risco, bem como a respeito do quanto de tempo e de atenção que as mesmas demandarão do investidor. Aprenda a operar ações, opções, futuros e como combiná-los. Aprenda a proteger seu capital e a adaptar-se às mudanças. É importante aprender a ler o ambiente de maneira que ele te mostre a maneira mais apropriada para se comportar, de forma que consiga atingir os seus objetivos de maneira mais fácil e eficiente.

Avalie o seu grau de controle emocional, a sua independência de escolha e de influências externas. Defina o seu planejamento, acredite nele e tenha capacidade para cumpri-lo. Vá aos poucos abandonando os mercados e estratégias que não se adaptam ao seu perfil, assim como aqueles investimentos que não deram certo. Teste mais os investimentos que deram resultado e estratégias que você melhor se adapta, adquirindo progressivamente mais experiência. Com tempo, você definirá suas estratégias de investimento no mercado e construirá seu próprio método de investir. Selecionar uma estratégia normalmente não é difícil, executá-la e administrá-la é.

“Não entre em um mercado com ideias preconcebidas a respeito dele. Mude seus planos conforme o mercado muda”.

Alexander Elder

A Importância da Liquidez em um Investimento

No momento de escolher um investimento, além da rentabilidade, a liquidez é um importante aspecto a se considerar. Liquidez é um conceito econômico que considera a facilidade com que um ativo pode ser convertido em dinheiro. O grau de agilidade de conversão de um investimento sem perda significativa de seu valor mede sua liquidez, logo, quanto mais rápida for essa conversão, mais líquido esse ativo será. De maneira contrária, um ativo com pouca liquidez é mais difícil de ser convertido em dinheiro, seja pela falta de compradores ou pelo tempo necessário para liquidar o investimento. Dessa forma, a liquidez pode ser entendida como uma medida do interesse que o mercado tem em negociar um determinado bem.

É fundamental para todo investidor gerenciar bem a maneira como distribui seu capital entre diversos investimentos, sempre reservando parte deste para investimentos cuja liquidez é imediata. Isso lhe permitirá no caso de uma emergência ou do surgimento de uma excelente oportunidade de investimento sacar esses recursos rapidamente para utilizá-los.

Abrir mão da liquidez pode significar não ter recursos disponíveis em conta para cobrir eventuais gastos emergenciais ou imediatos. A falta de capital disponível em conta pode obrigá-lo a ter que liquidar investimentos de longo prazo antecipadamente, muitas vezes em momentos inapropriados, com prejuízo ou a preços ruins. Esse tipo de desorganização financeira acaba com os resultados de qualquer investimento de longo prazo, bem como deprecia o patrimônio do investidor.

Em contrapartida, a parcela restante do capital pode ficar imobilizada em investimentos com menor liquidez. Esses serão os recursos que o investidor não precisará no curto prazo, pois de nada adianta buscar uma maior rentabilidade em aplicações de longo prazo se tiver que recorrer a empréstimos bancários para cobrir eventuais lacunas no seu orçamento. Da mesma forma, de nada adianta um investimento oferecer uma alta rentabilidade se no momento em que é preciso liquidá-lo o investidor seja obrigado a fazê-lo por um valor abaixo do preço de mercado, ou mesmo, não consiga liquidá-lo rapidamente.

“Da Cama, da Mesa e da Bolsa, a gente sempre deve sair achando que deveria ficar um pouco mais.”

Anônimo e quebrado

A liquidez é importante não apenas para investimentos de renda variável tais como ações e imóveis, mas principalmente para investimentos de renda fixa, plano de previdência privada e títulos públicos. Alguns desses investimentos têm data prefixada para resgate ou prazo de carência e, em razão disso, oferecem uma rentabilidade um pouco maior em relação aos que possuem liquidez diária. O investidor deve avaliar se essa diferença de rentabilidade compensa o risco associado à perda da liquidez diária.

Ficar com o dinheiro “preso” pode vir ser um incômodo para o investidor caso venha a precisar dele. O PGBL por exemplo, apesar de ser o melhor instrumento para restituição de IR, está entre os piores investimentos em termos de liquidez. No caso de um resgate antecipado o investidor tem que arcar com uma exorbitante alíquota de IR, o que muitas vezes faz com que o valor resgatado seja menor do que o que fora investido. A falta de liquidez é o alto preço que se paga por alguns benefícios oferecidos por esse produto, como os de natureza tributária.

Investimentos de renda fixa mais conservadores, tais como caderneta de poupança, CDI e CDB apresentam elevado grau de liquidez e baixo risco, conseqüentemente, apresentam também as menores rentabilidades do mercado. Existem algumas exceções tais como os CDI’s prefixados, em que a taxa de retorno está atreladas a prazos de carência e por isso oferecem retornos um pouco maiores. Mas caso seja feito um resgate antecipado uma parte da rentabilidade, senão toda, ficará prejudicada.

Outra estratégia oferecida por bancos e fundos é aumentar gradativamente o percentual do CDI pago à medida que o tempo de permanência no investimento aumenta. Em suma, quanto mais cedo for realizado o resgate, menor será a rentabilidade, pois uma maior rentabilidade geralmente está vinculada a uma menor liquidez.

No mercado de capitais liquidez é poder comprar ou vender um ativo rapidamente e por um preço próximo à média do preço praticado no mercado. Um ativo com liquidez possui uma diferença de preço muito pequena entre a melhor oferta de venda e a melhor oferta de compra, ou seja, possui um spread pequeno entre a ponta de compra e a de venda. De uma maneira geral, a maioria dos investidores prefere investir em ativos líquidos, uma vez que podem encerrar suas posições a qualquer momento do dia caso queiram, sem contar os demais aspectos, tais como credibilidade e expectativa de mercado.

“A maior ironia do mercado de capitais é a ênfase que é dada ao volume de negociação. Corretores ao utilizar termos como liquidez e giro financeiro, estão nos mostrando empresas cujas ações possuem elevada rotatividade. Mas os investidores precisam entender que aquilo que é bom para o “cassino” não é bom para o cliente. Uma Bolsa de Valores hiperativa é como um batedor de carteiras institucionalizado”.

Warren Buffett

As ações que compõem o Ibovespa têm muita liquidez, possibilitando que o investidor abra ou feche uma posição a qualquer momento durante o pregão a um preço próximo ao último negocio realizado. Possuem também um volume de negócios bem acima de 10 milhões de reais por dia.

A liquidez é então a garantia de que o investidor poderá entrar e sair do mercado quando quiser, sem que haja uma grande diferença de preço entre a melhor oferta de compra e a melhor oferta de venda (deságio). Entretanto, é um erro imaginar que as ações com maior liquidez sempre oferecerão os maiores ganhos. Ações de pequenas empresas (small caps) possuem menor liquidez e, normalmente, maior volatilidade, propiciando um potencial para maiores ganhos ou perdas.

O primeiro ponto que o investidor deve analisar antes de investir em um ativo é certificar-se de que este é negociado diariamente, qual é a quantidade de negócios realizados e quanto é o volume financeiro girado por dia. Dessa forma, saberá se a quantidade de ativos que deseja negociar poderá ser executada apenas com uma ordem ou se terá que dividir essa quantidade em várias ordens se quiser um preço próximo ao de mercado.

Ativos com pouca liquidez dão mais “trabalho” para serem negociados, seja em razão das ordens de compra e de venda terem que ser dividias em quantidades pequenas ou em função de um grande spread entre a ponta de compra e a de venda. Abaixo temos um exemplo do leilão de dois ativos, um com pouca liquidez e outro com muita. É possível perceber que o ativo de baixa liquidez possui um grande spread entre as pontas de compra e de venda e que a maioria das ordens são de pequenas quantidades.

Ativos com baixa liquidez estão mais propensos a manipulação por parte dos investidores institucionais, ou em alguns casos, mesmo por parte de alguns investidores mais apressados e gananciosos que buscam a maior volatilidade destes ativos, muitas vezes investindo em ações de empresas com problemas financeiros ou concordatárias, cujas ações geralmente custam poucos centavos.

Essas são chamadas de “micos” do mercado, em razão do seu valor ter sido tão depreciado que “virou pó de mico”. São investimentos de altíssimo risco e sem garantia alguma de retorno, pois a qualquer momento a negociação de seus ativos pode vir a ser proibida por algum motivo, na maioria das vezes porque a empresa pediu a concordata. Neste caso, ocorre o congelamento dos papéis e é “game over” para esses investidores “espertinhos”.

“Vamos agradecer aos idiotas. Não fosse por eles não faríamos tanto sucesso”.

Mark Twain

Em razão de seu baixo valor e da pouca liquidez, esses ativos tendem a ser muito voláteis porque são facilmente manipulados. Na maioria das vezes possuem um grande spread entre o melhor preço de compra e o  melhor preço de venda, o que dificulta entrar e sair desses ativos e muitas vezes inviabiliza a operação.

Além disso, é extremamente difícil fazer uma análise dos fundamentos dessas empresas, que normalmente possuem grande endividamento e pequeno patrimônio. Suas cotações podem subir ou cair 50% de uma hora para outra em razão de qualquer acontecimento novo, ou mesmo, por boatos ou por uma simples manipulação de preços, visto que não há necessidade de um grande capital para fazer isso.

Muitos investidores, cientes dos riscos, investem nos micos como se fosse um dinheiro de loteria, onde o que ocorrer será lucro, pois sabem que assim como o preço do ativo pode disparar, o mesmo pode virar pó de uma hora para outra. Outros oportunistas montam posições nestes ativos e, posteriormente, fazem posts em fóruns, redes sociais e chats, anunciando que a empresa está para ser comprada ou que é muito promissora, sendo assim um grande investimento. E assim que os desinformados começam a comprar o ativo e os preços disparam, eles entram na venda e o preço da ação despenca rapidamente. São golpistas que através de recomendações e influência geram demanda na massa desinformada para esses ativos de pouca liquidez.

Existe, contudo, um aspecto negativo à grande liquidez de mercado, ela pode induzir o investidor a realizar mais negociações do que deve, pois a qualquer momento ele pode entrar e sair de um determinado ativo. Um dos motivos porque investidores iniciantes perdem dinheiro ou não conseguem auferir ganhos significativos é a falta de visão de longo prazo. Buscam pequenos lucros em operações de curto prazo e acabam perdendo os grandes movimentos de preço de longo prazo.

Ao verem no home broker a cotação dos ativos piscando verde e vermelho, tomam decisões e fazem operações por emoção e impulso. O daytrade apesar de ser uma estratégia simples e, teoricamente, de menor risco, pois não se está posicionado no mercado o tempo todo, requer “estômago”, tempo e é muito difícil. Muitos investidores realizam daytrade, mas no longo prazo poucos têm sucesso e conseguem consolidar algum patrimônio.

“Se você precisa acompanhar o gráfico de preços a todo segundo, sua estratégia de investimento está errada”.

Warren Buffett

Gerenciamento do Capital e do Risco

Gerenciar o capital é avaliar a relação entre o risco e o retorno de um investimento, definindo o quanto essa relação é eficiente. A oportunidade de lucro é sempre balanceada pelo potencial de risco inerente em uma operação. Operar no mercado de capitais é fazer uma aposta numa mudança de preço num determinado ativo. Pode-se comprar com a intenção de vender mais caro ou vender com a intenção de comprar mais barato.

O fator mais utilizado para definir o risco de um investimento é a sua volatilidade, ou seja, o quanto que o seu preço de mercado oscila ao longo do tempo. Não importa se é para cima ou para baixo, o que se leva em consideração é a velocidade e o tamanho dos movimentos do preço. Ela mede o grau de incerteza com relação ao preço futuro de um ativo.

Todo investidor deseja sempre maximizar os seus ganhos. Neste sentido, é preciso considerar que todo investimento implica certa margem de risco. Seja o risco de perder parte, ou mesmo, todo o capital aplicado, ou o risco de não obter o rendimento esperado. Nenhum investidor inteligente pode ser dar ao luxo de ignorar os riscos e a possibilidade de que esteja errado, pois as circunstâncias podem mudar no futuro.

Assim, a taxa de retorno de um investimento com risco deve ser comparada com aquela que pode ser obtida nas alternativas de investimentos com risco mínimo. Isso irá determinar se a rentabilidade oferecida compensou, ou compensará, o risco assumido. É importante deixar claro que o risco é um fenômeno normal, o qual deve ser encarado com racionalidade e que exige uma remuneração para justificar assumi-lo.

“As cinco palavras mais caras da língua portuguesa são: Dessa vez vai ser diferente!”.

Quando se está num ambiente que cria situações de risco, onde qualquer resposta tem o potencial para gerar algum dano colateral ou direto, é fundamental definir limitações e regras para guiar seu comportamento, o que permitirá que sobreviva à tais perigos. Sendo assim, existem inúmeros modelos matemáticos que servem para balancear o capital do investidor dentre diferentes investimentos, da renda fixa à variável. Servem também para quantificar o tamanho da posição ideal, ou seja, a quantidade de dinheiro que deve ser empregado numa operação de acordo com o risco ao qual se está disposto a correr e de acordo com o histórico de ganhos e perdas do investidor, presando o crescimento geométrico de seu patrimônio.

Contudo, não existe um modelo único de alocação ativos que possa servir indistintamente a todos os investidores em razão de inúmeros fatores, tais como diferenças de perfil de risco, de volume de capital, de nível de conhecimento do mercado, entre outros. E da mesma forma, também não existe uma fórmula perfeita e que funcione sempre, otimizando os melhores resultados, sendo assim, um processo subjetivo desenvolvido por cada investidor ao longo dos anos. Entretanto, posicionamentos extremos devem ser evitados ao máximo no intuito de preservar o patrimônio consolidado, e ao mesmo tempo, garantir uma rentabilidade que seja significante.

Assim, operações com extrema alavancagem devem ser controladas, ou mesmo, evitadas, de forma que o investidor não fique constantemente exposto ao risco de auferir enormes prejuízos. Por outro lado, operações com valores muito baixos, cujos resultados apesar de positivos produzam lucros ínfimos ou insignificantes, também devem ser evitadas, pois no longo prazo o investidor terá prejuízo em razão da depreciação causada pela inflação e pelos custos operacionais sobre o seu patrimônio, sem contar o tempo que fora perdido, commoditie mais cara do mundo.

Mesmo aqueles investidores veteranos, os quais acreditam estarem em posse de um conhecimento suficiente para lidar com os riscos, sofrem, no entanto, em maior ou menor grau, perdas significativas devido ao surgimento de riscos que antes lhes eram desconhecidos, ou mesmo, que eram considerados por eles como improváveis. A incerteza faz parte da natureza do mercado e apesar de todos os mecanismos de análise e proteção contra o risco, dificilmente ficaremos imunes a eventuais acontecimentos extremos (cisnes negros).

A percepção do risco torna-se então fundamental no estabelecimento dos limites e dos objetivos para as suas operações no mercado. A volatilidade do mercado é capaz de arruinar ou de enriquecer. Falências e fortunas surgem da exposição ao risco. A maior dificuldade da gestão do risco é tomar decisões considerando apenas seus dois extremos: proteção total ou exposição desmedida. A boa gestão privilegia a abordagem do risco em seus diferentes graus e não em seus extremos, mantendo um equilíbrio adequado para a elaboração de um plano de contingência.

Exposto isso, ações que diminuam os riscos ou que controlem parte destes, juntamente à estratégias que aumentem a rentabilidade, através da otimização dos investimentos e de seus retornos, são fundamentais para garantir o crescimento do patrimônio do investidor no longo prazo. Este por sua vez, deve dimensionar o tamanho de suas posições de acordo com os resultados de suas operações.

À medida que mostrarem lucro e o seu patrimônio crescer, o investidor poderá gradualmente aumentar o volume de dinheiro empregado em cada operação. Obviamente, à medida que suas operações mostrarem mais prejuízos do que lucros deverá diminuir os seus tamanhos proporcionalmente, de forma que o recuo no seu saldo causado por prejuízos seja cada vez menor.

Torna-se ímpar que todo esse processo de tomada de decisão e de reação seja feito com rapidez, de forma que o efeito da volatilidade prejudicial à posição assumida no mercado seja limitado. Assim, definir o timing de entrada e de saída é essencial para o gerenciamento do risco. Ou seja, saber quando abrir uma posição comprada, quando abrir uma vendida e quando ficar fora do mercado (líquido). Dessa maneira o investidor estará aproveitando os benefícios da realocação, o que acaba ajudando-o não só a proteger seu patrimônio, mas também a melhorar os resultados de seus investimentos no longo prazo.

Todo investidor deve utilizar um método de análise que lhe indique qual a direção mais provável que o mercado irá seguir, para então definir o timing de entrada, quando implementará uma estratégia operacional que lhe possibilite operar de acordo com a tendência do mercado e que proteja seu capital. Deve ser realista sobre as chances e as consequências de sua exposição ao risco e tirar proveito disso, tornando-o um aliado e não um adversário.

Assim, além do processo analítico, são da maior importância dentro de um plano operacional uma análise psicológica e emocional, uma estratégia de operação e um gerenciamento de recursos bastante coerente. Este último é o mais importante, o mais fácil de ser aprendido e o mais difícil de ser executado.

É considerado o mais difícil porque em alguma ocasião todos nós já colocamos todos os nossos recursos numa só oportunidade, precisamente no tempo certo e realizamos um lucro espetacular. Quando isto acontece, são duas as conseqüências imediatas: a primeira é a confiança de que isto poderá se repetir ao menos mais uma vez; a segunda é que o lucro foi feito tão rapidamente, que normalmente não é considerado com a mesma seriedade com a qual seria se este fosse construído a partir de anos de trabalho duro. Por isso, a diversificação dentre diferentes categorias de investimentos, os quais apresentem baixa correlação, torna-se essencial para a consolidação de patrimônio no longo prazo e para minimização dos riscos.

“Alguns gostam de procurar, outros gostam de encontrar, mas poucos percebem que já o tem”.

Ed. Seykota

A melhor maneira de se atingir um determinado objetivo é, antes de colocar qualquer estratégia em ação, identificar os passos verdadeiramente necessários para a obtenção dos resultados desejados. É dessa maneira que agem as empresas de sucesso e assim agiram os generais vitoriosos nas batalhas da história. Todo investidor busca otimizar três aspectos básicos em um investimento, retorno, prazo e risco.

O objetivo do controle do risco é definir o quanto de risco o investidor pode tolerar. Assim, o risco de uma operação deve ser predeterminado. Consiste em um prejuízo aceitável para o investidor, caso o mercado se mova contra sua posição. Este risco pode ser limitado pelo uso de stops. A grande vantagem da ordem stop está na execução rápida e automática de sua estratégia operacional predefinida, sem que você seja influenciado por suas emoções ou  por novas situações e acontecimentos posteriores à sua análise.

Investidores disciplinados colocam stops assim que abrem uma posição no mercado, ajustam o valor do stop apenas quando têm lucro e sempre no sentido deste. Quando comprado o investidor pode subir o gatilho do stop, mas nunca abaixá-lo. Quando vendido pode abaixar o gatilho, mas nunca subi-lo.

Toda vez que se abre uma posição comprada ou vendida e se coloca uma ordem stop, utiliza-se gerenciamento de risco. Mesmo estando posicionado com todo o capital num determinado ativo, apenas um percentual deste estará em risco. Caso a perda máxima aceitável seja de 5%, o valor da ordem stop será 5% abaixo do preço de compra, ou, se caso vendido, 5% acima do preço de venda.

Ganhar ou perder na próxima operação não o definirá como um investidor de sucesso ou como um fracassado. O sucesso é fruto de muito trabalho, dedicação, perseverança e planejamento, e se dá a médio e longo prazo. Essa simples regra é essencial para a prosperidade no mercado de capitais, poucos investidores têm disciplina para obedecer-lha.

“Se você não suporta ter prejuízos, não entre no mercado financeiro”.

Parte do risco de investimentos em ações e títulos públicos depende do tempo em que tais investimentos são mantidos. Uma parte substancial desse risco pode ser eliminada adotando-se uma estratégia de buy & hold durante longos períodos de tempo, juntamente com a prática de re-investimentos regulares de dividendos e de juros, bem como de remuneração de carteira (aluguel de ações, venda de mini índice, etc).

Com o passar dos anos a quantidade de ativos em carteira vai aumentando, assim como a capacidade de re-investimento, o que faz aumentar cada vez mais o potencial de rentabilidade da carteira. E a partir do momento em que seus investimentos de renda variável mostrarem lucros significantes, o investidor deverá realizar parte deste, o qual será destinado para investimentos de renda fixa ou mais conservadores, tais como imóveis.

Além de consolidar seu patrimônio, o investidor estará fazendo uma reserva de caixa, a qual poderá ser utilizada quando boas oportunidades em renda variável surgirem. Esse tipo de re-alocação está condicionado aos movimentos de preços e, portanto, se aproveita das fases de euforia e depressão para obter melhores resultados no longo prazo.

Ao ponderar sobre todos estes aspectos é preciso ter consciência de que em diferentes fases da vida temos diferentes perfis de tolerância ao risco. Pessoas jovens possuem maior capacidade de tolerância ao risco, pois de maneira geral têm maior expectativa de vida e mais tempo de trabalho à frente delas. Assim, podem destinar uma maior parte de seu capital para investimentos em ações do que pessoas mais idosas, pois possuem mais tempo para trabalhar, para produzir mais dinheiro e para aguardar que seus investimentos maturem.

Nas diferentes fase da vida, bem como diante de diferentes condições financeiras, os objetivos de lucro e a tolerância ao risco deverão se adaptar à essas mudanças, tornando-se dinâmicos em relação às circunstâncias. A capacidade para o trabalho é o principal motivo pelo qual à medida que as pessoas envelhecem elas devem se tornar cada vez mais conservadoras em relação aos seus investimentos.

Além de terem menos tempo de trabalho à diante delas, são pessoas que necessitam de mais dinheiro para manterem seus padrões de vida, e que portanto, não podem se dar ao luxo de ficar com grande parte de seu capital preso em investimentos em ações num momento em que o mercado está em baixa. Em razão disso, com o passar do tempo os imóveis e os títulos públicos devem representar cada vez uma parcela maior de seu capital. Já os investimentos em ações devem representar cada vez uma parcela menor.

Não se recomenda investir mais que 50% do total do seu patrimônio em renda variável. E no intuito de minimizar os riscos e o prejuízo, caso determinada operação dê errado, o montante investido deve estar diversificado em alguns poucos ativos de diferentes setores, não mais que 4 ou 5 ativos que possuam baixa correlação, ou mesmo, em diferentes mercados. A rentabilidade é sempre diretamente relacionada ao risco. Ao investidor cabe definir o nível de risco que está disposto a correr em função de obter um maior ou menor retorno.

“Para se investir bem é preciso apenas escolher ações de boas empresas, comprá-las em bons momentos e mantê-las enquanto essas empresas permanecerem boas”.

Warren Buffett

Muitos investidores acabam preferindo fundos de investimentos, em especial fundos de índice, pois lhes permitem investir em uma vasta gama de empresas de grande porte (blue chips), e que segundo os analistas, possuem excelente perspectiva de longo prazo. Seguindo essa ilusão de diversificação, auferem um rendimento médio do desempenho dessas empresas, muito inferior ao desempenho isolado das melhores desse grupo, isso sem levar em conta as altas taxas de administração cobradas.

Apesar da diversificação de investimentos ser importante para a redução ou controle do risco, a realocação de ativos será fundamental para otimizar a rentabilidade e consolidar o patrimônio. Assim, de acordo com o desempenho dos ativos que compõem um portfólio de investimentos, a alocação de um determinado ativo deverá ser reduzida caso sua variação de preço tenha ficado aquém da variação média do restante dos ativos, ou aumentada, caso a sua variação de preço tenha sido superior à média. 

Ou seja, investimentos que apresentaram no passado melhores desempenhos terão maior peso na carteira, e os que apresentaram resultados piores terão um peso menor, ou mesmo, nenhum, pois em alguns casos eles deverão ser liquidados, de forma que o capital possa ser melhor alocado, o que possibilitará um melhor retorno no longo prazo.

Os critérios da re-alocação do portfólio cabem ao próprio investidor definir, seja através da análise de indicadores técnicos, fundamentalistas, macroeconômicos ou qualquer outra ferramenta que embase seu processo de tomada de decisão, ou ainda, periodicamente através da realização do lucro e da sua imobilização em patrimônio.

Entretanto, realocações exageradas serão tão ineficientes quanto a não realocação, ou mesmo, piores, pois além de aumentarem o risco de se investir em ativos de baixo desempenho, operações de curto prazo tendem a produzir lucros pequenos, não permitindo que posições vencedoras cresçam, consequentemente fazendo com que o investidor perca o foco de longo prazo, sem contar os maiores gastos com taxas e impostos, o que irá onerar ainda mais o seu capital.

Mas ao contrário do que a maioria pensa, diversificar investimentos em renda variável não protege seu capital contra perdas e não garante rentabilidade futura. Em alguns casos, um pouco de diversificação pode ajudar a diminuir parte do risco, mas jamais por completo. A verdade é que fazendo isso, o investidor estará fazendo um preço médio da rentabilidade de sua carteira de investimentos. Ou seja, dos rendimentos das operações que derem lucro serão descontadas as perdas das que derem prejuízo.

Diversificar uma carteira com ações de baixa qualidade é como colocar um tomate podre que estragará os tomates bons da cesta. Uma estratégia medíocre, normalmente utilizada por iniciantes inseguros ou por aqueles que não querem estudar os fundamentos das empresas e analisar o mercado, e que acabam atirando para todos os lados na tentativa de acertar um bom investimento. O certo a se fazer é selecionar poucos e bons ativos, que tenha baixa correlação, ou seja, sejam de setores bem diferentes, mantendo as operações que derem lucro e liquidando as que derem prejuízo, evitando assim que os prejuízos aumentem e matem todo seu lucro.

“Ampla diversificação apenas é necessária quando investidores não entendem o que estão fazendo”.

Warren Buffett

Drawdown – A Medida do Prejuízo

Recuperar um capital perdido é muito mais difícil do que preservá-lo. Uma pessoa que possua um capital de R$ 100.000,00 e venha a perder 25% deste, ficará com R$ 75.000,00. Se no mês seguinte ganhar 25%, seu capital não voltará a ser R$ 100.000,00, mas R$ 93.750,00. E se ao invés de 25% perder 50%, precisará obter um ganho de 100% sobre o capital restante para voltar a possuir os mesmos R$ 100.000,00. Caso a perda seja de 90%, precisará obter um ganho de 900% apenas para voltar a ter o capital com que começou.

Isso é o drawdown de um investimento. É o percentual sobre o capital restante que é necessário ganhar para recuperar o total do capital investido. Recuperar-se de um drawdown pode ser extremamente difícil, pois é preciso ganhar um percentual maior do o que fora perdido para voltar o breakeven (zero a zero). Iniciantes tendem a achar que caso se perca 10% do capital investido, ao ganhar 10% sobre o que sobrou, voltarão a ter o que tinham antes, o que não é verdade, pois neste caso será preciso ganhar 11,11% para recuperar o total investido. Essa relação aumentará geometricamente na medida em que o prejuízo ficar maior. Isso demonstra o quanto o gerenciamento de capital e o controle do risco são importantes.

“Sorria… amanhã será pior.”

Muitos investidores não se dão conta do quanto é importante liquidar investimentos que deram prejuízos. Supondo que uma pessoa com um capital de R$ 100.000,00 para investir em renda variável estabeleça seu objetivo de rentabilidade entre 30% e 50% ao ano. Se acumular um prejuízo que chegue a 33% desse capital, mesmo que depois disso ainda consiga atingir uma rentabilidade anual de 50% e se recuperar de seu drawdown, terminando o ano com R$ 100.500,00, ainda assim ela terá perdido um ano de rentabilidade que lhe renderia algo entre 30 e 50 mil reais.

Investidores veteranos e gestores de fundos sabem o quanto é difícil  recuperar um drawdown. Conhecem bem e respeitam essa relação de risco x retorno. Têm sucesso no longo prazo porque controlam sua exposição através de um bom gerenciamento de risco e de uma boa alocação de seu capital. Durante toda a história houveram alguns grandes investidores que a partir de pequenas quantias fizeram grandes fortunas, George Soros, Warren Buffett, dentre outros. Mas foram esquecidos por ela uma grande quantidade de investidores que, por desrespeito ao risco, acabaram falidos.

Por isso, dedique tempo para estudar mecanismos de defesa para o caso de não acontecer o que você espera no mercado. Todos operam bem no lucro. Aprenda a operar bem no prejuízo e no longo prazo você será um vencedor.

“Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida”.

Platão

O gerenciamento de capital se refere ao uso apropriado do dinheiro. Consiste no paradigma entre investi-lo para a obtenção de um lucro máximo e protegê-lo contra os riscos para garantir uma longevidade máxima. No mercado volatilidade significa movimento, é a amplitude da variação dos preços de um ativo. Quanto mais volátil for o mercado, maior será o risco e, consequentemente, maior deverá ser a tolerância de perda do investidor, logo, maior será a distância que deverá ser posicionada a ordem stop.

O investidor gostaria de ter a sua ordem stop limitando o risco da operação próximo o bastante para que suas posições perdedoras tenham um prejuízo pequeno. Contudo uma ordem muito próxima pode resultar numa liquidação prematura em razão dos movimentos de curto prazo no mercado. A colocação de uma ordem stop a uma distância maior evitaria tal liquidação, mas em contrapartida, incorreria num prejuízo maior caso fosse acionada.

No mercado praticamente todo mundo pode ter lucro numa operação, entretanto, poucos conseguem acumular um bom patrimônio com o passar dos anos. O objetivo do gerenciamento de capital é acumular dinheiro reduzindo as perdas em operações que derem errado e maximizar os ganhos das operações que derem certo. Desta forma, uma maior disciplina pode ser alcançada se tivermos grandes lucros e pequenos prejuízos. E a única maneira de se proteger contra grandes prejuízos é realizando pequenos prejuízos, que são o custo para se manter o negócio, fazem parte do negócio.

“Sem o insucesso nada podemos aprender e, contudo, aprendemos a valorizar o êxito como o único padrão aceitável”.

Um investidor experiente aceita suas perdas como um empresário aceita os custos para realização do seu negócio. Aceitar um prejuízo é muito difícil para investidores iniciantes, e mesmo para muitos investidores veteranos, por serem arrogantes ou orgulhos. Uma perda nada mais é do que um erro cometido por você. O que é preciso fazer é refletir a respeito do que ainda pode ser feito para contorná-lo ou  para limitá-lo, bem como para evitar que se repita no futuro.

Quando o investidor se prende a uma operação perdedora ele não perde dinheiro apenas pela desvalorização do ativo, mas também pela perda da rentabilidade em outras oportunidades de investimento, em função do capital estar “preso”. E acima de tudo, perde-se uma das coisas mais valiosas do mundo, a qual o dinheiro não pode comprar, o tempo.

O relógio anda contra todos e não para. Os investidores de um modo geral dão atenção ao dinheiro sem consciência da importância do tempo. Produzir dinheiro requer, além de esforço, tempo. E da mesma maneira, operar no mercado também consome tempo, e aprender a operar no mercado consome mais tempo ainda. Se você realmente deseja investir, deverá dedicar parte de seu tempo para isso.

O mercado e os fundamentos devem ser constantemente estudados, métodos de análise devem ser avaliados com regularidade, estratégias devem ser planejadas e decisões devem ser tomadas. Isso tudo constitui um processo trabalhoso que consome tempo, raciocínio e dedicação.

Consolidar um bom patrimônio leva tempo e trabalho duro. Fazer dinheiro no mercado também requer tempo. Por isso, é importante proteger seu capital e consolidar seus lucros em patrimônio. Ao realizar seu lucro comprando imóveis, terrenos, ou mesmo, títulos públicos, você estará consolidando o seu patrimônio.

Talvez o maior erro de um investidor veterano seja reinvestir no mercado tudo que ganhou em todos seus anos de negociação, fazendo uma “bola de neve”, no intuito de alavancar a rentabilidade de suas operações. Caso uma de suas operações dê errado, basta que ele cometa o erro de não cortar suas perdas uma só vez, para que anos de rendimentos sejam devolvidos ao mercado, bem como os anos de estudo, trabalho e resultados que também serão perdidos.

“Os frutos do seu sucesso serão diretamente proporcionais à honestidade e à sinceridade do seu esforço em manter e acompanhar a sua performance no mercado, fazendo  suposições e tirando suas próprias conclusões”.

Jesse Livermore

É fundamental procurar sempre acompanhar sua performance no mercado, ou seja, a rentabilidade de seus investimentos. Marque o dia em que começou a investir no mercado e calcule se seu retorno está acima ou abaixo do seu objetivo de rentabilidade anual. Se estiver abaixo de 30% ao ano, é sinal de que você deve estudar mais e dedicar mais tempo buscando outras alternativas ou estratégias de renda variável. Se estiver acima, é sinal que você deve planejar o que fazer com seus lucros, definir em que irá imobilizá-los para protegê-los dos riscos ao quais estão expostos no mercado. Sempre saiba qual a sua posição exata e o quanto você está ganhando ou perdendo e, acima de tudo, o que isso representa para você.

Portanto, de tempos em tempos procure realizar seus lucros do mercado em investimentos mais convencionais e “sólidos”. Não interessa se estes oferecem uma rentabilidade menor do que suas operações no mercado. O que interessa é que seu dinheiro estará imobilizado longe do risco do mercado e de suas operações.

Em suma, a análise de mercado diz ao investidor para onde é mais provável que o mercado se mova. A estratégia operacional lhe diz o que fazer quando o mercado se mover. O timing lhe indica quando o fazer. E o gerenciamento de capital lhe diz o quanto investir, o quanto poderá tolerar de perda, caso a operação dê errado, e o quanto dos lucros deverá ser consolidado em patrimônio.

“A diferença entre o vencedor e o perdedor não está no quanto possuem, e sim na maneira como veem e utilizam os recursos e experiências que possuem”.

MercadoReal

O que são Índices de Mercado?

Um investidor antes de tomar qualquer decisão precisa avaliar tendência atual do mercado. Uma forma de fazer isso é acompanhando os índices, os quais servem para indicar a tendência geral do mercado e seu provável sentido. Atualmente existem inúmeros índices e cada um expressa uma parcela específica do mercado. Cada investidor tem preferência por um ou outro, de acordo com sua composição e de acordo com o seu setor de interesse.

Um índice de ações é um indicador do desempenho de uma carteira teórica de ações. Os índices têm por finalidade servirem como indicadores do comportamento médio do mercado ou de um segmento econômico específico, como é o caso dos índices restritos e setoriais. É o referencial que indica se o mercado está em alta ou em baixa. Cada bolsa monta os seus próprios índices, formados por um conjunto de ativos.

O resultado diário que a bolsa divulga é a média tirada do comportamento individual desses títulos. O índice também lhe servirá de parâmetro para avaliar se seus investimentos estão rendendo acima, abaixo ou perto da média do mercado, bem como para definir qual é a tendência de longo e curto prazo do mercado em geral.

Os dois mais importantes índices nos mercados de ações globais são o índice Dow Jones e o S&P 500. O investidor deve estar sempre acompanhando esses índices, buscando identificar a tendência geral do mercado. De maneira geral, os demais índices mundiais acompanham o S&P 500 e o Dow Jones, e no mercado brasileiro, a relação entre o Ibovespa e eles costuma ser muito forte. Isso se deve ao fato de que os grandes bancos e fundos estrangeiros (famosos tubarões) giram em média 2/3 do volume total de um pregão diário da Bovespa, em outras palavras, esses investidores institucionais fazem o mercado acontecer.

“Não se torne totalmente baixista ou altista em relação ao mercado todo só porque uma ação dentro de um grupo em particular reverteu o seu curso em relação à tendência geral do mercado”.

Jesse Livermore

A evolução dos índices das Bolsas é uma informação de extrema importância para os analistas, investidores e especuladores na avaliação de seus investimentos, servindo como um padrão de desempenho para estes. Quando se diz que a bolsa fechou “em alta”, isso quer dizer que o preço de fechamento do Ibovespa de determinado pregão é superior ao preço de fechamento do pregão anterior. Logo, diz-se que a bolsa fechou “em baixa” quando o preço de fechamento do Ibovespa de determinado pregão é inferior ao preço de fechamento do pregão anterior, e “estável” quando o preço de fechamento está no mesmo nível do preço de fechamento do pregão anterior. Os principais índices do mercado são:

Dow Jones Industrial – O índice Dow Jones foi criado em 1897 por Charles H. Dow que foi o primeiro a observar que as ações tendem a se moverem juntas, seguindo a trajetória das mais representativas, sendo assim é possível medir a tendência do mercado em geral através de uma média da intensidade das oscilações. Seu critério de seleção das ações do grupo é extremamente conservador. O cálculo deste índice é bastante simples, sendo baseado na cotação das ações das 30 maiores e mais importantes empresas dos Estados Unidos. O índice Dow Jones (DJIA) é ao lado do Nasdaq Composite e do Standard & Poor’s 500, um dos principais indicadores dos movimentos do mercado americano.

Dos três indicadores, o DJIA é o mais largamente publicado e discutido, entretanto, ele não é um bom medidor de mercado em relação ao S&P500 porque é calculado sobre poucos ativos e cujos pesos são desbalanceados. É a sua fama que o faz tão importante, o que acaba fazendo com que influencie os movimentos dos mercados em geral.

S&P 500 – O índice S&P 500 foi criado no final da década de 50 pela agência de Notícias e Pesquisas Econômicas Standard & Poor’s Co. Trata-se de um índice composto por 500 ativos (ações) qualificados devido ao seu tamanho de mercado, sua liquidez e sua representação de grupo industrial. Estas ações representam 86% do valor agregado total das ações mais importantes do mercado.

Ibovespa - O Índice Bovespa é o mais importante indicador do desempenho do mercado de ações brasileiro, pois retrata o comportamento das principais ações negociadas na BM&FBOVESPA. As ações que fazem parte do índice representam mais de 80% do número de negócios e do volume financeiro do mercado à vista. Como as ações que integram essa carteira têm grande representatividade, pode-se dizer que, se a maioria delas estiver subindo, o mercado está em alta; e, se estiver caindo, o mercado está em baixa.

IBrX – Índice Brasil- é um índice de preços que mede o retorno de uma carteira teórica composta por 100 ações selecionadas entre as mais negociadas na BOVESPA, em termos de número de negócios e volume financeiro.

IBrX-50 –  É um índice que mede o retorno total de uma carteira teórica composta por 50 ações selecionadas entre as mais negociadas na BM&FBOVESPA em termos de liquidez, ponderadas na carteira pelo valor de mercado das ações disponíveis à negociação. Ele foi desenhado para ser um referencial para os investidores e administradores de carteira, e também para possibilitar o lançamento de derivativos (futuros, opções sobre futuro e opções sobre índice).

MLCX – Índice Mid-Large Cap – O índice têm por objetivo medir o  comportamento das empresas de maior capital listadas na BM&FBOVESPA. As empresas que, em conjunto, representarem 85% do valor de mercado total da Bolsa são elegíveis para participarem do índice MLCX. As demais empresas que não estiverem incluídas nesse universo são elegíveis para participarem do índice SMLL. Não estão incluídas nesse universo empresas emissoras de BDRs e empresas em recuperação judicial ou falência.

SMLL – Small Cap – O índice têm por objetivo medir o comportamento das empresas de menor porte listadas na Bolsa. As ações componentes serão selecionadas por sua liquidez, e serão ponderadas nas carteiras pelo valor de mercado das ações disponíveis à negociação.

Há anos presentes nos mercados internacionais, os índices setoriais têm o objetivo de oferecer uma visão segmentada do comportamento dos mercados de ações. Eles são constituídos pelas empresas abertas mais significativas de setores específicos, representando uma medida do comportamento agregado do segmento econômico considerado.

IEE – Índice de Energia Elétrica: Primeiro índice setorial criado BOVESPA. Mede o desempenho dos papéis mais líquidos desse setor. Atualmente formado por 13 ações, tem como importante característica o fato de ser um índice em que todas as ações apresentam igual participação – em termos de valor – na composição da carteira. Dessa forma, constitui-se em um instrumento que permite a avaliação da performance de carteiras especializadas nesse setor.

INDX – Índice do Setor Industrial – Foi desenvolvido com o objetivo de medir o desempenho das ações mais representativas do setor industrial, importante segmento da economia brasileira. Sua carteira teórica é composta pelas ações mais representativas da indústria, que são selecionadas entre as mais negociadas na BM&FBOVESPA em termos de liquidez e são ponderadas na carteira pelo valor de mercado das ações disponíveis à negociação.

ITEL – Índice Setorial de Telecomunicações – Tem por objetivo oferecer uma visão segmentada do mercado acionário, medindo o comportamento do setor de telecomunicações. O índice inclui tanto ações de empresas de telefonia fixa quanto de empresas de telefonia celular listadas na BM&FBOVESPA.

IMOB – Índice BM&FBOVESPA Imobiliário – Tem por objetivo oferecer uma visão segmentada do mercado acionário, medindo o comportamento das ações das empresas representativas dos setores da atividade imobiliária compreendidos por construção civil, intermediação imobiliária e exploração de imóveis. As ações componentes são selecionadas por sua liquidez, e são ponderadas nas carteiras pelo valor de mercado das ações disponíveis à negociação.

IFNC – Índice BM&FBOVESPA Financeiro – Tem por objetivo oferecer uma visão segmentada do mercado acionário, medindo o comportamento das ações das empresas representativas dos setores de intermediários financeiros, serviços financeiros diversos e previdência e seguros. As ações componentes são selecionadas por sua liquidez, e são ponderadas nas carteiras pelo valor de mercado das ações disponíveis à negociação.

IDIV – Índice Dividendos - Tem por objetivo oferecer uma visão segmentada do mercado acionário, medindo o comportamento das ações das empresas que se destacaram em termos de remuneração dos investidores, sob a forma de dividendos e juros sobre o capital próprio. As ações componentes são selecionadas por sua liquidez e ponderadas nas carteiras pelo valor de mercado das ações disponíveis à negociação.

O IDIV é composto pelas empresas listadas na BM&FBOVESPA que apresentaram os maiores “dividend yields” nos últimos 24 meses anteriores a seleção da carteira. Não estão incluídas nesse universo empresas emissoras de BDRs e empresas em recuperação judicial ou falência.

Além de todos esses exemplos, existe uma vasta gama de diferentes índices nas bolsas ao redor do mundo, principalmente na NYSE, onde é possível encontrar um índice para cada setor da economia. Dado que a Bovespa opera praticamente no mesmo horário das bolsas americanas, através do acompanhamento dos índices dessas bolsas é possível identificar como um setor específico de empresas está se comportando durante o pregão, sendo muito comum que haja reflexo nas cotações das ações brasileiras.

Assim, para se obter uma perspectiva do desempenho de um ativo em relação aos demais, recomenda-se acompanhar os índices mais amplos ou o índice do setor ao qual pertence. No entanto, tenha em mente que um índice não representa o mercado como um todo, apenas determinado setor ou grupo de empresas. Ações de empresas de maior porte têm maior influência na composição de um índice, e como resultado, este tende a acompanhar melhor as oscilações destas em relação às oscilações do preço das ações de empresas de menor porte.

Além disso, a composição dessas carteiras teóricas é alterada regularmente. Quando são retiradas aquelas empresas que passaram a não mais atender aos requisitos para integrar determinado índice, e ao mesmo tempo, são acrescentadas novas empresas, cujas ações passaram a atender a tais critérios. Tal mutabilidade acaba fazendo com que um índice reflita apenas momentaneamente o comportamento de um grupo de empresas. E ao ter sua composição alterada, passará a refletir de maneira diferente o comportamento médio das ações que o compõem.

As mudanças na composição dos índices também oferecem boas oportunidades, pois devido ao regulamento e às normativas que regem os fundos de renda variável quando uma empresa passa a compor um índice, estes são obrigados a incluir suas ações em suas carteiras, o que pode ser favorável para uma posição comprada. Da mesma forma, a partir do momento em que uma empresa deixa de fazer parte de um índice, os fundos são obrigados a se desfazerem de suas posições nestes ativos, ou pelo menos reduzi-las, o que pode se mostrar desfavorável para uma posição comprada, muitas vezes indicando uma boa oportunidade para uma posição vendida.

O estudo da tendência dos índices é muito útil para definir momentos de entrada e de saída do mercado, além de proporcionar uma perspectiva do comportamento futuro dos preços. Contudo, não se deve tomar análises históricas de preço como certezas absolutas em relação ao futuro, mas como bons parâmetros para a comparação e a avaliação do desempenho de uma carteira de ações ou demais investimentos e para a realocação dos ativos que os compõem. Entretanto, é essencial que o investidor tenha ciência de que uma estratégia de investimento de longo prazo não deve ser baseada apenas em operações de curto prazo.

“O investidor de longo prazo é o de perfil mais agressivo”. 

Warren Buffet

A Escolha do Mercado

Para se determinar em que mercado investir e, dentro deste, que ativos escolher, é necessário antes de tudo definir o seu perfil como investidor. Uma vez que o investidor defina o seu perfil de risco e seus objetivos, poderá se informar sobre os investimentos disponíveis no mercado e definir quais são os mais adequados à ele. Investir é expor um capital ao risco. Todos os que investem devem fazê-lo de forma consciente, estando preparados para que eventuais perdas não provoquem grandes danos.

Dificilmente em algum momento poderemos afirmar o que o mercado fará, mas poderemos determinar o que ele provavelmente fará, a partir de uma série acontecimentos e fundamentos. Essa perspectiva lhe dará a liberdade para agir em função da situação, ao invés de hesitar e ter esperança de que o mercado faça o que você quer.

Isso quer dizer que a partir de nossas expectativas, escolheremos a melhor estratégia para ganhar dinheiro e que seja compatível com nosso perfil de investidor. Tal estratégia deve estar de acordo com o quanto de capital podemos imobilizar no investimento, ao risco que estamos dispostos a expô-lo, à rentabilidade que esperamos e, principalmente, deve ser compatível com a nossa disponibilidade de tempo para acompanhar o investimento.

Não adianta se iludir com um objetivo de rentabilidade de 100% num mês, ou mesmo num dia, operando com opções ou em margem, se você não está disposto ao risco de perder grande parte do seu capital investido ou até mesmo poder ficar devendo. E ainda que você esteja disposto a assumir tal risco, caso não disponha do tempo necessário para acompanhar as suas operações, muitas vezes em tempo real, estará simplesmente apostando num cassino, à mercê da oscilação dos preços. E quem faz isso normalmente não sobrevive no mercado por muito tempo.

Portanto, o objetivo é investir com responsabilidade e embasamento, sempre de acordo com o seu perfil e a sua disponibilidade de tempo. Ao invés de se iludir com o que é impossível, use seu bom senso para se convencer que só existe um caminho para sobreviver no mercado: Trabalho duro e estudo.

“Simplicidade e disciplina andam de mãos dadas. Para ser um investidor bem sucedido, escolha um pequeno número de ativos, selecione poucas ferramentas e aprenda a usá-las bem”.

Alexander Elder

Neste ponto você deve definir o que investir no mercado é para você. Se for um passa tempo, destine pouco dinheiro e pouca dedicação, não importa o que vai operar, o que importa é jogar e se divertir. Mas se o seu objetivo é aumentar seu patrimônio remunerando capital já existente, procure realizar investimentos de longo prazo, tais como ações e títulos públicos. Proteja seu capital e dedique tempo para acompanhar seus investimentos e para estudar.

Agora, se o seu objetivo é enriquecer rapidamente e viver do mercado, você terá que abandonar tudo e praticamente dedicar-se exclusivamente para isso. Parece fácil, mas é uma grande decisão e sem nenhuma garantia de sucesso. O mercado não paga salário, muito menos contas. Existe uma minoria extremamente talentosa que durante um certo tempo consegue isso, mas é extremamente raro.

Quem tenta tirar o sustento do mercado acaba tendo uma enorme pressão não só sobre suas operações, as quais têm que dar lucro para que possam pagar suas contas, mas principalmente sobre o seu emocional e psicológico. É muito difícil operar e manter o sucesso quando se está sob algum tipo de pressão financeira. Assim, não opere com dinheiro que você não pode se dar o luxo de perder.

A pressão financeira também faz com que você se sinta obrigado a estar sempre no mercado. Como resultado, o investidor acaba fazendo overtrading, seja para tentar ganhar mais ou para tentar recuperar um capital perdido. A tendência de quem faz isso é se afundar ainda mais no prejuízo, trazendo mais frustração e desolação para sua vida.

Acredite, o stress e o desgaste são enormes. A tendência é que o emocional tome conta do processo e o investidor passe a realizar o chamado trading vingativo, quando se opera para tentar recuperar uma perda, o que é fatal. A maioria que faz isso não dura no mercado e acaba pagando um preço caro por sofrimento e angústia. Para se obter o sustento do mercado é preciso ter um capital que já lhe permita viver de renda, para então tentar aumentar esse capital fazendo daytrade ou operando risco.

O mais importante é estar ciente de que cada objetivo no mercado requer um determinado nível de comprometimento. Não confunda as coisas, determine em qual perfil de investidor você se encaixa e se comporte de acordo. Se você largar seu trabalho para pagar suas contas operando no mercado, o mais provável é que você termine sem trabalho e com uma dívida imensa.

“É difícil ganhar dinheiro no mercado, mas é quase impossível ganhar quando você precisa ganhar”.

Jesse Livermore

Seus objetivos devem ser compatíveis com a sua realidade. Querer atingir um objetivo é uma coisa, poder atingi-lo é outra. É essencial que você estabeleça objetivos que guiem o seu comportamento no mercado e deem uma direção às suas estratégias. Caso contrário, você ficará perdido com tantas oportunidades e informações.

Assim, é possível perceber que de uma maneira geral, cada investidor possui um estilo de operar próprio, ou seja, toma suas decisões embasado nas informações que capta do mercado e nos fundamentos e indicadores econômicos. Define um plano de ação próprio, assim como no exemplo abaixo:

1 – Que tipo de mercado operar e o limite de prejuízo que estou disposto a tolerar? Ex. Mercado de ações – stopar 5% abaixo do preço de compra.
2 – Que tipo de operação implementar para sua expectativa de tendência do mercado? Ex expectativa de alta – comprar ações.
3 – Que ativo operar e quanto de capital investir? Ex: 10.000 ações preferenciais do Itaú ITUB4.

A partir daí seu sucesso operacional dependerá de três componentes básicos:
1 – Um processo eficiente de seleção da estratégia e do ativo
2 – Controle de risco e perdas
3 – Disciplina para aderir aos dois primeiros itens.

O lucro da operação será sempre um sucesso relativo, pois  deverá ser comparado à média do mercado. Um retorno somente pode ser considerado excelente caso esteja acima do índice do mercado. Para garantir isso, o investidor deve possuir uma boa técnica para selecionar ativos que sobreperformem a rentabilidade média do mercado, um método para acompanhar seus investimentos e ativos favoritos e, principalmente, deve estar flexível para mudar de ativos e de estratégia, caso uma melhor oportunidade apareça ou caso seja stopado. Um investidor consciente assume posições próprias no mercado embasado por suas próprias análises, utilizando estratégias operacionais que domina e seus próprios métodos de gerenciamento de capital e do risco.

“No mercado não existe bondade, muito menos filantropia. Operar no mercado é uma atividade solitária em que a responsabilidade pelo resultado é toda sua. Dê ouvido aos especialistas e você estará falido!”

MercadoReal

O mercado de renda variável é similar em qualquer lugar do mundo e você será o responsável pelo resultado de todas as suas operações. Quando diante de um prejuízo, é inútil reclamar que o mercado é manipulado, que é um jogo de azar, que a culpa é da corretora ou que é isso ou aquilo. Reclamar não vai lhe fazer ganhar, pelo contrário, lhe fará perder seu tempo e as novas oportunidades que o mercado oferecerá. A responsabilidade por todos os ônus e todos os bônus é sua, bem como pela análise do mercado e dos ativos em que investe.

Quando não sabemos onde o mercado está em relação a onde esteve, temos grande chance de comprar um topo ou de vender um fundo. O ponto de entrada no mercado é a diferença entre realizar uma operação lucrativa, deixar uma oportunidade de negócio passar ou realizar uma grande e desnecessária perda. Não acredite que o preço de determinado ativo irá se valorizar para sempre, tão pouco se convença de que crises econômicas perpetuarão indefinidamente.

O mais difícil para investidores iniciantes é ter a confiança e a coragem de comprar um ativo cujo preço literalmente desabou nos últimos meses, num contexto de indicadores econômicos ruins e notícias pessimistas, mas que apesar de estar desvalorizado, possui boa perspectiva. A convicção no método de análise e a disciplina operacional o colocarão no mercado no momento certo.

Um bom investidor não se importa se o mercado está subindo ou caindo, desde que seu capital esteja protegido ou que esteja operando de acordo com a tendência e não contra ela. Sempre terá uma estratégia para ganhar em momentos de alta e outra para ganhar também nos momentos de baixa, sabendo o que fazer caso esteja errado ou caso o mercado vire contra ele. E as correções de curto prazo servirão então para marcar novos pontos de entrada. O maior problema do investidor não é estar errado, mas não reconhecer o seu próprio erro e não mudar de estratégia.

“Se alguém me falar que meu plano não funcionará, mesmo assim eu o testarei no mercado para ter certeza. Porque quando estou errado, há somente uma coisa que me convence disso, que é perder dinheiro. E eu só estou certo quando ganho dinheiro. Isto sim é especular”!

Jesse Livermore

Sempre tenha uma estratégia operacional e um plano B que possa ser ativado sem hesitação quando sua estratégia der errado. Muitos movimentos do mercado ocorrem inesperadamente e sem uma lógica clara. Mesmo aqueles que trabalham no mercado muitas vezes não fazem ideia da causa e do efeito deles, ou mesmo, em que momento acontecerão. Disciplina não se reduz apenas a possuir uma estratégia operacional e a seguir suas regras. Mas também a perceber quando a estratégia não está mais funcionando e então abandoná-la, buscando outra forma de ganhar dinheiro.

Investidores institucionais induzem certos padrões na variação dos preços, esses comportamentos dos preços indicam possíveis oportunidades de ganhar dinheiro. Compram fundos de mercado fazendo com que o mercado suba. E após o mercado subir consideravelmente, a massa entra comprado, estimulada pela alta dos preços e por boas notícias.

Neste ponto, os profissionais começam a vender o que compraram e o mercado cai. A massa tende a segurar sua posição com prejuízo até o ponto do desespero, quando então decide vender, acentuando ainda mais a queda dos preços, os quais por sua vez, se tornam atrativos para os institucionais, que identificam um novo fundo de mercado e entram comprando, e assim o ciclo se repete. Muitos iniciantes costumam operar apenas comprado, “pulando de um papel para o outro”, enquanto investidores profissionais e institucionais operam o mesmo mercado nas duas pontas durante anos.

“Na bolsa é fácil ganhar pouco e perder muito. O difícil é ganhar muito e perder pouco”.

Escolher um bom ativo para operar é muito mais difícil e vai muito além de ouvir indicações de revistas e corretores ou dicas de amigos. No caso do mercado acionário, uma estratégia muito comum é buscar os ativos que apresentaram um desempenho histórico superior ao do índice de ações ou do setor, pois estes nada mais são do que médias do desempenho geral dos ativos.

Ações que estão acima dessa média são as que mais interessam, pois é de se esperar que continuem a ter esse desempenho no futuro. Entretanto, é muito comum que ações bastante depreciadas nos últimos meses tenham fortes altas, superiores à do índice, no momento em que o mercado comece a se recuperar. Tais movimentos costumam ser bastante rápidos e para identificá-los é necessário acompanhar o mercado diariamente. E obviamente, ao comprar ações em tendência de baixa o investidor expõe seu capital a um risco maior.

O investidor também deve possuir uma estratégia para ganhar na baixa, ou mesmo, para não perder dinheiro. Caso não esteja disposto a vender ações a descoberto, vender índice futuro, ou mesmo, montar estratégias com opções, deverá vender suas ações e esperar a reversão da tendência de baixa fora do mercado, sendo este um excelente momento para se investir na renda fixa. Outra opção muito interessante é o aluguel de ações, que possibilita uma considerável rentabilização para investidores que possuem carteiras de ações como investimento de longo prazo. Outra seria vender suas ações a termo, o que lhe renderia juros sobre seus preços de mercado.

Buscando ganhar dinheiro num período de queda, o investidor pode alugar ações e vendê-las no mercado à vista, no intuito de recomprá-las posteriormente a preços mais baixos e encerrar o aluguel. Seu lucro será a diferença entre o preço de venda e o de compra, menos o percentual do aluguel e custos operacionais.

Um investidor mais arrojado pode vender índice futuro, tomando vantagem da alavancagem dos contratos futuros, ou mesmo, utilizar suas ações como margem para vender contratos de índice (hedge). No mercado de opções existem diversas estratégias para ganhar com a queda no preço de um ativo, tal como uma trava de baixa ou um straddle. Todas essas estratégias serão abordadas nos respectivos artigos.

Conforme dito anteriormente, sempre que possível procure operar em mercados líquidos, ou seja, aqueles em que a melhor oferta de compra e a melhor oferta de venda sejam bastante próximas, havendo pouca diferença, e que possuam um volume suficiente para comprar e vender a quantidade desejada. Operar ativos sem liquidez ou em mercados estreitos implicará maiores custos de corretagem, pois terá que dividir suas ordens limitadas para conseguir executar a quantidade de ativos desejada.

E caso insira uma ordem a mercado, perderá dinheiro em função do largo spread entre as ofertas. Uma das vantagens de se escolher ativos mais populares é a liquidez e o alto volume de negociações e de giro financeiro. Quanto mais líquido for o ativo maior será a sua chance de comprá-lo ou vendê-lo rapidamente a um preço próximo à média do mercado, já que não faltam compradores e vendedores. Ativos com pouca liquidez envolvem certas manobras para negociá-los a um bom preço.

“Há somente uma tendência no mercado, não é a de alta e nem a de baixa, mas a certa”.

Jesse Livermore

Outra recomendação importante é sempre procurar seguir a tendência do mercado. Não reme contra a maré, a não ser que você queira fazer daytrade, realizando operações de curtíssimo prazo e se dedicando integralmente ao mercado. É muito difícil obter sucesso comprando ações num mercado em plena tendência de baixa. O investidor precisa estar ciente do contexto em que mercado se encontra e se o mesmo é favorável à sua estratégia de operação e ao prazo estabelecido para seu investimento (longo, médio ou curto).

A menos que você resolva utilizar o capital investido em renda variável, suas operações serão realizadas e liquidadas no prazo do mercado. Isto quer dizer que você somente entrará e sairá do mercado quando este lhe indicar. A partir do momento em que abrir uma posição no mercado, irá mantê-la por prazo indeterminado enquanto os preços seguirem ao seu favor.

Você somente liquidará a sua posição quando o mercado indicar o momento ou caso uma melhor oportunidade de investimento apareça, ou ainda, caso os preços se movam contra você, podendo até mesmo acontecer que a operação seja liquidada no mesmo dia em foi iniciada. Dessa forma, você estará deixando os lucros se acumularem até o momento em que a tendência do mercado reverter.

Com estudo e prática será possível desenvolver diferentes estratégias para investir do curto ao longo prazo, aproveitando o que o mercado oferece em cada um deles. Um bom investidor segue a tendência principal do mercado sem querer tirar dele o que ele não pode dar. Define o nível de risco com o qual se sente confortável, e com o passar do tempo, caso estiver obtendo bons resultados e experiência, passa a aumentá-lo gradativamente no intuito de alavancar a rentabilidade de suas operações.

“O sucesso virá da confiança em seu instinto e sagacidade no momento da verdade, encarando o risco como um aliado para alcançar o resultado desejado”.

Robert Koppel

O Acompanhamento do Mercado

Investidores criam o hábito de acompanham o mercado por prazer. Não há nada de errado em passar a acompanhá-lo diariamente, buscando estar por dentro do que acontece na economia e nas empresas de que agora você poderá fazer parte. Escolha uma ação que ache promissora e passe a olhar seus resultados a cada pregão. Com o tempo, você vai notar que consegue antecipar seus movimentos mais freqüentes.

Também se sinta à vontade para mudar de opinião. Achar que as coisas mudaram e não mais acreditar numa alta, por exemplo. Se isso acontecer encerre sua posição ou, se restar dúvida, reduza-a de tamanho. É um erro esperar que o preço volte a um valor anterior para então realizar a venda.

O mercado gera uma vasta quantidade de informações, todos os dias são lançados informações de diversas empresas, notícias e indicadores econômicos. Ao levar tudo isso em consideração, o investidor deve aceitar que sua análise nunca abrangerá todo o mercado. E mesmo que abrangesse, ainda não conseguiria aproveitar todas as oportunidades. Logo, ele precisa de um sistema de análise objetivo e que lhe possibilite uma tomada de decisão rápida, sendo fundamental além disso conhecer bem os riscos e potenciais de retorno das estratégias operacionais que pretende implementar e utilizar um disciplinado gerenciamento de capital.

O melhor indicador do pregão é o livro de ofertas, ou seja, o próprio leilão de um determinado ativo. É importante acompanhar a movimentação dos investidores institucionais, mas não pense que sempre ficará evidente o que eles estão fazendo só pelo volume de ordens que colocam no leilão. Não há nada que valha a pena ver que eles vão te mostrar de graça.

Uma grande oferta de compra pode ser um blefe, ou ainda, pode ser apenas uma arbitragem de mercado, ocorrendo em paralelo à compra, uma venda no mercado futuro, e assim por diante. Na maioria das vezes, um movimento importante dos tubarões não estará aparente no livro de ofertas, seja em razão da diluição da posição que fora aberta em centenas de ordens de pequeno valor ou da utilização de ordens invisíveis e de execução de alta velocidade.

“Há coisas mais importantes para se dedicar na bolsa do que tentar enxergar o oculto. O oculto é oculto mesmo. Você não vai enxergar”.

Iniciantes costumam tentar acompanhar o máximo de mercados e ativos de uma só vez. E acabam se perdendo com tanto informação, não conseguindo acompanhar nada. Acreditam que quanto mais informações obtiverem e interpretarem, maiores oportunidades aparecerão e melhor será a performance dos seus investimentos.

Entretanto, para se ter uma boa performance operando no mercado não é necessário acompanhar freneticamente todos os ativos e as últimas notícias. Normalmente as notícias mais importantes consistem em uma meia dúzia de indicadores econômicos e resultados empresariais. O que é fundamental é reconhecer que tipo de informação vale a pena ser estudada e que possa ser utilizada para suas operações, tendo plena consciência do contexto econômico atual e das perspectivas para o futuro.

Com relação aos ativos, o ideal é acompanhar uma carteira com não mais de 20 ações ou ativos e analisá-los regularmente. Isso significa saber a que preço tais ativos abriram o ano, os mínimos e máximos do período e como foi o resultado trimestral de cada empresa. Paralelo a isso, também devem ser analisados regularmente os índices Bovespa e S&P 500, de maneira que fique claro para o investidor a tendência de longo prazo do mercado em geral. Muitas vezes o investidor acaba focando sua análise apenas na escolha de que ativo investir, sem definir o momento ideal de fazê-lo, ou seja, o timing da operação.

O foco do investidor deve estar no mercado que tenha escolhido. Seu objetivo é se especializar, acompanhar poucos ativos e compreender bem os seus movimentos de preço e os fatores que influenciam as altas e baixas em suas cotações. A princípio, o melhor é estar operando num único mercado ou em um único ativo. É extremamente complicado operar em mais de um mercado, não pela atenção do investidor, que terá que ser dividida entre as diversas cotações de preço, mas em razão da tomada de decisão. Quando o momento de decidir e reagir chegar, o fato de estar atento a vários mercados ao mesmo tempo causará confusão. Na medida em que se ganha experiência no mercado pode-se expandir a gama de operações em diferentes ativos.

“Diversificação é uma proteção contra a ignorância e não faz muito sentido para aqueles que sabem o que estão fazendo”.

Warren Buffett

O melhor horário para procurar oportunidades e acompanhar os preços dos ativos é de noite, quando os mercados estão fechados. Você terá tempo para analisar o mercado em paz, refletir e observar os preços, os volumes, os fundamentos e os indicadores técnicos, para então tomar suas decisões para o pregão do dia seguinte. Um investidor disciplinado está sempre acompanhando o mercado, independe de estar ou não posicionado. No início está tarefa será um pouco demorada, mas com o tempo e a prática, este processo não levará mais de 30 minutos do seu dia.

O investidor deve selecionar para compra ações que estão apresentando desempenho superior ao Ibovespa durante o ano. Nem sempre, estas estarão entre as empresas mais lucrativas e com o melhor balanço (pouco endividamento, etc), ou mesmo, entre as blue chips. Por mais óbvio e simples que isso pareça, poucos utilizam essa estratégia de seleção.

Durante uma tendência de baixa no mercado, em que a cada dia o índice atinge novos mínimos, é possível observar que certas ações continuam estáveis, caindo pouco em relação ao índice, ou mesmo, subindo, enquanto que a maioria restante está se desvalorizando significativamente. Isso indica que tais ações têm uma probabilidade de retorno maior que o restante do mercado, pois quando este reverter sua tendência, é de se esperar que essas ações se valorizem mais do que as demais.

Se os investidores institucionais não estão vendendo estas ações, ou mesmo, as estão comprando, enquanto que o restante do mercado está em fase de distribuição, é uma indicação de uma oportunidade de compra, razão pela qual os preços dessas ações não estão caindo. Ações “fracas” não têm suporte por parte dos investidores institucionais, caem facilmente e acompanham mal as correções de alta do índice. Essa estratégia deve ser utilizada também em tendências de alta, em que procuraremos ações que estão sobreperformando a média da bolsa, ou seja, aquelas ações que estão apresentando desempenho superior ao Ibovespa.

Por fim, é importante também acompanhar o calendário dos indicadores econômicos mais importantes, estudar e avaliar os resultados trimestrais e as cotações das commodities e insumos que estão relacionadas às empresas que você acompanha. E, além disso, acompanhar as cotações das empresas multinacionais que são líderes dos setores destas empresas.

Contudo, o investidor não deve ser tornar um escravo do mercado. Consumido pela necessidade de acompanhar freneticamente todos esses aspectos que foram abordados. É preciso saber se desvencilhar do mercado, pois a vida não se resume a isso. Defina claramente qual será o tempo que você dedicará ao mercado, bem como o tempo que você dedicará à sua família, profissão, formação acadêmica e, principalmente, à sua saúde e ao seu prazer pessoal.

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”.

Oscar Wilde

E com relação ao acompanhamento do mercado, é fundamental aceitar que dificilmente será possível obter todas as informações a respeito do mercado ou sobre um determinado ativo em tempo hábil, ou seja, a tempo de poder tomar vantagem disso no mercado.

Da mesma forma, é importante compreender que a qualquer momento um indicador ou um acontecimento novo pode mudar bruscamente a direção dos preços, fazendo com que o investidor fique posicionado na ponta errada do mercado, ou seja, contra a tendência do preço. E à medida que o investidor passa a crer que para tudo que acontece no mercado existe uma explicação e a imaginar que pode prever, ou mesmo, controlar o comportamento do preço, ele se tornará cada vez mais uma presa fácil para os tubarões.

Não cometa o erro de assumir que em razão de ser mínima a probabilidade ou a expectativa de que um evento contrário ao que é esperado ocorra, que o mesmo não possa acontecer. Decisões que aparentemente se mostram sensatas e responsáveis podem acabar se tornando absurdas após terem produzido efeitos catastróficos.

São poucos os analistas que confessam não saberem ou não entenderem o que aconteceu ou por que tal movimento de preço aconteceu. A maioria aponta para um único fator como força determinante, diante da necessidade de gerar certeza para o que ocorreu no mercado. Muitas vezes o mercado muda de forma tão brusca que as profecias do dia têm que serem modificadas com desculpas patéticas no dia seguinte. A solução, portanto, é administrar bem os riscos, alocar bem o capital, acompanhar a evolução do investimento e conviver com a incerteza. Opção que prima pela humildade e pela constante necessidade de aprimorar nossos conhecimentos.

“Se você deseja saber tudo sobre o mercado, vá à praia e passe sua mão sobre as ondas. Algumas são grandes, outras são pequenas, mas se você tentar empurrá-las, jamais conseguirá mudar sua direção. O mercado está sempre certo”.

Ed. Seykota

A Análise do Mercado

Nenhum mercado de renda variável, seja de futuros ou de ações, é perfeito. Não existe uma equação matemática ou estratégia de operação que tenha 100% de garantia de acerto. O que existe são técnicas que indicam se o mercado está numa tendência de alta, de baixa ou se está lateral, e que mostrem para onde será mais provável que se mova. O melhor e mais confiável método de análise do mercado será desenvolvido e ajustado para você por você mesmo.

Não é recomendado investir em renda variável sem antes ter um mínimo de conhecimento a respeito. Educação é um elemento essencial para se construir o sucesso em qualquer área e o mercado financeiro não é exceção. Não pense em prejuízo e lucro. Mude sua perspectiva pensando no que você precisa aprender para investir no mercado com mais eficiência e obter maiores resultados. Felizmente, você já está seguindo esse caminho ao ler esse artigo.

Existem diversas formas de tentar prever os movimentos de preço de um ativo. Poucas são válidas, mas nenhuma é garantida, sendo a maioria inútil ou redundante. Um investidor deve procurar estudar estratégias operacionais, formas de diminuir o risco e de preservar seu capital, bem como técnicas de realocação de investimentos, ao invés de tentar prever o futuro, o que é o que a maioria faz e normalmente é inútil. Ainda que você consiga prever o futuro, o que teoricamente é fácil, pois o mercado ou sobe, ou cai, ou acumula, ou distribui, se você não souber o que está fazendo ainda assim irá perder.

“O mercado não lhe dá dinheiro. É você que se dá dinheiro baseado na sua habilidade de perceber oportunidades e executar uma operação no mercado”.

MercadoReal

A análise de mercado vai embasar as suas decisões e lhe dar a confiança para fazer o que é necessário para atingir os seus objetivos no mercado de capitais. Aprenda a identificar rapidamente topos, fundos, bem como os níveis de suporte e de resistência, o que lhe indicará qual é a tendência de longo prazo do preço do ativo e lhe colocará no lado certo do mercado. Não faz sentido investir no longo prazo quando não se tem sinais concretos da direção do preço.

Normalmente parte-se de uma análise macro para uma micro, ou seja, primeiro se avalia o contexto econômico atual do país e dos principais mercado internacionais (EUA, China, Europa e Japão). A partir daí, é feita a análise do setor em que o ativo pertence, bem como dos índices setoriais, para finalmente avaliar os fundamentos do ativo ou da empresa em si e como o seu preço e o preço das ações líderes do segmento estão se comportando no momento e como se comportaram no passado.

Assim, os aspectos tendência do mercado, qualidade do ativo e, principalmente, o timing, sistematicamente irão embasar a tomada de decisão do investidor no longo prazo, mas ainda assim, ele não poderá evitar as variações de curto prazo, pois nada garante que determinados problemas tenham sempre uma solução. Acreditar que apenas um indicador será suficiente para identificar o melhor momento de compra de um ativo é menosprezar toda a complexidade do mercado financeiro e a inteligência dos demais investidores.

Investidores iniciantes acreditam na ilusão do piloto automático. Creem cegamente que podem automatizar suas operações, garantindo a rentabilidade destas. Pessoas que montam ou compram trading systems são como cavalheiros medievais pagando alquimistas para que transformem seus metais em ouro. Se houvesse um sistema de previsão ou trading system que acertasse mais que 50% de forma garantida e consistente, a imperfeição do mercado acabaria e, conseqüentemente, o próprio mercado acabaria. A oportunidade de obtenção de lucro está exatamente na sua imperfeição e imprevisão.

Atividades humanas complexas não se prestam à automatização. Linhas aéreas pagam altos salários para pilotos, apesar de seus aviões terem pilotos automáticos. Os pilotos possuem uma capacidade de raciocínio e de tomada de decisão que nenhuma máquina tem, principalmente para lidar com situações não previstas, assim como é o contexto do mercado financeiro.

“Fórmulas podem estar erradas; o mercado nunca. O mercado é o mercado, nem mais nem menos. Não faz previsões nem promessas, está ali e basta. Discutir com ele é como sair numa tempestade de neve gritando que só deveria nevar no dia seguinte”.

Max Gunther

É inquestionável que um sistema automático de análise, ou mesmo de operação, permitirá uma abordagem mais disciplinada e metódica do mercado. Mas ao mesmo tempo, limitará o horizonte de visão do investidor, afinal de contas, computadores não conseguem captar e interpretar as exceções e os aspectos qualitativos. Um sistema de análise computadorizado pode servir como uma linha mestra para identificar a tendência de um ativo, mostrar os níveis históricos de preço, dentre outros, mas jamais substituirá a análise interpretativa e intuitiva do investidor, a qual é capaz de identificar os comportamentos prováveis em razão da influência dos fatores externos e da forma como o mercado vem evoluindo.

Acontece que as oscilações dos preços no mercado, embora talvez sejam previsíveis com análise técnica e fundamentalista, dependem inúmeros fatores, mas principalmente do comportamento dos investidores institucionais. Basta que apenas um deles resolva se posicionar de maneira contrária à tendência do mercado para que os preços de determinados ativos mudem de direção, ainda que temporariamente. Além disso, temos de considerar os inúmeros fatores que podem ocorrer a cada instante e que têm a possibilidade de mudar dramaticamente o rumo do mercado ou de qualquer ativo negociado em leilão.

Se nos encontrarmos tentando adivinhar cada oscilação e pullback dos movimentos dos preços, não seremos apenas levados à frustração, mas também perderemos totalmente qualquer senso de perspectiva de longo prazo. As oportunidades no mercado estão à disposição de todos. Dependemos apenas da nossa percepção para que possamos tomar proveito delas.

A partir daí, a escolha da estratégia mais adequada será sempre embasada no que acreditamos. E o sucesso desta dependerá do nosso comprometimento às nossas próprias regras. Entretanto, de nada adianta utilizar boas ferramentas de análise e gráficos de preços para analisar ações de empresas ruins, com pouco ou nenhum fundamento de qualidade.

Da mesma forma, não se pode querer estar sempre posicionado no mercado, tentando ganhar sempre. O segredo está em controlar a ganância e trazer as chances ao nosso favor. Entender como a maioria dos participantes do mercado está se comportando em relação a determinado ativo e operar de acordo com a tendência do seu preço. Não baseie suas operações puramente em previsões e projeções de preços de corretoras, gurus e analistas, mas no que você vê acontecendo à sua frente, no comportamento do preço e do mercado e, principalmente, nos fundamentos do ativo.

“Não fique curioso demais sobre a lógica por trás de um movimento dos preços. A chave para a fortuna no mercado é a simplicidade”.

Jesse Livermore